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Alimentação é decisiva para a saúde da criança

Por Marina, ContilNet Fonte: Bem Estar 15/05/2015 às 15:03

jc462 papinha 250914Toda gestação dura mil dias

O cuidado com a alimentação da criança começa no útero. Tudo o que mãe come, bebe ou inala vai para o bebê. “Se a gestante come muito doce, o fetinho passa a gostar mais de açúcar”, alerta o pediatra e nutrólogo Dr. Fernando Nóbrega, que tem no currículo mais de 60 anos de experiência em pediatria.

jc462 papinha 250914A escolha alimentar nos primeiros 1000 dias interfere diretamente na saúde da criança a partir daí. E uma das maiores preocupações entre os pediatras é a obesidade infantil. Sabia que uma criança obesa tem 40% de chance de se tornar um adulto obeso?

O problema é que doenças como hipertensão, diabetes e aumento nas taxas de gorduras no sangue caminham junto com a obesidade.

Até os seis meses de vida, uma das maneiras mais eficazes de evitar esse problema é dar o peito. O leite materno é tudo o que ele precisa para crescer saudável e com menor risco de se tornar obeso: água, proteínas, vitaminas, minerais e gorduras. Tudo na medida exata para o desenvolvimento da criança.

Paladar saudável

Depois dos seis meses, frutas e papinhas passam a complementar a alimentação do bebê, além da amamentação. A pediatra e médica do esporte Ana Lúcia de Sá explica que a mãe deve optar por alimentos frescos e ricos em nutrientes, pois nessa fase é mais fácil controlar e ensinar hábitos saudáveis. Variedade é a palavra!

A criança só vai comer o que os pais oferecerem. Se eles optarem por frutas, legumes e verduras variados, a chance dela crescer habituada a opções mais saudáveis é maior.

Não desista, insista!

E atenção: não desista de oferecer à criança nenhum alimento. Seja suco, fruta, legume ou verdura. Ofereça pelo menos 10 vezes em dias e horários diferentes. Se a criança recusou kiwi uma, duas, cinco vezes, não significa que ela não goste. Pode ser que na décima vez ela aceite bem a fruta.

Por outro lado, a pediatra recomenda que até um ano de idade os pais fiquem atentos a algumas restrições alimentares como clara de ovo (a gema pode), frutos do mar, amendoim, mel e morango. Este último por causa da exposição precoce ao agrotóxico; o mel pelo risco do botulismo, uma doença grave que pode matar; e a clara do ovo, frutos do mar e amendoim pelo risco de alergia.

Depois de um ano, esses alimentos podem ser oferecidos gradualmente. Amendoim e frutos do mar, por serem altamente alergênicos, a partir dos dois anos.  “O amadurecimento do intestino e do sistema imunológico permite a introdução de alimentos que possam produzir mais alergia”, observa Ana Lúcia.

Até o primeiro ano de vida também não é recomendado dar leite de vaca e derivados para a criança. Segundo o Dr. Nóbrega, a composição do leite de vaca é muito diferente do materno. É um leite com pouco ferro, o que favorece a anemia, muito sódio, cálcio e proteína. Isso causa uma sobrecarga nos rins do bebê, que não estão preparados para receber excesso dessas substâncias. O leite de vaca também é pobre em oligoelementos como selênio, zinco e cobre, importantes no desenvolvimento cerebral da criança. Daí a importância de manter o leite materno: ele já tem tudo na dose certa.

Dicas da pediatra
 – Escolha um ambiente calmo.
 – Ofereça alimentos variados.
 – Evite trocar a papinha pelo leite.
 – Não triture ou bata no liquidificador os alimentos.
 – Evite açúcar até os dois anos de idade.

Alimentação por idade
 – Até os 6 meses: apenas leite materno
 – 6-7 meses: leite materno + 1 papa de comida e 2 frutas
 – 8-12 meses: leite materno + 2 papas de comida e 3 frutas
  Após o primeiro ano de vida a criança já pode comer o que a família come, desde que não tenha excesso de sal, gordura, temperos picantes e frituras.

O cuidado com a alimentação da criança começa no útero.

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