Rio Acre pode se tornar o mais poluído do Norte ao receber esgoto de 8 cidades, diz especialista

Por Wania Pinheiro, ContilNet 21/10/2015 às 20:32
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“Os trabalhos que estão sendo realizados não representa a diminuição da poluição domiciliar e química industrial”, disse Claudemir/Foto: Juan Dias

Nascendo dos igarapés Eva e das Pedras a oeste de Porto Maldonado no Peru, o Rio Acre deságua no Rio Purus depois de percorrer 1.100 km. No decorrer de sua trajetória, o Rio de águas barrentas recebe mais de 50 afluentes até chegar a Capital acreana. Trazendo consigo e levando adiante toda a poluição de oito cidades que também se utilizam de suas águas para beber.

As informações de estudiosos ambientais é que o Rio Acre tem mais de 1,6 milhões de anos, e hoje passa por uma de suas piores era, por conta da poluição praticada pelos que utilizam de suas águas para o abastecimento das principais cidades as suas margens. Uma situação criticada por ambientalista e planejada pelos governos no objetivo de diminuir os efeitos da degradação, presente em todo a sua dimensão.

O renomado e especialista ambiental, Claudemir Mesquita explica que hoje existe três estrutura de tratamento de esgoto na capital Rio Branco que pode ser considerada como uma das melhores da região norte, mas é preciso reorganizar as redes e as formas que se levam os esgotos dos bairros até o tratamento, antes de jogá-los ao rio. O grande problema apresentado pelo especialista como o principal inimigo das águas do Rio Acre que destrói grande parte de sua biodiversidade de vida.

“Os trabalhos que estão sendo realizados não representa significativamente ações efetivas para garantir a médio ou longo prazo, por exemplo, a diminuição da poluição domiciliar e química industrial. Precisamos dimensionar essa poluição e mapear todos os lugares que polui nosso Rio para podemos trabalhar no combate e tratamento dos resíduos. Isso deve ser feito por meio de um trabalho conjunto do Estado, Municípios, Câmara Municipais, associação de moradores e principalmente os parlamentares estaduais e federais”, explicou Mesquita.

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Esgotos são jogados no Rio Acre/Foto: Juan Dias

Segundo o professor, todos os impactos devem ser avaliados para envolver a sociedade no objetivo de apresentar alternativas de combater essa grande poluição. Ele relata que as ações de reflorestamento das margens do Rio não resolve o problema que se dimensionou até o momento e destaca que faltou ter colocado em ação efetiva o Plano Estadual de Recursos Hídricos.

A coordenadora da Unidade de Situação de Monitoramento Hidrometeorológico do Acre, Vera Reis, disse que existe um grande projeto de recomposição da mata ciliar feito pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Acre.

De acordo com a coordenadora, o Estado vem realizando uma parceria com a Agência Nacional de Águas (ANA) para se montar um laboratório para monitorar a qualidade de água do Rio Acre.

“Temos como efetivo o programa de conservação e recuperação da mata ciliar da bacia do Rio, que abrange não somente a calha do rio, mas vários afluentes. Tivemos um trabalho que envolveu 120 unidades demonstrativas de recuperação envolvendo pequenos moradores as margens do Rio. Além das diversas nascentes recuperadas de Assis Brasil a Porto Acre”, informou Reis.

O programa nacional de monitoramente da qualidade da água, segundo Veras Reis está sendo articulado entre os órgãos ambientais ligados para garantir a efetivação do projeto em todas as áreas do Rio Acre.

Tietê do norte: esgotos podem transformar Rio Acre em manancial totalmente poluído

O ambientalista Claudemir Mesquita avalia que se atitudes efetivas e urgentes não forem tomadas nos próximos 10 anos o Rio Acre se transformará no maior córrego de esgoto do Acre e deixara a cidade sem o abastecimento de água potável. A análise de Mesquita é dentro dos diversos esgotos que estão sendo jogado ao longo do rio, depois de sua nascente até o município de Porto Acre, antes de desaguar no Rio Purus.

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Esgoto é despejado no rio Acre, em Rio Branco/Foto: Juan Dias

Claudemir destaca que o Rio Acre começa a ser poluído nas cidades de Inapari e São Pebra, no Peru, em seguida pelas cidades de Assis Brasil, Cobija (Bolívia), Brasiléia, Epitaciolândia, Xapuri, Rio Branco e Porto Acre.

“Em todas essas cidades os esgotos são jogados in natura no rio e o maior contaminador é a cidade de Rio Branco, mas daqui alguns anos essas outras cidades aumentaram seu consumo e a estrutura urbana. Qual será nossa perspectiva se não cuidarmos de nosso principal abastecedor de água?”, questiona.

Estudo realizado pelo Ministério Público Estadual ainda em 2011 mostram vários tipos de contaminação do Rio Acre ao longo de seu leito. As medidas de acordo com Mesquita precisam realmente ser colocadas de forma efetiva e sair do papel para poder mostra a sociedade os problemas que se não cuidarmos do Rio ele mesmo trará a saúde dos acreanos.

Na época, a promotora responsável pelo diagnostico levantado sobre o Rio apresentava a proposta para reduzir os impactos prevendo a criação de um programa de monitoramento da qualidade e quantidade da água, além da implantação de aterros sanitários, e ações para barrar as ocupações irregulares, dentre outras medidas.

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Esgoto do Parque da Maternidade, no centro de Rio Branco/Foto: Juan Dias

Conteúdo Original / Fonte: Wiliandro Derze, da ContilNet

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