No próximo dia 29 será realizada a primeira edição do Aspera Fighting Championship (Aspera FC) em Rio Branco. O que mais chamou a atenção no evento foi a participação do lutador acusado de agressão, Deroci Barbosa, que em maio deste ano foi preso após invadir a casa de sua ex-mulher para tentar agredi-la, na ocasião, Barbosa teria arrombado a porta e agredido também um casal que estava hospedado na residência.
A matéria veiculada pelo site ContilNet com a notícia de que Deroci estaria no card principal do Aspera FC repercutiu de forma negativa, e ao tomar conhecimento da participação do agressor no evento, mulheres do movimento feminista do Acre mobilizaram-se através das redes sociais para tentar impedir a participação do lutador.
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Na quinta-feira (13), a universitária Maíra Menezes fez uma postagem em seu perfil no Facebook cobrando um posicionamento das empresas que patrocinam o lutador. Devido à repercussão, após 3 horas no ar a postagem já tinha mais de 400 curtidas, 300 compartilhamentos e centenas de comentários repudiando a Aspera, no entanto, a rede social excluiu arbitrariamente a publicação.
“Não é contra o evento ou o esporte, pelo contrário, sabemos da seriedade do MMA e da importância dessa luta para os atletas, mas sim contra a participação dele. O nosso objetivo é que ele não lute e estamos fazendo tudo o que podemos para que ele seja retirado. Não só as feministas, mas toda a sociedade se envolveu e enxerga que a volta dele às competições passa uma sensação de impunidade às pessoas”, afirma Maíra Menezes.
Ainda de acordo com Maíra, durante a próxima semana uma comissão de mulheres buscará entidades que possam colaborar nesta campanha. Se a organização mantiver o agressor entre os atletas que participarão do Aspera FC, uma manifestação pacífica está sendo planejada para o dia 29, no local do evento: “Estamos pedindo explicações das empresas e, se ele não for retirado da luta, nós faremos uma manifestação pacífica, as pessoas estão cansadas de serem violentadas e nada acontecer, nós estamos aqui cobrando justiça de um caso explicito de violência”.
Pamella Alves, vítima do agressor, disse que ao tomar conhecimento da participação de Deroci no card principal do evento o sentimento foi de impunidade: “Quando eu soube da participação dele, procurei a Secretaria de Política para Mulheres e estou recebendo todo apoio. Além de vítima, eu sou a única a ser punida, pois minha vida parou após o ocorrido, eu tinha uma loja e tive que fechar, mas ele continua impune pelo crime”, afirma a vítima.

Pâmela teria sido agredida pelo lutador de MMA /Foto: Arquivo pessoal
Pâmela falou ainda sobre as sequelas que carrega desde o crime: “Meu nariz ficou com um desvio e precisarei fazer uma cirurgia para reparar isso, tenho cicatrizes e meu namorado também, que ficou desmaiado no dia, enquanto Deroci corria atrás de mim pela rua para tentar me matar com uma faca”.
A assessora jurídica da Secretária Pública de Política para Mulheres (SepMulheres), Halica kaialy, explica que a secretaria foi procurada pela vítima de Deroci para auxiliar Pâmella na análise do processo: “A secretaria apoia e luta contra a impunidade. Estaremos ao lado defendendo e já estamos acompanhando a Pâmella no que ela precisar, prestando os esclarecimentos necessários, esse é o papel da SepMulheres”.
Analisando o caso, Halica disse que uma questão chamou a atenção no processo contra Deroci, que foi a falta de depoimento de testemunhas do crime: “As testemunhas não foram intimadas e, segundo o oficial ‘por falta de tempo’, então essa falta de servidor é uma falha frequente e nós vamos na vara procurar esclarecimento do promotor sobre a falta de funcionários. Afinal, a vítima está sendo punida pela falta de peças fundamentais que são as testemunhas”.
Em nota enviada à ContilNet, a advogada do agressor, que também responde pela Aspera FC no Acre, Manyra Gama, disse que o processo corre em segredo de justiça devido à natureza da ação, e ainda não houve decisão final do Judiciário, por isso a organizadora do evento decidiu reinserir o atleta no card principal, baseando-se no fato dele não ter sido condenado na Justiça.
“Os pedidos de prisão formulados pelo Ministério Público no processo foram analisados por três juízes de primeiro grau, e todos foram unânimes ao afirmar que o atleta Deroci Barbosa não é uma pessoa perigosa e que não representa nenhum risco à integridade da suposta vítima ou de qualquer outra pessoa, não havendo necessidade de medida extrema contra ele”, disse a advogada.
