O deputado federal Alan Rick, principal liderança do Partido Republicano Brasileiro (PRB) no Acre, afirma que as chamadas “legendas nanicas” precisam ser mais ouvidas e respeitadas pelo Palácio Rio Branco. Desde janeiro último os dirigentes destas siglas reclamam da falta de espaço na distribuição de cargos neste início do segundo mandato do petista Tião Viana.
O PRB saiu das eleições de 2014 como a grande surpresa entre estes partidos pequenos, elegendo uma deputada estadual e Alan Rick como deputado federal. Posicionando-se contra a prática do toma-lá-dá-cá, o parlamentar afirma que a participação dos partidos nos governos de coalizão é essencial. “Todo partido que contribui para um projeto ele precisa ter a sua participação”, afirma Alan.
O deputado recebeu ContilNet Notícias em seu gabinete na semana passada para a entrevista a seguir:
ContilNet: O senhor teve um começo de mandato marcado por alguns atritos entre seu grupo e lideranças da Frente Popular. Seus aliados e membros do PRB reclamavam de fogo-amigo vindo do Palácio Rio Branco. Como está esta convivência hoje?
Alan Rick: O PRB compartilha do projeto da Frente Popular. Nós entendemos que este projeto trouxe muitos avanços para o Acre, e ainda pode avançar mais. Sabemos que há falhas em qualquer projeto político, e queremos contribuir para dirimir eventuais gargalos. Nós queremos ajudar o governo a desenvolver boas políticas públicas. Nós hoje temos uma relação muito boa, uma relação amistosa. Isso passa pela Câmara Municipal, pela Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. Nosso objetivo é fazer com que a boa relação se estabeleça com base na boa governabilidade.
ContilNet: Nos bastidores comenta-se sobre uma possível insatisfação do PRB e outros partidos pequenos da Frente Popular em relação à distribuição de cargos por parte do governo. Como está o nível de satisfação do PRB nesta acomodação de espaços?
Alan Rick: Todo partido quer governar junto, quer ter participação dentro da estrutura de governo para dar a sua contribuição. E cada legenda vai com base na sua vocação; a nossa é na área social. O PRB está tranquilo e defende que devemos parar de pensar em situações particulares e pensar no bem do Estado. As questões que envolvem os partidos pequenos são importantes, eles precisam ser respeitados, ser mais ouvidos. O governo [necessita] ouvir melhor e mais os partidos pequenos. Eles têm muito a contribuir, ajudam na eleição. E há horas em que acabam não sendo devidamente ouvidos.

ContilNet: Esta não seria a política do toma-lá-dá-cá? Do eu te apoio em troca de uma benesse?
Alan Rick: Um governo de coalizão que hoje existe no Brasil já é isso. O governo Dilma governa com o PMDB, mas muitas vezes o PMDB vota contra o governo. Essa política só acabará no Brasil quando reduzirmos o número de cargos comissionados e reduzirmos o tamanho da máquina pública. Precisamos fazer a reforma política para acabar com situação como o toma-lá-dá-cá. Eu também não gosto disso, sou contrário, mas entendo que os partidos precisam governar juntos. E é claro que todo partido que contribui para um projeto ele precisa ter a sua participação.
ContilNet: O senhor chega ao Congresso Nacional num dos piores momentos de crise política do país, com governo e Parlamento em descrédito ante a opinião pública. Como seu mandato pode contribuir para tentar reverter esta situação?
Alan Rick: Eu fui eleito justamente com este discurso. O PRB é da base [da presidente Dilma], mas eu tenho votado conforme os interesses do povo brasileiro, muitas vezes contrariando o governo. Eu entendo que o País precisa das reformas, sobretudo a reforma política. É preciso ainda uma reforma estrutural. Precisamos investir pesado em educação. Eu sou autor do projeto que instituí a educação integral em nossas escolas em todo o Brasil. Precisamos de mudanças desde o sistema eleitoral até o sistema de governabilidade; somente assim teremos condições de combatermos a corrupção, e colocarmos em prática a verdadeira justiça social.
