É lamentável a situação em que se encontra o Instituto Dom Bosco em Rio Branco. A instituição, que atende crianças deficientes, não tem profissionais o suficiente para a tender a demanda de pacientes, além da parte estrutural que também é precária.
De acordo com o coordenador de fisioterapia do Dom Bosco no Acre, Raimundo Castro, mais de cinco mil crianças passam mensalmente pelo local para receber atendimento de fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional, ou seja, por dia são aproximadamente 180 crianças para serem atendidas, mas com o déficit de profissionais essa meta de atendimento acaba não sendo alcançada.

Número de profissionais não consegue atender a demanda de atendimentos na unidade /Foto: ContilNet
“O projeto estrutural do Instituto, pelo menos na área de saúde, é lindo de se ver, coisa de primeiro mundo. Nesse projeto, o Dom Bosco teria dez módulos que ofereceriam tratamentos adequados para a evolução dessas crianças, entre eles a piscina, para a realização da fisioterapia aquática, mas essa piscina nunca saiu do papel, além disso, dos dez, somente dois módulos foram concluídos”, completou o coordenador.
Marcos Guilherme é pai do pequeno Pedro, de apenas 3 anos de idade. O filho dele necessita de pelo menos 3 sessões de fisioterapia semanalmente, porém não tem conseguido realizar todas, pois a quantidade de profissionais é pouca para atender a grande demanda. Revoltado e muito nervoso, ele desabafa o fato de não conseguir sequer fazer nebulização no filho, porque o setor respiratório estava sem nenhum profissional.
“Isso é um absurdo! É revoltante para os pais que sofrem juntos com os filhos que necessitam de atendimentos adequados para seus problemas e não tem. Hoje por exemplo, meu filho precisou fazer nebulização, mas desde que a funcionária do setor entrou de licença maternidade, não colocaram mais ninguém e a sala está abandonada, só depois de muito barulho que a gente faz aqui que eles providenciam uma pessoas para dar apoio no setor. Tá com 20 dias que venho aqui e é esse descaso”, desabafou.
Assista aqui a reportagem feita por Alamara Barros no Instituto Dom Bosco
Fernanda Avelino é mãe do pequeno Antônio Vitor, de apenas 10 meses de vida, que tem microcefalia e cefalopatia. Segundo ela, as doenças são consequências da demora da realização do parto na maternidade Bárbara Heliodora. Ela conta ainda que, devido aos problemas do filho, ele necessita de todos os tratamentos de fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional. Porém, há mais de 20 dias ela não consegue atendimento no Dom Bosco, porque nunca tem vaga.
“Eu acordo às 3h da manhã para poder dar tempo de arrumar tudo e as coisas do bebê que tem que levar, faço de tudo para não chegar atrasada, mas não adianta, mesmo sendo uma das primeiras a chegar, sempre encontro dificuldade para realizar todos os atendimentos necessários para o meu filho. Hoje, por exemplo, passei a manhã inteira aqui sem atendimento.”
Hoje o Instituto Dom Bosco trabalha com um déficit de 15 profissionais em saúde, sendo que a instituição não atende somente crianças especiais de Rio Branco, mas de todo o Estado do Acre. Com isso, para os pais que vêm de outros municípios a situação é ainda pior, porque precisam chegar aqui e receber atendimento para o filho e voltar o quanto antes, pois não têm condições financeiras para se alimentar e pagar hospedagem.
Outro problema, que tem aumentado o transtorno nos atendimentos, é que as consultas não são mais agendadas pela Fundação, com isso os pais precisam chegar de madrugada ao Instituto Dom Bosco para tentar conseguir atendimento no mesmo dia, se não conseguir, tenta agendar por lá mesmo em uma nova data.
