Uma audiência foi realizada entre os sindicatos, o MPAC e os representantes governamentais na sede do hospital na manhã desta sexta-feira (16) e ficou acordado mais um tempo para o Estado providenciar as medidas emergenciais e manter a estrutura funcionando.
O presidente do Sintesac, Adailton Cruz, revelou que audência pública com os representantes sindicais e os membros do governo foi para discutir o caos no Hosmac, onde falta medicamento, comida, remédios e condições no atendimento ao público. A intenção do Estado seria de fechar a instituição, distribuindo os pacientes pelos postos de saúde por conta da nova política nacional de atendimento aos pacientes com distúrbios mentais.

Presidente do Sintesac, Adailton Cruz /Foto: Reprodução
“Nessa nova política, o Estado deveria ter distribuído os pacientes pelos centros de saúde especializado e não fez. Mas há de lembrar-se o fato do Hosmac ser um centro de referência em saúde mental no Acre e não pode simplesmente ser fechado. O MPAC vai entrar com Ação Civil para a manutenção do hospital e providenciar as melhorias no funcionamento”.
Adailton afirmou que, enquanto representante sindical, estará junto com o MPAC na defesa do Hosmac e fazendo um manifesto junto com os trabalhadores: “Não vamos permitir fechamento. Isso é inadmissível. Se não estão atendendo do jeito que está, imagine fechando o Hosmac”.
Direção pretende suspender os atendimentos por dois meses
Dado o caos na unidade, com falta de medicamentos e demais materiais de funcionamento, o diretor da unidade, Marcos Araripe, disse que pela falta de condições de trabalho e clínica, sem médicos e medicamentos, é preciso bloquear as internações por falta de vagas, pois já está com sete pacientes a mais.
Além disso, ele recomendou bloquear o ambulatório por sessenta dias, ficando em atendimento só os pacientes já agendados. Na visão do médico, nem avaliações judiciais devem ser feita por não ter como atender. Além disso, é preciso uma estratégia conjunta com a Sesacre para ver como vão atender após isso.
O representante da Sesacre garantiu alimentação, medicamentos, energia e elementos básicos, mas ressaltou: “O problema é o futuro. O Hosmac será mantido e os recursos viram de onde para o custeio? A Medicação dá para poucos dias.”

Condições precárias colocam em risco o funcionamento da unidade /Foto: Reprodução
Promotor: precisamos de humanidade e ouvir os sem vozes
Em sua fala, o promotor Gláucio Ney Shiroma revelou ser a situação muito grave e cobrou uma posição da Sesacre para resolver a questão: “A partir das propostas do corpo clínico, quais serão as providências? Se forem liberados os recursos para a manutenção, não há problema. Em caso contrário, vamos entrar com ação judicial”.
A proposta então foi de aguardar cinco dias (até o dia 22), mas o promotor quis saber para onde serão levados os pacientes se a unidade fechar e cobrou uma solução para a questão financeira e a entrega dos materiais. Mas foi claro e consciso: “Se houver a suspensão dos atendimentos, haverá ação judicial”.
Os prazos acordados com o MPAC foram até o dia 22 para resolver o problema financeiro com envio de documentos, até o dia 30 para encaminhar o custo anual e o orçamento para 2017, bem como enviar o índice de medicamentos e apontar os que estão ou podem faltar, inclusive seringas e outros materiais necessários.

Sintesac, MPAC e Sindmed se reuniram na tentativa de encontrar uma saída para o problema /Foto: Reprodução
Após o dia 22, se não chegarem a um termo o MPAC pode ajuizar a ação. Segundo o promotor, essa não é a primeira vez que acontecem problemas no Hosmac, mas desta vez é a mais grave.
O promotor finalizou de forma apaixonada: “Nós temos de nos preocupar com os recursos financeiros, no entanto, quando a gente não se preocupa com a assistência das pessoas, deixamos de ser humanos. Principalmente em uma unidade em que essas pessoas não têm voz. Estas pessoas que estão lá dentro, ninguém as escuta. E se a gente torna-los invisíveis dentro as políticas públicas, isso não é um governo de ser humano!”
Hospital Distrital
O Hosmac foi criado em 1978, mas não com os mesmos objetivos atuais, teria sido construído para substituir uma enfermaria de Psiquiatria do Hospital de Base, o antigo pavilhão ‘Kennedy’.
No princípio era conhecido como o ‘Hospital Distrital’. Nessa época, todos os casos de neurologia, psiquiatria e pneumologia (tuberculose), eram encaminhados ao hospital, hoje nominado Hospital de Saúde Mental do Estado do Acre (Hosmac).
