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Sérgio Souto, 36 anos de vida cantando e encantando com as belezas do Acre e da Amazônia

Por Marina, ContilNet Fonte: RÉGIS PAIVA, DA CONTILNET 07/01/2017 às 09:22

Sérgio Souto quer comemorar 40 anos de carreira com grande show/Foto: Reprodução

Sérgio e Frank: Sérgio Souto e o cantor acreano Franklin Pinheiro/Foto: Reprodução.

Aos 66 anos de idade o poeta, cantor e compositor acreano Sérgio Areal Souto, ou simplesmente Sérgio Souto, revelou em entrevista à ContilNet que está voltando para residir no Acre. Com quase mil músicas compostas e gravadas em 13 discos ao longo da carreira, este acreano de Sena Madureira disse ainda ter muita inspiração para continuar cantando e encantando os brasileiros.

Sobre os planos para o futuro próximo, o cantor revelou que não pretende parar de gravar. “Tenho 13 discos gravados e ainda vou gravar o 14°, o 15°, pois não pretendo parar. Tenho um projeto de disco para lançar este ano e estou na dúvida: ‘Canções para ninar gente grande’ ou “Para não dizer que falei de amores’. Em qualquer das hipóteses serão canções inéditas, pois continuo compondo e escrevendo. Mas também gostaria e fazer um disco com os grandes músicos aqui no Acre”.

Hino Acreano por Sérgio Souto

Perguntado sobre ter sido um dos pioneiros na defesa das minorias, Sérgio Souto falou um pouco sobre a música “Dama”: “Foi o meu segundo disco, ‘Tudo que me faz lembrar você’, uma música feita para o meu amigo Maués Melo. Ele era uma figura ímpar e que atravessou o rio ainda muito jovem, mas deixou sua marca aqui no Acre. A música era mais ou menos assim: ‘Ela passa rebolando os seus quadris. Cada passo é estudado, é uma atriz. Dama, dama…’, mas foi apenas uma homenagem a ele, que era um furacão, com sua dança e arte”.

Sobre a situação atual da música brasileira, Sérgio disse que hoje é tudo voltado para a mídia, mas de qualidade duvidável. “Tem música boa, mas está escondida e fica à margem do grande público e sem espaço nos principais meios de comunicação. É o imediatismo, com uma pressão para as músicas fáceis de alto consumo. Muito disso é apenas um lixo bem embalado e que imbeciliza alguns grupos”.

https://www.youtube.com/watch?v=2nt6fQ2XKIw&feature=youtu.be

Neste sentido, o cantor acreano disse ter interesse em desenvolver programas de música para o Acre, mas disse ser necessário primeiro ampliar os equipamentos. “Mas aqui temos o teatro Hélio Melo, um espaço lindo e construído com muito carinho, mas parado e sem uso. Esperamos que o governo reative. Ainda assim, o meu pensamento é fazer um projeto temático, com um apanhado histórico sobre os grandes autores, como Pixinguinha, Noel Rosa e outros. Para isso, monta-se um pequena estrutura de músicos, e faz-se apresentações semanais em espaços abertos ou fechados, resgatando a história da boa música”.

Sobre o resgate de músicos e compositores acreanos, Sérgio disse não ter recebido qualquer contato por parte dos cursos de História ou de Música na Universidade Federal do Acre (Ufac) e desconhece algum trabalho deste tipo sobre os demais cantores acreanos, como o sambista Da Costa: “Veja o caso do Tião Natureza, que deixou um registro em disco, com umas 10 músicas, mas tenho certeza de existirem alguns cassetes dele por aí e alguém deve ter este material guardado. Buscar estes registros é necessário para não se perder a história e a nossa cultura acreana”.

Nesta linha de registro dos poetas locais, o poeta madureirense citou o próprio caso: “Eu tenho gravadas umas 400 músicas e inéditas mais de 500. Se eu morrer, vai tudo comigo. Gostaria de um apoio das universidades para poder fazer até mesmo uma gravação caseira, mas com qualidade, e com as partituras na forma de um ‘song book’. Estou aberto para discutir o tema com a faculdade de música. Eu me considero um bom compositor e tenho parceiras com os melhores do Brasil: Paulo Cesar Pinheiro, Aldir Blanc, Sérgio natureza, Jorge Vercilo, J. Maranhão e outros. Todo esse material merece um registro histórico”.

Perguntado sobre os planos para este ano, o músico disse ressaltou o fato de, no Brasil, tudo somente começa de fato após o carnaval: “É quando ano realmente começa no país. A partir daí é quando vou botar no papel alguns projetos e fazer uma ação do tipo rompendo o cerco. Eu fui independente a vida toda. E vou lutar como sempre lutei”.

Minha Aldeia - Sergio Souto/Almir do Amaral Maia

Sobre voltar a residir no Acre depois de tantos anos rodando pelo Brasil, Sérgio Souto disse já se considerar residente aqui, tendo planos para, em breve, fixar residência de forma definitiva: “Estou de volta à Aldeia, como já disse na música. Era um desejo antigo, pois em outro momento vim para ficar e por forças ocultar não foi possível, mas isso é uma outra história ainda não contada. Agora, quero paz e luz, jazz e blues. Ser feliz”.

O começo da carreira

Ainda em 1979 Sérgio Souto aparecia para a música, quando venceu um festival da Brahma, com a música “Falsa Alegria”. O cantor revelou que até este momento ainda trabalhava como fotógrafo, tendo seu próprio estúdio e todo o equipamento necessário para a profissão. Mas o festival foi um divisor de águas na vida dele, pois naquele momento decidiu e entendeu ser possível de viver da música.

FALSA ALEGRIA - SERGIO SOUTO - 1979

O resultado do primeiro sucesso foi a venda de todo o equipamento fotográfico, inclusive laboratório e câmeras, e partir para a vida de músico e compositor. Nesta época, com o reconhecimento obtido, Sérgio viu sua imagem divulgada para todo o Brasil, inclusive com apresentações nos principais canais de televisão.

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