A partir da próxima semana, líderes sindicais de quatro entidades ameaçam paralisar os serviços de saúde do Estado. O anúncio foi feito na manhã desta quarta-feira (21), na sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT), pelos representantes de dois sindicatos da saúde e o Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinteac).
Segundo os sindicalistas, o governo, depois de demitir trabalhadores terceirizados, reduziu em até 50% os salários de alguns trabalhadores da saúde.
“Os descontos em folha chegam até R$ 1 mil, sob o argumento de faltas. Houve uma redução na escala de auxiliares, técnicos e enfermeiros causando sobrecarga em maternidades, hospitais regionais e até em UTI´s”, explicou a presidente do Sindicato dos Profissionais Auxiliares, Técnicos em Enfermagem e Enfermeiros (Spat), Maria Rosa da Silva.
A presidente da CUT e Sinteac, Rosana Nascimento, disse que os primeiros cortes foram nos salários dos trabalhadores em educação, causando transtorno e comoção entre os sindicalistas.
“Tivemos que fazer feira para alguns servidores que, após os descontos, chegaram a receber até R$ 70”, relatou a sindicalista, chamando o governo de irresponsável e desumano.
Ela também critica o governador Tião Viana e o chama de “perseguidor e dissimulado”.
“Eles aumentam os salários dos delegados, de cargos comissionados e mantêm altíssimos orçamentos para alguns gabinetes e mídia. Para manter o milionário aparato estatal e a luxúria, o governador está tirando o pão da boca de pais de família”, disparou Nascimento, exemplificando com o repasse feito para o gabinete da vice-governadora, Nazaré Araújo, que seria de mais de R$ 1 milhão.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde do Acre divulgou nota rebatendo as declarações dos sindicalistas. A nota assinada pelo subsecretário Irailton Lima afirma que não houve redução de salário e do número de servidores nas unidades estaduais de saúde.
Veja a nota:
NOTA DE ESCLARECIMENTO (Atualização às 17h25)
A Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) vem a público esclarecer:
– Não houve redução de salários e do número de servidores nas unidades estaduais de saúde neste ano. Exemplo disso é o comparativo do número de servidores efetivos e provisórios que a Sesacre tem em seus quadros – subiu de 5.320, registrados de agosto de 2014, para 5.596, contabilizados em agosto deste ano.
– Vale ressaltar que, somente neste ano, a Sesacre nomeou 669 servidores efetivos. Portanto, não passa de falácia a informação de que houve redução de salários e de servidores nas unidades estaduais de saúde.
– A Sesacre informa, ainda, que toda e qualquer medida de força adotada pelos sindicatos, como manifestações de rua ou paralisação de servidores, será interpretada como renúncia ao espaço de negociação. A Sesacre considera uma medida precipitada dos sindicatos a informação prévia de possível paralisação como indicativo de greve, uma vez que esta Secretaria tem estado permanentemente aberta para negociar com todos os sindicatos, sendo os representantes recebidos pessoalmente pelo secretário de Saúde e seus adjuntos.
– Como exemplo da boa relação que a Sesacre busca manter com os sindicatos, destacamos que, no dia 5 deste mês, houve reunião com representantes dos sindicatos dos Trabalhadores em Saúde do Acre (Sintesac) e dos Profissionais Auxiliares e Técnicos de Enfermagem e Enfermeiros do Acre (Spate), e do Conselho Regional de Enfermagem do Acre (Coren/AC). Na semana passada, houve reunião com o comando sindical, e há novo encontro agendado para o próximo dia 29. Portanto, não se visualiza ambiente para uma atitude radicalizada dos sindicatos, como anunciada nesta quarta-feira, 21, em coletiva à imprensa.
– Finalizamos reiterando que a Sesacre está de portas abertas para negociar com todos os sindicatos dos trabalhadores da saúde, ao tempo que repudia toda medida precipitada que ponha em risco a garantia do fornecimento dos serviços de saúde à população.
Rio Branco – Acre, 21 de outubro de 2015
Atenciosamente,
Irailton Lima

