A defesa pelo bom senso vai muito além de artigos, postagens, seminários e campanhas. A construção de uma sociedade consciente de temas importantes como preconceito, racismo, doenças mentais, suicídio e sustentabilidade é algo que deve ser realizada todos os dias, através de uma mudança de hábito e um posicionamento consistente.

A defesa pelo bom senso vai muito além de artigos, postagens, seminários e campanhas
A ideia de um mundo com o mínimo de respeito, compaixão e senso de responsabilidade social deve ter como princípio sair dos discursos políticos, religiosos e científicos e alcançar a todos, desde o rapaz que joga o canudinho plástico pela janela do ônibus até ao fotógrafo de cadáveres para grupos de notícia.
O indivíduo precisa entender que não é preciso proximidade ou vínculo parentesco para se ter respeito. Não precisa ser seu filho/pai/irmão para cobrar respeito por uma foto indevida sendo divulgada, afinal, aquela imagem reflete alguém. Somos todos alguéns em algum canto. E é necessário fazer com que esse algum canto seja em todo lugar.
Isso é reflexo de uma retenção de conhecimento, ou até mesmo a setorização dele. É fato que todos precisam entender as consequências que tais atitudes causam na sociedade. Negar esse conhecimento torna-se uma grande contradição, beirando o egoísmo, pois a informação e conscientização deve ser acessível a todos, principalmente aos menos esclarecidos.
A mudança de atitude individual é de extrema importância, mas a luta pela conscientização coletiva tem que ser incansável, pois ao tornar-nos conscientes, temos como obrigação e responsabilidade social difundir a transformação da nossa sociedade.
Não estamos falando (apenas) de debates acadêmicos. É necessário o posicionamento diário, no cotidiano. Defenda o que você acredita, sempre com respeito, mas sem se deixar ser desrespeitado.
Acredite, para viver um pouco do mundo ideal, teremos de ser tachados de inconvenientes, é sempre contrários a pensamentos comuns. Seremos considerados fantasiosos, até. Afinal, há alguns anos, grandes mudanças foram concretizadas após um discurso que proclamava: “eu tenho um sonho”.
Se viver em um mundo melhor se tornou fantasioso, então que seja nesse mundo de fantasia que meus filhos um dia vivam.
*Vinícius Charife é acadêmico de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo na Universidade Federal do Acre.
