
Deputado Sibá Machado
O deputado federal Sibá Machado (PT/AC) se reunirá nesta quinta-feira (10) com o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), para tratar sobre a prisão de Socorro Dachi, assessora do parlamentar. A reportagem entrou em contato com o deputado petista que confirmou a reunião com o governador.
Questionado se levaria o caso ao plenário da Câmara dos Deputados, Sibá Machado disse que não, e que resolveria o caso com Rodrigo Rollemberg. “O governador me ligou e marcamos uma reunião para amanhã. Acredito que resolveremos isso sem precisar levar o caso para a tribuna da Casa”, disse o parlamentar.
Socorro Dachi, assessora parlamentar de Sibá Machado, foi presa durante o protesto que ocorreu na sede da Rede Globo, em Brasília, na última sexta-feira (4), em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A assessora foi encaminhada à 5ª Delegacia de Polícia, na área central da capital.
O caso foi divulgado no domingo pelo site Metrópoles.com, que conversou com a assessora. Em entrevista, Socorro Dachi explicou que estava deixando a manifestação ao lado da esposa de Sibá Machado e secretária de Articulação Institucional e Ações Temáticas da Secretaria de Políticas para Mulheres, Rose Scalabrin, quando um dos policiais do Patrulhamento Tático Móvel (Patamo) da PM teria xingado as duas de “vagabundas”. A assessora, então, revidou verbalmente a ofensa e um militar deu ordem de prisão contra ela.

Socorro foi encaminhada à 5ª Delegacia de Polícia
Socorro relata ainda que os policiais teriam confiscado o celular dela. “Cheguei a perguntar para os militares se eles estavam tentando criar um fato político. Pedi o meu aparelho de volta. Precisava falar com o meu advogado, mas não deixaram. Tentei também resistir à prisão, mas chegaram até a apontar uma arma para mim e para a Rose. Foi a coisa mais truculenta que vi na minha vida”, conta.
Ela conta que os policiais chegaram a apontar uma arma para ela e para esposa de Sibá Machado. Rose Scalabrin e outros militantes tentaram ajudar a assessora, mas foram contidos por policiais que usaram spray de pimenta contra eles.
Segundo a versão da Polícia Militar do Distrito Federal, a assessora em questão se apresentava muito exaltada e desacatou a guarnição, que, diante dos fatos, deteve Socorro Dachi. Um grupo de manifestantes que estava com a assessora, entre eles a esposa do parlamentar Sibá Machado, investiu contra a patrulha. Para evitar um confronto direto a polícia fez o uso de gás lacrimogêneo e o spray de pimenta. Os policiais salientaram que a militante não foi algemada, mas confirmaram que ela foi conduzida à 5ª DP.
Sibá Machado lamentou o caso envolvendo sua assessora e disse que é inadmissível ações truculentas e de abuso de autoridade por parte dos policiais militares, que são pagos para garantir a segurança da população, e não para tentar cercear os direitos do cidadão, como é o livre direito de protestos.
Veja o vídeo da confusão:
https://www.youtube.com/watch?v=DerXzjKthwY
Veja a publicação de Socorro sobre o ocorrido:
Dentre outras ações que moveremos, hoje fomos à Delegacia da Mulher, eu e minha amiga Rosali Scalabrin (Secretária Nacional da Secretaria de Política para a Mulheres), que também foi vítima da agressão moral por parte dos policiais da PMDF, na última sexta-feira. Considero que sofremos uma violência inominável, fomos brutalmente atacadas por quem em tese, deveria zelar por nossa segurança. Saíamos de uma manifestação absolutamente pacífica, em que nenhum incidente havia sido registrado. Fomos atacadas sem qualquer motivo aparente; fomos chamadas de “vagabundas” sem que tenhamos sequer nos dirigido aos policiais, que ali estavam para fazer a o patrulhamento do local; entendo que se houve motivação para tal agressão, essa deve ter sido de ordem politico-ideológica, já que era de conhecimento de toda a corporação de que haveria ali uma manifestação em defesa do ex-presidente Lula.
Resolvemos ir a pé para a casa da Rose, perto do local da manifestação (que, reitero, já havia acabado) pois era cedo, por volta de 20h, e nos sentimos “protegidas” com a presença do PATAMO – Patrulhamento Tático Móvel, da PMDF.
Tal não foi nossa surpresa ao passarmos ao lado das viaturas e um policial, ao abrir a porta da viatura, gritar “vagabundas, suas vagabundas”. Levamos um susto! Pois passávamos sozinhas pelo local – Brasília é uma cidade atípica, onde raramente se veem transeuntes em seus “eixos” e vias principais. Mas aí percebemos que o policial falava conosco mesmo. Ao sermos insultadas, o encarei e disse: “como é que é??? vagabundo é você!”. Meu revide teve como consequência spray de pimenta no rosto e uma ordem de prisão decretada por desacato. Ou seja, nós fomos insultadas e eles é que foram desacatados! Tudo isto acrescido do fato de ter sido absolutamente cercada por policiais fortemente armados e que chegaram a apontar suas armas para nós.
Éramos duas mulheres, sozinhas e incapazes de atacar um “batalhão armado”, como alegou em nota posterior, de forma leviana, o Comando da corporação. Eu apenas revidei ao insulto, pois não tenho estrutura psicológica nem fui moldada pela vida para receber um xingamento gratuito dessa natureza sem revidar. Venha o insulto de onde vier.
Um verdadeiro absurdo, uma arbitrariedade sem tamanho, não tive chance alguma de defesa, tive meu celular arrancado das mãos e fui impedida de fazer qualquer contato. Resisti à prisão, questionei se a intenção deles era criar um “fato político” e pedia para que alguém me ouvisse. Nesse interim, minha amiga Rose, mesmo “cega” pela ação do spray de pimenta, conseguiu chegar até onde ainda estavam algumas pessoas remanescentes da manifestação, dentre elas, um advogado, que tentou ir falar comigo e também foi impedido com spray de pimenta por várias vezes. Daí por diante, fácil fica entender os acontecimentos posteriores, estando estes registrados em vídeo anexo a várias matérias sobre o assunto.
Finalizo dizendo que tal violência ocorreu na “semana da mulher”. Fui xingada de vagabunda, algemada posteriormente por “ordem superior” do comando da operação e levada para a delegacia, de uma forma truculenta, autoritária e fascista, numa ação absurda onde ficou caracterizado claro abuso do poder da força coercitiva da Polícia Militar do Distrito Federal.
Em deferência à minha própria dignidade e à de todas as mulheres deste país (sim, este ataque não teria ocorrido se fossem dois homens passando sozinhos na rua), recorrerei às instâncias cabíveis na busca de justiça e de reparação.
Amanhã, o Governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, tratará do assunto. A Secretaria de Política para as Mulheres também já acionou a Corregedoria da PMDF e a Secretaria de Segurança Pública do DF. Não podemos calar diante de tamanha truculência e desrespeito. Sinto pelas milhares de pessoas “sem voz” neste país que diariamente devem sofrer (e morrer), vitimadas por abusos de toda ordem, abusadas muitas vezes por policiais mal preparados e desqualificados. Felizmente, as vagabundas aqui tem e voz e a usarão contra toda e qualquer forma de violência.
(Socorro Braga Dachi, mulher, acreana, cidadã brasileira, na luta pela defesa da liberdade de expressão e contra o uso abusivo da força policial)
