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Única oncologista pediatra do Acre vive entre os desafios e a alegria da cura do câncer

Por Marina, ContilNet Fonte: LAMLID NOBRE, DO CONTILNET 05/05/2019 às 17:19

Valéria Paiva é a única médica pediatra especializada em oncologia que atende na unidade infantil do Hospital do Câncer do Acre (Unacon) e vive, diariamente, entre os desafios do tratamento e de tudo o que ele implica, especialmente por se tratar de uma unidade pública, mas também contabiliza a alegria de cada cura obtida por seus pacientes.

Segundo a médica, o índice de cura do câncer é alto na infância. “Os tumores são diferentes dos adultos. Sai muito mais agressivos, mas respondem bem ao tratamento. O mais importante é o diagnóstico precoce.”, alerta.

Médica Valéria com sua paciente curada. “Hoje com 5 anos e sem sequela, mas quase morreu em razão de um tumor cerebral”/Foto: ContilNet

Valéria explica que as leucemias agudas são o principal tipo de câncer na infância. “As LLA têm chance de cura acima de 70%. O tratamento é feito com poliquimioterapia por um período prolongado de até 2 anos e meio.”, disse.

Atualmente encontram-se em tratamento com quimioterapia, cerca de 30 crianças e desde a inauguração do hospital, em 2007, a médica estima que 400 crianças e adolescentes ja foram atendidos.

“Há 12 anos essas famílias não precisam mais sair do estado para realizar o tratamento. Quase não há mais necessidade de TFD para os casos de câncer infantil, exceto casos específicos, como por exemplo, a necessidade de realizar transplante de medula óssea.”, acrescentou.

Menino curado de um tumor no olho que tinha o tamanho de uma laranja/Foto: ContilNet

Na semana que passou, a unidade recebeu estoque de um dos medicamentos que estavam em falta há mais de um ano. “Estávamos sem uma das múltiplas quimioterapias utilizadas nos protocolos de tratamento das LLA.”, descreveu.

Esse tem sido um dos principais desafios relatados pela médica.  “As crianças estavam recebendo o tratamento, mas a falta dessa medicação pode ter prejuízo no resultado de cura. Essa dificuldade de aquisição deve-se à dificuldade de importação, ao alto custo e ao pequeno prazo de validade. Dificuldades enfrentadas por inúmeros serviços no Brasil.”, avaliou.

Valéria atribui ainda como fator que contribui para o problema a situação econômica do país. “Nós últimos anos sofremos uma grave crise no país que afetou em muito a saúde no sistema público.”, lembra.

A médica informou ainda que os medicamentos que chegaram são suficientes para atender a demanda atual e a futuras. “Com o imenso esforço da gerência da UNACON, nas pessoas de Aurea Rodrigues, Nilcy Vilaço, Melk Menezes Hadad e do tão esforçado secretário de Saúde [Alysson Bestente, que esteve em visita à unidade durante a semana], juntamente com o Ministério Público, conseguimos vencer essa dificuldade e ontem chegaram medicamento suficiente para as crianças que estão em tratamento, bem como para os casos novos que aparecerem.”, afirmou.

Tyla, de 17 anos, era paciente gravíssima aos 4 anos de idade/Foto: ContilNet

A alegria de ver os pacientes curados

Os sorrisos no rosto da médica Valéria Paiva em cada registro com seus pacientes curados só não são maiores do que sua visível alegria e satisfação com cada cura obtida. Em entrevista ao Contilnet ela contabilizou várias delas, como quem comemorar verdadeiras vitórias.

“Aqui no Unacon se trabalha com amor. Vivo na luta árdua e diária, mas a fé nos move. Seguimos em busca da cura dessa doença tão sofrida que abala a família inteira, os amigos e toda a sociedade. Mas hoje, muitos são curados. Alguns já são adultos com filhos, que trabalham e levam uma vida normal.”, destacou.

Entre os casos relatados por Valéria, ela destaca o de uma criança, hoje com 5 anos e sem sequela, mas que quase morreu em razão de um tumor cerebral. Outro, que terminou o tratamento há 6 meses e chegou com um tumor do tamanho de uma laranja no olho. E uma adolescente de 17 anos que chegou, segundo a médica, gravíssimas aos 4 anos de idade.

“Todos chegam muito grave, mas melhoram logo. Chegam super sofridos e vão se alegrando com a melhora.”, conta.

Quando o diagnóstico da doença é confirmado, para a médica, o mais importante é o alívio da descoberta para que a cura aconteça. “Todos temos muita fé e esperança e eu agradeço a equipe de enfermagem que trabalha com tanto carinho com as nossas crianças, o apoio dos colegas pediatras, à gerência do serviço pelo empenho compromissado de todos os dias, ao secretário pela sua sensibilidade e disposição em fazer o possível para ajudar e às mães pela confiança em nós depositada.”, concluiu.

 

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