A soja no Acre

Por Marina, ContilNet 17/04/2015 às 13:56

asojanoacreIldefonso Menezes

Soja no AC comprova diferença de DNA entre governos (do PT); o governador, Tião Viana, vai incentivar a cultivar no Acre, etc.

A propósito de matéria do consagrado jornalista Nelson Liano Jr. e conceituado analista político (autor de memorável artigo: A arte da Guerra (A GAZETA/contilnetnoticias), alguns pitacos.

A agricultura do grão excelente proteína vegetal, a exemplo do feijão, um projeto da oposição…

Nos anos 80, a criação  da Reserva Extrativista São Luiz do Remanso, “gerida” pelo INCRA –  governo do PMDB.

O sindicalista, ao depois “ambientalista” tupiniquim Chico Mendes, eleito vereador pelo PMDB, não é reeleito pelo PT, em Xapuri, AC.

O presidente da Contag, João Maia, jamais eleito dep. estadual pelo PT, mas pelo PMDB. Pelo PMDB, ao depois, eleito dep. federal.

Em fase terminal o choque cultural “paulistas” x acrianos (seringueiros).

Conflitos se pacificavam, e se aposentavam os   “empates” de derrubadas. A pecuária abraçada pela gente acreana. 

Os Viana filiados e influentes no PMDB.

Compunham o governo Flaviano Melo: Wildy Viana, secretário da Agricultura, Jorge Viana, primeiro diretor-presidente da FUNTAC.

A FUNTAC e o IMAC, criados no mesmo governo; a a Reserva Extrativista Chico Mendes – sob a “gestão” do IBAMA –  idem.

Desde a infeliz criação dessas reservas, onde a gente quer plantar e criar gado,  seus ocupantes, compenetrados e bravos agropecuaristas, desde sempre, laboriosos na plantação e criação.

Após progressivo e irreversível desmatamento, ao longo dessas décadas, com seus filhos e netos, atualmente, mais e mais se entusiasmam no labor campestre. É inconteste!

O lado triste é que a lei proíbe a tal “devastação”.

Na  Inglaterra, que é civilizada, a fonte do Direito é o Costume. Naturalmente o bom costume.

No Brasil, infelizmente, pouco civilizado, a fonte do Direito é a Lei.  O “costume” violar a lei.

A lei, ora a lei…. Lei que pega, e a que não pega…

Montesquieu: O Espírito das Leis: Fazer alegria.

A tese florestal. A agropecuária, e a demoníaca soja, não seriam para o Acre, de florestas…

A “moderna” produção arbórea (óleos, folhas, sementes, cascas, etc.), teria forte demanda na indústria de cosméticos e fármacos.

O manejo florestal sustentável no final do século. No novo século comparação à Finlândia…

A Finlândia de clima gélido, montanhas, e 95% florestas artificiais, somente de pinus; evidente, incomparáveis às nossas florestas tropicais.

Os problemas. Oferta demais de essências florestais tropicais no mercado. No manejo tupiniquim, tempo demais, e paus de menos.

Passa o tempo. Se não aparece nova tecnologia é porque o mercado não acredita no “negócio”.   

Comodismo não é a explicação mais adequada à inevitável substituição da floresta pelo gado e a  agricultura. É só um choque de realidade.

O agronegócio em agro-ambiente sadio é circulo virtuoso; se não gera tantos empregos diretos, fomenta muitos indiretos; e favorece a todos.

É panaceia que a agricultura mecanizada não gere bem-estar social. É a âncora econômica de muitas jovens e prósperas cidades no Brasil.

O sonho não acabou. Era poesia. Ilusão.

Em 2003, centenário do Tratado de Petrópolis. Artigo do (des) governador de então: Cem anos de utopia.  Muitíssimo melhor teria sido: Sem anos de utopia…

Em 1991, no turbilhão ecomaníaco subsequente ao famigerado assassinato de Chico Mendes – deletério para o desenvolvimento da promissora agropecuária acreana e o progresso do Acre –, e véspera da Eco-92, no Rio de Janeiro, o lúcido governo Edmundo Pinto,fartam  estimula “corajoso” debate no IMAC, do aproveitamento ou não da madeira das castanheiras mortas nos campos. Manifestação do autor. Repercute na Coluna Tão Acre, de José Chalub Leite, em ORB (**).

