“A grande mídia precisa valorizar mais o futebol periférico”, diz Façanha

Por Suporte 17/04/2015 às 15:22

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Como a grande mídia não ajuda o futebol periférico. Refiro-me à vitória apertada do Vasco da Gama sobre o Rio Branco-AC por 3 a 2, pelo jogo da volta da Copa do Brasil, na última quarta-feira (15), no estádio São Januário, na cidade do Rio de Janeiro. Li, escutei e assisti quase tudo a respeito do jogo, isso durante e após a partida, mas não vi, com raras exceções, comentários da grande mídia valorizando o futebol apresentado pelo nosso Rio Branco. Um absurdo!

Os noticiários à véspera do confronto já davam a vitória ao time carioca. Ou seja: ‘três pontos garantidos’. Não querendo engolir suas análises ‘subjetivas’, nas quais o Rio Branco seria um saco de pancadas (um peru de véspera), optaram em desqualificar o futebol apresentado pelo Vasco da Gama. Na minha avaliação, uma estratégia suicida, pois quem entende um pouco de futebol deu para ver que o Rio Branco, taticamente, era um time bem postado, dando poucos espaços ao time vascaíno, isso além de jogar com personalidade na casa do adversário.

Portanto, quero lembrar a essa turma de comentarista da nossa grande mídia que não seria nenhum demérito reconhecer o bom futebol apresentado pelo Estrelão, mesmo que o confronto não fosse com o time principal do Vasco da Gama. É preciso essa turma entender que futebol existe em qualquer lugar do planeta. A Copa do Mundo 2014 é um exemplo disso.

Veja o bom desempenho da Costa Rica. A seleção caribenha venceu na estreia o Uruguai (3 a 1) e, logo depois, a Itália (1 a 0). Na terceira partida, eliminou os ingleses no empate sem gols. Os três países, juntos, detém sete copas do mundo e, os dois últimos, são países onde o futebol é negócio de bilhões de dólares.

No entanto, ficou evidente que para um futebol competitivo precisamos de organização e investimento (planejamento), assim como uma boa dose de bons jogadores e, claro, uma comissão técnica qualificada. Vejamos o Rio Branco. O time, após um início de temporada ruim, com duas derrotas seguidas pela Copa Verde para o Clube do Remo (2 x 0) e dois tropeços no estadual para Amax (1 x 1) e Plácido de Castro (0 x 1), resolveu melhorar sua infraestrutura e colocar a mão no bolso para contratar jogadores que estavam no mercado. O resultado veio imediato. O time voltou a vencer pelo Campeonato Acreano e ainda deu muito trabalho para o Vasco da Gama (RJ) na disputa da primeira fase da Copa do Brasil.

Retornando ao jogo da quarta-feira, em São Januário, todos sabiam que o Vasco da Gama usuária poucos jogadores titulares, pois o time briga com o Flamengo por um lugar na decisão do Carioca/2015. No entanto, o sinônimo de reserva no futebol moderno de hoje é muito relativo (craque é algo quase raro, assim a rotatividade nas escalações são mais frequentes), pois num piscar de olhos o atleta dorme titular e acorda reserva. Portanto, essa de time reserva não cola muito. Veja o próprio Vasco da Gama. Os jovens Yago e Thalles não deixam nada a desejar numa comparação aos medalhões Dagoberto e Marcinho. Ou seja, essa dupla de veteranos, na minha avaliação, é favorita para esquentar o banco de reservas vascaíno durante o restante da temporada.

Logo após o jogo, as redes sociais dos torcedores acreanos não cansavam de parabenizar o bom futebol do nosso campeão. Por outro lado, a grande mídia ofuscava os méritos do Rio Branco ao criticar a postura tática e técnica do Vasco da Gama na suada vitória contra o time acreano.

Era isso. Enquanto eles, a grande mídia, não quiser engolir os prognósticos de véspera de jogo, eu continuo dizendo para eles que futebol existe em qualquer lugar do planeta, para tal basta seriedade, investimento e talento. É falando em talento, isso tem em qualquer lugar, basta lapidá-los.

 

Conteúdo Original / Fonte: Manoel Façanha

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