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O Acre é o único estado da federação que não priorizou a agricultura, diz doutor

Por Wania Pinheiro, ContilNet Fonte: JORGE NATAL, DE MARECHAL THAUMATURGO PARA A CONTIONET 25/12/2016 às 10:13

Alexandre Carneiro da Silva é doutor em Agronomia

O doutor em Agronomia, Alexandre Carneiro da Silva, 34 anos, que saiu de Sorocaba (SP) para morar por estas paragens, afirma que a região do Alto Juruá, além de ser geograficamente estratégica, tem vocação para a agricultura, principalmente a fruticultura para o consumo in natura e a agroindústria. “O açaí, buriti, cupuaçu e a graviola são culturas nativas bem adaptadas”, propõe ele.

Mesmo não conhecendo o zoneamento ecológico-econômico do Acre, o pesquisador sustenta suas teses com base nas características do solo, clima e topografia do Alto Juruá. “Sem contar que estamos na região detentora de uma das maiores biodiversidades do planeta. Podemos nos desenvolver a partir das nossas próprias potencialidades”, afirma Silva, que é especialista em sementes.

O Acre, segundo ele, é o único estado da federação que ainda não priorizou a agricultura. “O extrativismo já ocupou o seu lugar na história”, lembrou, citando o economista Celso Furtado, para quem a agricultura era portal para o desenvolvimento de regiões isoladas. “Em Marechal Thaumaturgo temos variedades de feijões que são preciosidades”, exemplificou o agrônomo.

Se produzirmos em grande escala, vislumbra o pesquisador, a população se alimentará melhor e o excedente irá para a exportação. “Óbvio que estamos falando de uma política agrícola de Estado, com uma bem definida cadeia produtiva, que chamo de autodesenvolvimento ou agroindustrialização, que precisa ser estimulada pelo poder público, mesmo porque é a principal forma de conter o êxodo rural”, argumenta o especialista.

Ainda de acordo com ele, o Acre tem as condições naturais para ser um estado desenvolvido. Estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostram que o solo acreano é um dos mais apropriados para o cultivo da mandioca, sobretudo no Vale do Juruá. “A fécula ou goma é versátil como matéria-prima industrial, utilizada em setores que vão deste o de alimentos, passando pelo têxtil e o de papel, entre outros”, ilustrou o pesquisador.

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