Após quase quartel de século (Des)Governos no Acre, no site:

(…) O governo Orleir Cameli (PFL) (1995-1998) se furtou bancar R$150.000,00, a que se comprometera, para viabilizar o convênio da participação do Acre na exportação de previsível “excedente” de produção de grãos, via hidrovia do Madeira, no terminal graneleiro – em Porto Velho, RO – do grupo Maggi, grande produtor de soja no mais distante Mato Grosso (pioneiro cultivo de soja no Acre motivou texto pioneiro: Um quarto de século depois plantar no Acre é trabalhar e produzir; jamais devastar! – ORB (maio/98).

Cameli apoiou o (des)governo que o sucedeu, a demonizar a cultivar – na prática, a proibiu…

Desde meados do ano passado, é revoltante (e)leitor, ver em esquinas da Capital, o vergonhoso anúncio: “milho do Mato Grosso”. E o preço do precioso grão, nesse período, só subiu… (…)

Vala comum. Não falta escoamento a excedente eventual da competitiva soja acreana e regional.

O Acre é próximo ao terminal graneleiro de Porto Velho, RO, hidrovia do Madeira; e outros que tais podem ser construídos à metade dessa distância, no próprio Madeira e/ou no Purus.

Há escoamento, a baixo custo, de futuro e provável excedente da produção de grãos aqui.
A soja não é produto com procura exclusiva no mercado externo. No interno, por questão cultural, derivados de soja tem pouco consumo na alimentação humana, como na Ásia, etc.

E seus valiosos, derivados: óleo, leite, farelo – componente de ração animal – têm demanda no mercado local, regional, e internacional de curta distância,  em regiões vizinhas no Peru e Bolívia.

É cerrar fileiras contra a “florestania” para que a produção local supra ao menos umazinha indústria de soja no Acre. Seria ótimo.
Quem sabe Deus, um dia, a produção de óleo, e leite de soja (vaca mecânica do Bocalon); e farelo para compor ração animal; e, derivados, comida de gente, a nos acostumar e alimentar.

O grande diferencial a favor da produção de soja e outros grãos no Acre e região é o seu clima: exuberante, assemelhado a uma estufa natural; previsível e bem definido: “verão” e “inverno”; fartam luminosidade e chuvas. Clima de excelência ao cultivo; e insuperável no Brasil.

O desmatamento no debate eleitoral no Brasil

(…) Os produtores rurais, a bem da verdade, muito mais que ajuda, precisam mesmo de menos atrapalho – a exemplo, do atraso inominável da limitação de área ao plantio de soja, da proibição do plantio de transgênicos, à pulverização aérea, ao uso de determinados agentes químicos, etc.

Sem muito maior volume de produção jamais haverá a sonhada agroindústria!

Um Bom Fim para o Brasil II (ac24horas), consigna:

(…) Nas eleições de 2010 o debate entre o senador Tião Viana (PT-AC) e o ex-tucano, Tião Bocalon (DEM-AC), secretário de Agricultura, gov. Jorge Viana (1999/2002), e entusiasta da agricultura. Aquele questionava este a soja no Acre. Defasado o preço da commodity a desdenhava e sugeria cultivares mais lucrativas como a seringueira e o paricá – ambos contra o desmatamento, ou seja, leitor, a expansão da fronteira agrícola: a floresta santificada…

O governador, agora, fala da soja precoce. E a “novidade” nem tão nova assim. Ela e a tradicional, ótimas proteínas vegetais, tardam prosperar no Acre. (…)

A leguminosa, a depender do volume de chuvas, após madura não resiste muitos dias para ser colhida. A variedade tradicional e a precoce podem ser cultivadas no Acre, com margem de segurança e êxito, se introduzidas em solos enxutos; ou seja, bem drenados, nos quais o lençol freático é profundo.

Nossos políticos fazem coro ao desatino ambiental coletivo. É o mais do mesmo. A mesmice de que a conversão de parte menor da floresta no Acre em plantação teria sido “destruição”: seria preciso reflorestar o que foi “devastado”? (sic).

Assim, talvez seja melhor nem mudar de governo: há década e meia da floresta… Ou seja, desde o final do século passado, então, há século, obviamente, atrasado! (…)

Estranho. Além de toda essa polêmica do DNA governista, na prática, a legislação em vigor tem engessado o plantio de soja no Acre; e bancos de fomento ao desenvolvimento, como BNDES, BASA, CEF e BB não financiam a lavoura.

A soja e o milho produzem bem no Acre. Perfilam como o arroz (problemático no Acre; com pesquisas pode ser exitoso seu cultivo (com a palavra a EMBRAPA).

