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Aposentado quer doar coleção de fósseis para um museu, desde que seja em Marechal Thaumaturgo

Por Marina, ContilNet Fonte: JORGE NATAL, PARA A CONTILNET 02/10/2017 às 10:38

O policial civil aposentado Renato Bezerra Mota, de 78 anos, dedica-se há 35 anos a colecionar fósseis de animais pré-históricos encontrados no município de Marechal Thaumaturgo, Alto Juruá, na fronteira com o Peru. Fazem parte da coleção fragmentos de purussaurus, mastodontes, tartarugas e preguiças gigantes.

Ele guarda o material em sua casa, mas quer doar para um museu, desde que seja construído no município. “Este material foi encontrado nesta região, portanto, precisa ficar aqui”, sentenciou o colecionador, que não dispõe de espaço para expor ao público. “As instituições que cuidam do patrimônio histórico estão negligenciando”, criticou ele.

O aposentado coleciona fósseis há 35 anos/Foto: Jorge Natal

O acervo conta com mais de 60 peças, boa parte encontrada às margens do rio Juruá. A residência do aposentado se tornou um dos pontos turísticos do município. “Tenho recebido turistas e pesquisadores, acadêmicos da Ufac e alunos do ensino médio de escolas púbicas da região”, disse Renato, informando que os locais por onde andou já foram vistoriados por pesquisadores ingleses, americanos e alemães na década de 80.

Os fósseis já foram identificados por paleontólogos da Universidade Federal do Acre (Ufac). Segundo eles, são de purussaurus, mastodontes, preguiças e tartarugas gigantes. “Esta coleção deve ficar em Marechal Thaumaturgo como patrimônio histórico”, reiterou o aposentado, que começou a se interessar pelo assunto depois que comprou de um morador da região um maxilar e um fêmur de um animal não identificado.

“Quando comecei a pesquisar sobre fósseis, querendo descobrir que tipo de animal pertencia os ossos, fui me identificando e pegando gosto pela coisa”, revelou o homem, que também possui cerca de 300 armas brancas antigas, entre as quais facas, adagas, espadas, catunas, machadinhos e canivetes.

Os fósseis já foram identificados por paleontólogos da Universidade Federal do Acre/Foto: Jorge Natal

Espécies

De acordo com a literatura do Centro de Paleontologia da Ufac, o purussauru era uma espécie que vivia na Amazônia, no Peru e na Bolívia, tendo registros até na Venezuela. Uma pesquisa feita pela instituição, em 1986, coletou um crânio atribuído a um indivíduo que media de 12 a 15 metros. Ele teria vivido há oito milhões de anos, quando interagia na Amazônia, que era uma região alagada. A espécie podia chegar até 15 metros de comprimento.

Já as preguiças gigantes e os mastodontes, de acordo com os paleontólogos Alceu Ranzi e Jonas Filho, viveram no pleistoceno, uma época geológica que corresponde a 11 mil anos, momento em que a América do Sul, inclusive a Amazônia, era dominada por uma savana. As preguiças chegavam até seis metros de comprimento. Os mastodontes eram animais muito semelhantes aos elefantes.

A Ufac tem em Rio Branco mais de seis mil fósseis de várias espécies de animais pré-históricos, que estão expostos ao público, inclusive as encontradas no Alto Juruá.

O acervo conta mais de 60 peças, boa parte encontrada às margens do rio Juruá. /Foto: Jorge Natal

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