A presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Acre (Sinteac), professora Rosana Nascimento, afirmou nesta sexta-feira (4) que o secretário de Administração da Prefeitura de Rio Branco, Cláudio Ezequiel, estaria usando o Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) dos trabalhadores do município para projetar-se politicamente e fortalecer o PSOL na disputa das eleições de 2018.
Rosana diz que Ezequiel trocou o PT pelo Partido Socialista e Liberdade, alegando “fórum íntimo” e que o secretário, que é professor, estaria realizando uma manobra para eleger um deputado estadual pessolista e arregimentar votos para o prefeito da capital, Marcus Alexandre, pré-candidato a governador.
A sindicalista afirma que os principais diretores da associação se filiaram ao PSOL, juntamente com Cláudio Ezequiel, e fazem campanha aberta para novas filiações.

“O golpe está claro”, afirma Rosana Nascimento /Foto: Assessoria
“O golpe nos trabalhadores está claro. O Sinteac bate na porta desse secretário desde 2013 para convencê-lo sobre as defasagens nas cláusulas financeiras e econômicas do PCCR. Esta sempre foi uma luta do Sinteac, que enfrenta resistências dessa gestão que está aí. Botaram a birra e a politicagem na frente do interesse dos trabalhadores para não avançar nas negociações. Nos estranha que somente agora, nas prévias da campanha eleitoral, e durante o calendário de filiações partidárias, a prefeitura se apresse em articular apoio a um projeto que sequer foi enviado para a Câmara de Vereadores”, disse Rosana.
Ainda segundo a presidente do Sinteac, a saída de Ezequiel do PT é uma fachada. “Ele permanece na base do PT, como sempre esteve, mas agora com uma missão pouco republicana de atrair reforço à Frente Popular, mesmo que para isso use mecanismos rasteiros”, afirmou.

Rosana afirma também que existe uma manobra do secretário Ezequiel /Foto: Assessoria
Para ela, o uso do PCCR como bandeira de luta neste momento se trata apenas de politicagem: “Ainda na campanha, o prefeito prometeu o PCCR para os fiscais. Criou uma expectativa enorme em todas as repartições. Foi eleito e não cumpriu o prometido. Em março deste ano, o PCCR dos fiscais do município estava pronto para ser votado a Câmara, mas o secretário Cláudio Ezequiel chamou alguns sindicatos e orientou que criassem um comando sindical excluindo o Sinteac e os fiscais, que não aceitaram vender a pauta”, revelou Rosana. “Ressuscitaram a ideia do PCCR por segmento. Eles só entendem de fazer politicagem”.
Rosana afirma também que existe uma manobra do secretário Ezequiel junto com alguns dirigentes sindicais, que desconsidera a necessidade de reposição salarial pelo índice inflacionário e o vale alimentação até que o PCCR seja aprovado. Proposta esta que Rosana alega que vem sendo sustentada pelo Sinteac desde 2013, e a prefeitura não dá a devida importância. “Eles não vão dar reajuste. Talvez anunciem algum aumento somente em 2018, ano eleitoral, para beneficiar o Marcus Alexandre. Nada garante que esse PCCR será aprovado no final do ano, como é anunciado pelo município”, completou a presidente do Sinteac.
Tentamos contato com o secretário Cláudio Ezequiel, informando que o material seria publicado até as 14h30 desta sexta-feira (4). A assessoria de imprensa da Prefeitura afirmou que Ezequiel estaria em reunião como prefeito e entraria em contato posteriormente com a redação, o que não ocorreu. Todavia, o espaço permanece aberto para que o referido secretário dê a sua versão dos fatos.
