A cada dia viajar tem se tornado um artigo de luxo para os acreanos, ir para outro Estado a turismo ou até para visitar parentes e amigos significa desembolsar um alto valor com passagens de avião.
“Perdi um voo de Brasília para Rio Branco na quinta-feira. Agora se eu quiser voltar tenho que pagar quase R$ 2 mil reais em um único trecho, estou sem saber o que fazer, pensando em pegar um ônibus. Esse preço é um absurdo”, disse uma acreana.
Recentemente a empresa Latam retirou um dos voos de Rio Branco que fazia o trecho Rio Branco-Brasília com escala em Porto Velho, fazendo com que uma passagem, que já custava caro, duplique e em alguns casos até triplique o seu valor.

Para quem mora no Acre, viajar está cada vez mais caro
“Nós temos poucas aeronaves servindo Rio Branco, em abril a Latam retirou esse voo e com isso os valores subiram absurdamente. Além disso, os acreanos estão viajando cada vez mais, os voos estão sempre lotados se você procurar por uma vaga para hoje, amanhã e até o início da semana que vem não tem, se achar é com uma tarifa astronômica, isso porque estamos em um mês de baixa temporada”, reclama a empresária Sônia Zanatta, proprietária de uma agência de viagens em Rio Branco.
A antecipação continua sendo a única possibilidade de conseguir um voo mais em conta: “O único jeito de conseguir viajar aqui é comprando passagens com muita antecedência, buscando os meses de baixa temporada e algumas vezes isso não é suficiente. Já sai de ônibus de Rio Branco para Porto Velho, pois saia mais barato ir para lá e de lá pegar o voo para o Rio de janeiro. Na volta, um voo do Rio de Janeiro com destino a Porto Velho e escala em Rio Branco estava saindo mais barato do que um voo direto do Rio para cá, como pode isso?”, afirmou a estudante Thaís Lopes.

Promotor Marco Aurélio Ribeiro /Foto: Reprodução
O promotor de justiça Marco Aurélio Ribeiro, da promotoria de defesa do consumidor do Ministério Público do Acre, explicou que o órgão intensificou a fiscalização nos últimos meses em uma tentativa de barrar os preços abusivos praticados pelas companhias áreas, porém as liminares emitidas pelos órgãos foram barradas na justiça.
“O ano passado nós fizemos um estudo por seis meses de monitoria desses custos de passagens. Nestas investigação fizemos comparações em trechos similares saindo de Rio Branco e de Porto Velho para mostrar que estava em uma diferença muito grande nos valores. Pedimos uma liminar para haver uma diferença equiparável entre Rio Branco e Porto Velho, dando a diferença entre a distância dos dois Estados, mas infelizmente não tivemos êxito, a liminar foi negada, nós recorremos e também foi derrubada. Agora o processo está correndo para combater os preços abusivos nas passagens”, afirmou o promotor.
Entramos em contato com as empresas Latam e Gol linhas aéreas por meio de suas assessorias de imprensa, mas até o fechamento da matéria não obtivemos resposta.