Esses grãos são colhidos com colheitadeiras; não o feijão pois que rasteiro.
Segundo o eng. agrônomo, e ex-parlamentar Amílcar Queiroz,  há jazidas de calcário no Acre. Explorá-las seria auspicioso.

O insumo, barato, vem de fora. O frete caro, dada a distância das jazidas, e o volume. Na correção inicial do solo aplicam-se mais ou menos 4/5 T ha. Nos anos subsequentes menor quantidade, e sempre decrescente.

A produção de proteínas animais – peixe, frango, porco, etc. – no Acre, em escala de exportação, e tão apregoada pelo governo, depende de ração animal, centrada em milho e soja, a custo baixo.

O incentivo ao consumo humano de alimentos a partir de derivados de soja incrementariam a demanda interna do produto.
Caiu de podre o atrasado plantio soja no Acre.

O não cultivo do grão aqui é coisa do velho Acre; é o avanço do retrocesso, a parafrasear o imortal Roberto Campos.

O tempo é de Novo Acre! Ou é só propaganda?

PS: Fora Dilma! – Reflexões da “democracia” no Brasil no portal: Empreiteiro, na boca do Povo, “mui forte” em (des) governos no Acre, a partir de 1999… – indiciado na Operação G7, da Polícia Federal-PF, por corrupção, na obra da “Cidade do Povo”;  talvez, por excesso de “boa vontade” inocentado por juiz federal…

Pedem-se desculpas, de público, ao juiz federal.

O autor pouco letrado na processualística, com especialidade, na esfera da criminalística havia compreendido que o tal empreiteiro tivesse sido julgado e inocentado. Na realidade não era réu, sequer tinha sido denunciado e o prazo de seu indiciamento estava vencido.

Os direitos e garantias individuais elencados na CF/88 não podem ser descumpridos em nome do bom combate à corrupção, e clamor popular.

A “batata quente” está nas mãos de membro de poder do MPF. O processo do caso G7 não anda… Por que? Seriam “forças ocultas”? Eis a questão.

(*) Ildefonso de Sousa Menezes, produtor rural, 65; 41 no Acre. É Advogado do Brasil (filiado ao PMDB, em 2001).

(**) Anexo: O debate ambiental-eleitoral no Brasil.

Protocolo no IMAC
Rio Branco, AC, 21 de setembro de 1991.
Ao Instituto de Meio Ambiente do Acre
Excelentíssimo Senhor Doutor, Geraldo de Melo Moura.

Nesta.

Quanto ao aproveitamento ou não da madeira das castanheiras mortas, no contexto do desenvolvimento social e econômico do Acre, venho expor à Vossa Excelência o que penso sobre o tema.

Sendo já sensivelmente considerável a dimensão das áreas de florestas nativas, cuja preservação está prevista em lei, resguardá-las às futuras gerações, é questão de bem fiscalizá-las.

Outrossim, os órgãos oficiais, em geral, deveriam incentivar a destoca dos solos agricultáveis desmatados, destinados à agropecuária – precursora da agroindústria.

A produção de grãos, proteínas animais, etc., além dos diretos, gera empregos indiretos na agroindústria: frigoríficos, curtumes, artefatos de couro, sabão e vela, óleo comestível, tecidos, e confecções em geral, etc.

O Acre extrativista está superado, e falido. Já o exclusivamente florestal é também inviável. A pobreza que aqui campeia é vexatória e insustentável. Se arrecada em torno de apenas 10% da despesa orçamentária. O maior empresário é o próprio estado.

Só haverá maior arrecadação, e geração de empregos, com o incremento do setor primário e da agroindústria – a maior fonte geradora de riqueza e empregos – e que só se instala onde há abundância de matéria-prima.

No Acre desmatado e “desmatável”, a única matéria-prima abundante é a madeira “in natura”. Então por que não facilitar a exploração desse potencial madeireiro; e, concomitantemente, a destoca de seus solos férteis (segundo dados do Projeto RADAM e EMBRAPA), para facilitar a produção agropecuária mecanizada; e, quem sabe, até a (im)plantação de florestas artificiais nos solos de maior declive? É o que tem sido feito através do tempo na expansão da fronteira agrícola nacional e internacional, por gerações.

Ah!… e a intocabilidade da grande quantidade de árvores de castanheiras mortas nas áreas desmatadas do Acre – o que além enorme desperdício tecnicamente inviabiliza a agricultura mecanizada? É poesia de quem come e não sabe de onde vem a comida…

 

*Ildefonso de Sousa Menezes

Conteúdo Original / Fonte: Ildefonso de Sousa Menezes

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