imigração
O governador do Acre, Tião Viana (PT) se reuniu com a imprensa no final da tarde desta sexta-feira (17) para anunciar que o Estado entregará para o Ministério da Justiça o trabalho de acolhimento e encaminhamento para outros estados dos imigrantes que chegam ao Acre pela fronteira com a Bolívia e Peru.
Para Tião Viana, o Acre não tem mais condições de arcar com os custos de aluguéis de abrigos e viagens. A decisão veio após uma reunião entre o governador do Acre e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, em Brasiléia, nesta semana.

Durante o anúncio nesta sexta, na Casa Civil, Tião estava reunido com representantes dos Ministérios Públicos Estadual e Federal, além dos secretários de Desenvolvimento Social (Sedens), Gabriel Maia, e Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), Nilson Mourão.
“Fomos levados a comunicar ao Ministério da Justiça a necessidade do mesmo assumir o acolhimento e encaminhamento dos imigrantes, que fizeram do Acre uma rota internacional. Já são mais de 36 mil, oriundos de 13 países, sendo essa uma responsabilidade constitucional da União”, disse Tião Viana.
Tião Viana repassa a responsabilida à União após o Estado alcançar uma dívida de R$ 3 milhões.
“Tudo fizemos em colaboração mas, não nos é possível ir além. É uma questão de Estado Nacional, cabendo ao ministro da Justiça. O Governo do Acre, por razões humanitárias, tudo que pôde fez para prestar sua solidariedade aos imigrantes, todavia, exauriu-se no caso”, explicou Viana.
De 2010 a março de 2015, 35.938 estrangeiros chegaram de forma ilegal ao Brasil pela fronteira do Peru com o Acre. Só do Haiti vieram 32.783 pessoas, mas também são registrados imigrantes do Senegal, República Dominicana, Colômbia, Gâmbia, Gana, Bahamas, República de Camarões, Equador, Serra Leoa, Cuba, Mauritânia e Nigéria.
A situação atual do abrigo na Chácara Aliança, onde ficam os imigrantes, tornou-se insustentável. Com capacidade para menos de 300 pessoas, hoje o abrigo conta com 800. E todo dia chegam de 60 a 70 imigrantes.
O secretário Nilson Mourão diz que o Estado realizou um trabalho “heróico”, mas a situação financeira do Acre não permite continuar arcando com os custos.
O titular da Sejudh, Nilson Mourão, declarou: “Nossas equipes desenvolveram um trabalho heroico, mas, como não estamos visualizando uma solução permanente, o governador Tião Viana encaminhou ofício à presidente Dilma Rousseff informando que, depois desses quatro anos e meio, nós não temos mais condições para continuar com essas ações”.
Com informações da Agência de Notícias do Acre