A Prefeitura de Rio Branco, através da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semeia) e da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil, e o Governo do Estado do Acre, através do Corpo de Bombeiros, realizaram nesta sexta-feira, 4, uma operação integrada de combate às queimadas. Acionados pelo Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (CIOSP), equipes da Divisão de Fiscalização e Controle Ambiental da Semeia e duas brigadas de combate a incêndios do Corpo de Bombeiros atenderam a várias ocorrências ao longo do dia, entre elas uma grande queimada em uma área de pasto e capoeira na Estrada Irineu Serra.

A capital Rio Branco é a quinta cidade com o maior percentual de incêndios, atrás de Tarauacá, Cruzeiro do Sul, Feijó e Rodrigues Alves. Foto: Assis Lima
“O fogo se alastra com o vento”, disse o major Éden Santos, da Defesa Civil de Rio Branco. E era essa a condição climática daquele momento. Além disso, a mata seca e o lixo depositado por moradores da Rua Mário Maia, no bairro Defesa Civil, no meio da capoeira eram fatores de agravamento da situação. Os bombeiros utilizaram bombas costais, carrocinhas-pipa e abafadores para controlar o fogo. A ação durou mais de três horas.
Ao mesmo tempo, os fiscais da Semeia saíram em busca dos proprietários da área, que foi autuado e pode sofrer as penalidades da lei. “Queimada é crime”, alertou o secretário de Meio Ambiente de Rio Branco, Aberson Carvalho.
Fazer uma queimada pode causar sérios prejuízos à fauna e à flora, reduzindo a mata, diminuindo a fertilidade do solo e comprometendo a qualidade do ar -e, consequentemente, a saúde humana, provocando vários tipos de doenças, principalmente respiratórias.
Como se viu na área visitada pelas equipes do Governo e da Prefeitura, o fogo não tem critérios de seleção e destrói inúmeras espécies de fauna e flora –e foi exatamente isso que aconteceu: “aqui tem muito macaco. Eu alimento uns vinte deles todos os dias. São da raça ´leãozinho´ e a gente gosta de vê-los aqui mas o fogo pode acabar com eles”, lamentou o jovem Hernan Silva, morador da Rua Mário Maia.
O comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Roney Cunha, voltou a alertar que quando se está fazendo a remoção da vegetação original de um lugar com o fogo também se causa a morte de muitos bichos. “Já resgatamos este ano mais de 1,4 mil animais, situação que se agravou com a seca”, disse Roney. As queimadas são facilitadas pelo clima seco, que influencia diretamente no volume de água nos mananciais abastecedouro das cidades. No caso de Rio Branco, o Rio Acre registrou na manhã desta sexta-feira (4) o nível de 1,75 metros. O Governo emitiu alerta para que as pessoas economizem água e se atentem aos cuidados com baixa umidade relativa do ar.
Situação é de alerta total
A atual situação em todo o estado é de alerta. Entre os dias 1º de janeiro e 3 de agosto de 2017, foram acumulados 564 focos de calor no Acre, de acordo com o Relatório de Queimadas da Comissão Estadual de Gestão de Riscos Ambientais. De acordo com o relatório, somente nos três primeiros dias de agosto, foram registrados 50 focos de calor no estado. A capital Rio Branco é a quinta cidade com o maior percentual de incêndios, atrás de Tarauacá, Cruzeiro do Sul, Feijó e Rodrigues Alves.

Ação integrada entre Prefeitura de Rio Branco e Governo do Estado buscou combater às queimadas. Foto: Assis Lima
A Semeia mantém um disque-denúncia para que as pessoas possam informar sobre as ocorrências. O número é 3228-5765, que atende todos os dias até às 18 horas. Depois desse horário, as denúncias devem ser feitas diretamente ao 193, o telefone de emergência do Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (CIOSP), que aciona o Corpo de Bombeiros e os fiscais da Semeia.
Por vezes, um incêndio começa com um pequeno monte de lixo queimado no fundo do quintal e que sai do controle. É comum também produtores rurais colocarem fogo no terreno para renovar o pasto ou a área para o plantio. Essas são técnicas antigas e existem alternativas para evitar o fogo na agricultura, como o plantio direto, a rotação entre lavoura e pastagem e os sistemas agroflorestais, que integram agricultura, pecuária e floresta.
