O cenário político acreano ganhou contornos de definição para as próximas eleições. Após semanas de especulações e um clima de aparente tensão entre o senador Marcio Bittar (PL) e a vice-governadora Mailza Assis (PP), a aliança governista parece ter blindado suas arestas.
Recentemente, a imprensa local repercutiu declarações de Bittar que sugeriam um descontentamento com o Palácio Rio Branco, sob a alegação de que o Governo do Estado teria prejudicado a montagem das chapas do PL nas eleições. No entanto, o tom mudou radicalmente após o último fim de semana.
No último sábado (30), durante um encontro político, uma imagem emblemática chamou a atenção: o governador Gladson Cameli, a vice Mailza Assis, o senador Marcio Bittar e o ex-prefeito de Cruzeiro do Sul e atual presidente do MDB no Acre, Vagner Sales, apareceram publicamente de mãos dadas, simbolizando uma trégua — ou a consolidação de um projeto focado em 2026.
“Está decidido”, afirma Bittar
Em entrevista concedida com exclusividade ao ContilNet nesta terça-feira (2), o senador Marcio Bittar foi categórico ao ser questionado se o gesto público de união encerrava de vez os boatos de um rompimento com o grupo liderado por Gladson e Mailza. Ele rechaçou qualquer dúvida sobre o posicionamento de sua sigla:
“Pra mim, pra mim e pro PL está decidido. Decidido a apoiar Mailza. Eu quero trabalhar agora e pronto”, disse o senador.
O senador explicou que, embora mantenha uma relação de respeito e cordialidade com outros atores da oposição, como o ex-prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PSDB), e o senador Alan Rick (PL), a sobrevivência e a coerência do grupo político exigiam um posicionamento claro.
“O Alan Rick e o Bocalom não são meus inimigos, não são meus adversários ideológicos. O Bocalom, inclusive, homenageou meu pai (…), foi uma homenagem que eu nunca mais vou esquecer. Mas você tem que fazer uma opção. Então, a opção que é assim, eu diria que mais de 90% das chapas, tanto estadual quanto federal… federal é a chapa completa, quer dizer, os nove candidatos… têm essa preferência pela candidatura da Mailza. Então, é isso”, acrescentou o político.
Gratidão
Bittar ponderou ao ContilNet que a decisão de marchar ao lado do atual governo reflete o desejo majoritário dos correligionários do PL e relembrou o sucesso da parceria que se iniciou no pleito de 2024. Para ele, manter o grupo unido é o caminho natural após os resultados expressivos alcançados no estado.
“Não é uma decisão de uma pessoa, é aquilo que o PL quer. Então tínhamos que fazer uma opção e entendemos que a manutenção dessa aliança é mais coerente. Porque nós refundamos uma aliança em [20]24 que foi fundamental pra vitória do Bocalom em Rio Branco, do Zequinha em Cruzeiro do Sul, do Zé Luiz em Mâncio Lima e do Carlinhos do Pelado em Brasileia”, destacou.
Além do pragmatismo eleitoral, o senador fez questão de destacar que sua lealdade ao ex-governador Gladson Camelí também passa por uma questão de reconhecimento ao apoio recebido no passado.
“Eu também tenho um sentimento de gratidão. Essa é uma coisa que eu procuro não cometer [a ingratidão], eu acho muito feio. O Gladson foi muito importante pra me eleger senador da República”, concluiu Bittar.






