Morhan completa 34 anos de fundação no combate e prevenção à hanseníase no AC

Por Marina, ContilNet 22/09/2016 às 17:13

O Movimento de Reintegração de Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) do Acre comemorou os 34 anos de fundação nesta quinta-feira (22), o evento fez parte da Semana Estadual de Combate e Prevenção à Hanseníase. A entidade sem fins lucrativos tem suas atividades voltadas para a eliminação da Hanseníase, através de atividades de conscientização e foco na construção de políticas públicas eficazes para a população, lutando para garantir o respeito aos Direitos Humanos das pessoas atingidas pela hanseníase e seus familiares.

Pessoas como Maria de Jesus, que descobriu a doença aos 7 anos de idade, na época o preconceito era ainda maior do que o que existe hoje, as pessoas que eram diagnosticadas com a doença, eram tratados com discriminação e isolado e de forma brusca, separadas da família.

Maria conta que os primeiros sintomas foram as manchas pelo corpo e dormência, foi quando ela foi expulsa da escola e vítima de preconceito dos vizinhos e parentes. “Eu fui tirada de perto dos meus amiguinhos, eu só tinha sete anos e a escola fechou as portas ‘pra’ mim, meus vizinhos pressionaram a família para que eu fosse isolada, mas só aos 14 anos eu fui para a colônia Souza Araújo, onde fui fazer o tratamento”.

Com lágrimas nos olhos, a ex-paciente relata que a parte mais difícil foi se ver longe de toda a família e enfrentar os preconceitos: “Eu fui levada ‘pra’ lá e saí somente aos 22 anos, sozinha, sem notícias, nunca mais reencontrei minha bisavó, que foi ela quem tinha me criado. As famílias, para se ver livre dos comentários, inventavam que os filhos haviam morrido”, diz Jesus.

Maria de Jesus comenta que a maioria dos hansenianos nunca mais reencontravam suas famílias. Hoje, aos 68 anos de idade e curada, Maria trabalha como voluntária no Mohan para ajudar outras pessoas. “Eu curei minha saúde, mas as marcas de toda aquela dor emocional ficam, é muito difícil falar a respeito de tudo que eu passei, eu era só uma criança e não sabia direito o porquê de tudo aquilo”.

A coordenadora do Mohan no Acre, Terezinha Prudência, conta que hoje o centro atende uma média de mil pessoas com suspeita da doença. “Aqui funciona como disseminador de informação, a pessoa chega aqui com algum tipo de mancha e nós encaminhamos para o médico dermatologista”.

Terezinha explica que o tratamento dura entre 6 meses e um ano dependendo do avanço da doença. “Muitas vezes as pessoas veem um deficiente e acham que ele vai transmitir a doença, mas ele pode já estar curado. Depois da primeira dose do tratamento ele para de transmitir e pode levar uma vida normal, sem medo. Esse preconceito atrapalha a vida do hanseniano, assim como atrapalha no diagnóstico, pois o paciente tem medo de ir em busca de ajuda”.

O Brasil é o único País que não atingiu a meta de da OMS, que é de 1 caso para cada 10 mil habitantes. Atualmente, são descobertos aproximadamente 30 mil novos casos todo ano. O Acre é o 13º Estado com maior número de casos: são 160 à cada ano.

O vice-coordenador nacional do Mohan, Artur Custódio, explica que o preconceito e a desinformação são os principais motivos para que a hanseníase ainda não tenha reduzido como no restante do mundo. “Essa é uma doença de população negligenciada, que já poderia ter acabado e precisa de empenho maior para vencer o preconceito, para isso precisamos disseminar informação, esclarecimento e educação”.

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Mohan completa 34 anos de fundação /Foto: ContilNet

“O medo da discriminação afasta pacientes das unidades de saúde e dificulta o diagnóstico e o tratamento da hanseníase. Por isso, a informação é o melhor remédio”, acrescenta Artur.

A hanseníase tem cura. Os portadores da doença que, até a década de 70 eram excluídos do convívio social e condenados ao confinamento em colônias, hoje recebem remédios de graça e se tratam em casa, com acompanhamento médico nas unidades básicas de saúde.

Conteúdo Original / Fonte: NANY DAMASCENO, DA CONTILNET

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