Índios recém-contatados vêm para a cidade e temem a extinção do seu povo

Por Marina, ContilNet 11/12/2017 às 18:11
SAO PAULO 29-05-2008 VIDA & In this image made available Thursday May 29, 2008, from Survival International, showing 'uncontacted Indians' of the Envira, who have never before had any contact with the outside world, photographed during an overflight in May 2008, as they camp in the Terra Indigena Kampa e Isolados do Envira, Acre state, Brazil, close to the border with Peru. 'We did the overflight to show their houses, to show they are there, to show they exist,' said uncontacted tribes expert Jos Carlos dos Reis Meirelles Jnior.FOTO Gleison Miranda, Funai/AE

Os índios Sapanahuá foram contatados há pouco mais de 3 anos, depois de uma série de incidentes que incluíram a aproximação não muito bem-vinda com seringueiros e ribeirinhos no Acre.

A Frente de Contato da Funai teve dificuldades de comunicação com essa etnia de língua desconhecida. Foi então que três indígenas Jaminawa conseguiram aprender a língua do mesmo tronco linguístico deles. Os três foram então contratados pela Funai como intérpretes, recebendo diárias no valor de R$ 17.

Contudo, há cerca de 5 meses a Funai rescindiu o contrato, alegando falta de verba. Os intérpretes voltaram para a aldeia deles no Purus. Na Frente de Contato, permaneceram duas pessoas. Nenhuma conhece a língua dos Sapanahuá.

Ao perceberem que não conseguiam mais se comunicar, os Sapanahuá enviaram emissários em busca dos Jamináwas que os entendiam. Três deles viajaram em Canoas próprias com remos e varas, por mais de 500 km. Essa é a distância que separa a aldeia localizada no Alto Envira da cidade de Feijó.

“Eles disseram que vão buscar os que ficaram na aldeia e vão se mudar todos para Feijó. Imagine 35 pessoas que nunca comeram sal nem açúcar e nem conhecem a língua nem dos brancos nem dos outros índios. Como vão sobreviver?”, questiona Francisco Martins Jaminawa, um dos intérpretes demitidos.

Outros dois Sapanahuá conseguiram chegar a Cruzeiro do Sul. “Deram bebidas para eles…eles que já estavam acostumados a usar roupas, ficaram nus. É um problema muito sério. Ninguém entende o que eles falam e eles não conseguem nem pedir água para beber”, lamenta Edson Pereira Jamináwa, outro intérprete demitido.

O tema é muito sério. A presidente do CIMI, Conselho Indigenista Missionário, prometeu falar sobre o assunto nos próximos dias. Estima-se que outros 100 índios isolados habitem a região do Alto Envira. São etnias que ainda não foram contatadas e são considerados “brabos”.

Conteúdo Original / Fonte: REDAÇÃO CONTILNET

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