O presidente do Instituto do Meio Ambiente do Acre (Imac), Paulo Viana, disse hoje (12) que o trajeto apresentado para a construção da ferrovia Bioceânica para ligar o Brasil ao Oceano Pacífico não apresenta, em termos ambientais, o melhor traçado e inclusive áreas com baixo impacto humano até agora. Sempre falando do tema de forma genérica e em tese, Viana sugeriu ser o traçado da BR-317 o mais adequado.
Segundo Viana, não entrando no mérito de ligação entre os extremos do Estado e na questão econômica, o traçado proposto seguindo a BR-364 exigiria muita atenção devido ao fato de afetar áreas de proteção ambiental e terras indígenas.

Trajeto proposto pela ferrovia Bioceânica /Foto: Reprodução
Além disso, esclareceu Viana, o trajeto exige a construção de grandes pontes, pois são dezenas de rios e igarapés, alguns largos e profundos, como Purus, Acuraua e Juruá e acrescentou: “A região do Juruá tem pouco impacto humano, o que exigiria um cuidado muito maior nos estudos”. O presidente do IMAC destacou ainda que pontes ferroviárias não possuem arqueamento de vão central, o que pode ser outro fator de encarecimento.
“E tem ainda a questão dos solos nas proximidades do grandes rios, que são bastante instáveis. A isso se soma o fato de que à medida em que se afasta de Rondônia, reduz-se o acesso à perda de qualidade, fator fundamental para a construção de ferrovia”, ressaltou.
O presidente do Imac revelou que, em tese, o melhor seria usar a margem da BR-364, podendo ser a partir da Região Acrelândia/Plácido de Castro ou mesmo em Rio Branco, seguindo na direção de Assis Brasil. Ele justificou pelo fato da região já ter bastante impacto antrópico (humano) há bastante tempo, não possuindo áreas indígenas e de proteção ambiental.
“Em tese, pois não vi o projeto e não discuti com ninguém o tema, entendo ser este o trajeto de menor impacto ambiental, que poderia ser trabalhado de forma mais rápida. Tecnicamente, este traçado é um divisor de águas entre os rios Acre e Abunã e depois segue margeando o Madre de Dios e, se for necessário cruzar alguns rios já no Peru, isso é feito nas cabeceiras, onde são bem mais estreitos. Mas é claro que tudo isso é sem dados técnicos e no ’achismo’, pois para tal existem bens mais questões envolvidas no tema”, finalizou.
