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Paciente com endometriose conta como aprendeu a conviver com a doença: “Cheguei a desmaiar de tantas dores”

Por Marina, ContilNet Fonte: MÁRCIA PARFAN, DO CONTILNET 30/09/2018 às 08:50

“Fiquei internada 13 dias. Os médicos suspeitaram que podia ser dengue, já que vivemos em uma região tropical, mas depois dos exames, os médicos não conseguiam identificar as causas das minhas dores. Eu sentia muitas dores no abdômen e nas pernas. Não conseguia nem andar”. O relato é de Cecília Dotto de Lima, que descobriu aos 17 anos que tinha endometriose.

Essa doença é caracterizada pelo crescimento do endométrio – a mucosa que reveste a parede interna do útero, que acaba crescendo em outras regiões, como trompas, ovários, intestino e reto, causando dores, sangramento e, em alguns casos, até a infertilidade da paciente.

No Brasil, 15% das mulheres com idades entre 25 e 35 anos sofrem desse mal. Segundo o ginecologista Antonio Carlos Alves, os principais sintomas são dor pélvica associada ao período menstrual. Também pode acontecer da mulher sentir dores ao defecar e em relações sexuais. “No entanto, mulheres com endometriose costumam dizer que a dor pélvica, durante o período de menstruação, é muito pior do que o normal e vai aumentando conforme o tempo”, explicou Antonio.

A maioria das pacientes já começam a apresentar sintomas da doença na adolescência, mas o diagnóstico nessa idade acaba sendo mais difícil, pois alguns dos sintomas, como as cólicas, podem ser confundidos com problemas intestinais. Como nessa fase muitas meninas ainda não iniciaram a vida sexual, os outros sintomas acabam não se manifestando, e a paciente acaba descobrindo a doença somente na fase adulta. Para Cecília, que descobriu a doença ainda com 17 anos, os médicos acabaram não levantando a hipótese de endometriose no primeiro momento. “Meus médicos falaram que a incidência de casos da doença em mulheres com a minha idade é mais baixa, o que dificultou um pouco o diagnóstico”, afirmou.

Cinco anos depois de ter descoberto que tinha endometriose, Cecília diz que hoje tem uma vida normal, que já consegue conviver bem melhor com as dores. Ela conta que chegou até a desmaiar por conta das fortes dores. “Não posso dizer que passo o período menstrual sem dores, mas antes de iniciar o tratamento tinha dores insuportáveis, ia pelo menos uma vez por semana ao pronto atendimento para tomar medicação na veia, agora minha qualidade de vida melhorou bastante”, ressaltou.

De acordo com o ginecologista, as causas da endometriose ainda não são claras, mas alguns estudos levantaram possíveis causas, como menstruação retrógrada, sistema imunológico, e sistema linfático, que pode levar células do endométrio para outras partes do corpo. Ele destaca que em alguns casos, a doença pode se manifestar depois de alguma cirurgia: “Após uma histerectomia ou cesariana, por exemplo, as células do endométrio podem prender-se às incisões cirúrgicas”.

A doença pode ser diagnosticada por meio de ultrassom endovaginal com preparo intestinal, ressonância magnética e laparoscopia.

O ginecologista ressalta que é muito importante que, se a mulher sentir algum desses sintomas, deve procurar um médico para saber se há algo de errado. “A endometriose é uma doença sem cura, mas a mulher pode conviver melhor com a doença se fizer o tratamento adequado”, reforçou o profissional da saúde.

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