ContilNet Notícias
Notícia

Cientistas descobrem nova espécie de rã na floresta amazônica do Acre

Por Matheus Mello, ContilNet Fonte: Matheus Mello, ContilNet 29/06/2026 às 17:47
Cientistas descobrem nova espécie de rã na floresta amazônica do Acre

O nome varcena faz referência às várzeas amazônicas, ambiente onde a espécie foi encontrada/Foto: Reprodução

Uma nova espécie de rã foi descoberta no Acre por uma equipe de pesquisadores brasileiros e internacionais. O anfíbio, batizado de Adenomera varcena, foi encontrado em áreas de floresta de várzea na região do Alto Rio Juruá, especialmente em fragmentos florestais próximos aos rios Moa e Crôa.

A descoberta foi divulgada em um artigo publicado no portal The Conversation e descrita cientificamente no estudo A New Species of Terrestrial Foam-Nesting Frog (Adenomera, Leptodactylidae) from the Várzea Forests of Western Amazonia, publicado na revista Ichthyology & Herpetology.

Segundo os pesquisadores, a nova espécie apresenta características que a diferenciam de outras rãs do gênero Adenomera. Entre elas estão a ausência de uma faixa escura na parte inferior do braço e um canto de anúncio com características únicas, como a emissão de uma única nota, baixa frequência de repetição e curta duração. O canto é utilizado pelos machos para atrair fêmeas, defender território e sinalizar a presença a outros indivíduos.

VEJA TAMBÉM: Cientistas encontram antidepressivo em cérebro de tubarões-martelo no RJ

O nome varcena faz referência às várzeas amazônicas, ambiente onde a espécie foi encontrada. A escolha também destaca uma característica considerada incomum para o gênero, já que a maioria das espécies de Adenomera habita florestas de terra firme, que não sofrem alagamentos periódicos.

Para confirmar que se tratava de uma espécie ainda desconhecida pela ciência, os pesquisadores utilizaram uma abordagem que reuniu análises genéticas por sequenciamento de DNA, estudo das vocalizações, comparação da morfologia dos animais, informações sobre o habitat e análises de exemplares presentes em coleções científicas.

De acordo com os autores, “a descoberta amplia o conhecimento sobre a biodiversidade amazônica e evidencia a existência de espécies visualmente muito semelhantes, mas que apresentam diferenças genéticas e acústicas suficientes para serem classificadas separadamente”.

Os pesquisadores também destacam que o reconhecimento de novas espécies é importante para orientar políticas de conservação. Sem uma identificação taxonômica adequada, espécies raras ou restritas a determinados ambientes podem permanecer fora das avaliações de risco de extinção e das estratégias de proteção ambiental.

O estudo foi desenvolvido por pesquisadores de instituições brasileiras e internacionais, incluindo a Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e uma instituição do Equador. A pesquisa contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), do CNPq e da colaboração de laboratórios especializados em genética, taxonomia e bioacústica de anfíbios.

Sair da versão mobile