O homem apontado como principal suspeito da morte de Maria Ramona Araújo da Silva, de 18 anos, ainda não foi capturado e permanece foragido nesta sexta-feira (4), em Rio Branco. Daniel Nestor Gusman teria fugido após o corpo da jovem ser encontrado dentro do apartamento onde ela morava, no bairro Conquista, e rompido a tornozeleira eletrônica que utilizava.
Maria Ramona foi encontrada morta na quarta-feira (2), depois que uma irmã, que também mora na mesma vila de apartamentos, percebeu um forte mau cheiro vindo do imóvel. Inicialmente, a família teria imaginado que o odor poderia estar relacionado a lixo ou outro material, mas a situação acabou levantando suspeitas. Quando o corpo foi localizado, a jovem já estava em avançado estado de decomposição.
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Daniel Nestor Gusman mantinha um relacionamento com a jovem, e os dois moravam juntos havia cerca de quatro meses. Em entrevista ao ContilNet, o delegado Alcino Ferreira revelou detalhes sobre o caso e afirmou que Ramona teria sido morta com golpes de faca e por enforcamento. Segundo ele, o crime teria ocorrido entre a madrugada de domingo (30) e a segunda-feira (31), mas o corpo só foi encontrado na quarta-feira (2).
Um dos pontos que chamaram atenção na investigação é que o suspeito teria permanecido no apartamento durante os dias seguintes à morte. Nesse período, ele teria utilizado o celular de Ramona para enviar mensagens às irmãs dela, tentando fazer com que acreditassem que a jovem ainda estava viva.
Gusman também teria entrado em contato com o motorista de aplicativo que havia levado Ramona de volta para casa. Antes disso, a jovem estava na residência de uma irmã e retornou ao apartamento de Uber.
As conversas e demais informações armazenadas no celular deverão ser analisadas para esclarecer os contatos feitos antes e depois da morte e verificar se existe algum elemento que ajude a entender a dinâmica do crime. A extração dos dados ficará sob responsabilidade da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).
A possibilidade de ciúmes como motivação também está entre as linhas consideradas na investigação. O assassinato de Maria Ramona é tratado como possível feminicídio.
Depois que o corpo foi descoberto, Gusman teria deixado o local e rompido a tornozeleira eletrônica. Até esta sexta-feira (4), ele continuava sendo procurado.
O caso também ganhou repercussão devido ao histórico do suspeito. Em julho de 2018, em Boa Vista, Roraima, Gusman matou a então companheira, Betzabeth Miguelina Adam Daza, de 23 anos, que estava grávida de seis meses.
Dois meses depois, em setembro de 2018, ele foi preso no Acre enquanto tentava entrar no Brasil pela fronteira com o Peru, em Assis Brasil.
Em 2022, o Tribunal do Júri de Roraima condenou Gusman a 24 anos de prisão em regime fechado pelos crimes de homicídio, aborto e ocultação de cadáver. A condenação apontou homicídio qualificado por motivo torpe e por recurso que dificultou a defesa da vítima.
Agora, oito anos após aquele caso, Gusman é novamente apontado como suspeito da morte de uma companheira. Até o momento, ele não foi localizado e continua na condição de foragido. As investigações seguem para esclarecer a motivação, a dinâmica do assassinato e localizar o suspeito.
