Circulação do sorotipo DENV-3 acende sinal de alerta para risco de surto

Circulação dos sorotipos DENV-2 e DENV-3 tem sido registrada em baixa escala

Por Maria Fernanda Arival, ContilNet 11/07/2026 às 17:21
Sesacre registrou a reintrodução do sorotipo DENV-3 da dengue — Foto: Reprodução

O retorno da circulação do sorotipo DENV-3 no estado do Acre, identificado em monitoramento laboratorial recente, acende um alerta na saúde pública. Embora os dados do Boletim Epidemiológico (SE 01 a 20/2026) apontem uma redução significativa na incidência geral da dengue em comparação a 2025, a presença de mais sorotipos reforça a necessidade de vigilância para evitar a ocorrência de surtos.

De acordo com o boletim, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), a circulação simultânea de diferentes sorotipos de dengue (DENV-1, DENV-2 e DENV-3) eleva o risco à população

“O Estado do Acre registrou baixa circulação dos sorotipos DENV-2 e DENV-3 no primeiro semestre de 2026. Apesar do reduzido número de casos, a identificação desses sorotipos merece atenção, uma vez que a circulação simultânea de diferentes sorotipos do
vírus da dengue aumenta o risco de ocorrência de surtos e epidemias, além de favorecer o surgimento de formas graves da doença em indivíduos previamente infectados por outro sorotipo”, diz o boletim.

Até o momento, a circulação dos sorotipos DENV-2 e DENV-3 tem sido registrada em baixa escala, com casos confirmados laboratorialmente concentrados, até o período analisado, no município de Rio Branco.

Os dados são do boletim da Sesacre

Os dados são do boletim da Sesacre/Foto: Reprodução

Além das ações de controle do mosquito, o boletim destaca a necessidade de ampliar a cobertura vacinal contra a dengue, que segue heterogênea no estado. A meta é aumentar a adesão ao esquema completo (duas doses) em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, visto que a vacinação é uma ferramenta complementar indispensável para reduzir a carga da doença e o número de internações.

O documento aponta, ainda, que apesar do cenário epidemiológico com redução do número de casos em 2026, é importante destacar que “existe risco de mudança no padrão epidemiológico, principalmente com a reintrodução do sorotipo DENV-3; a manutenção das ações de vigilância e controle é essencial para evitar recrudescimento dos casos; e a reintrodução e a circulação do DENV-3 no estado reforçam a necessidade de intensificar a vigilância epidemiológica e laboratorial, visando ao monitoramento da disseminação viral e à adoção oportuna de medidas de prevenção e controle”.

Recomendações para a população

O boletim emite algumas recomendações para a população evitar novos casos de dengue no Acre. Confira:

  • Elimine possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti, mantendo caixas d’água, tonéis e cisternas devidamente tampados, descartando corretamente recipientes que possam acumular água e mantendo quintais limpos;
  • Evite o acúmulo de água parada em pratos de plantas, pneus, garrafas, calhas, lajes e outros recipientes, realizando vistorias semanais em residências e locais de trabalho;
  • Permita a entrada dos agentes de saúde em sua residência, colaborando com as ações de vistoria, orientação e controle do mosquito transmissor da dengue;
  • Utilize medidas de proteção individual, como uso de repelentes, telas em portas e janelas e, quando possível, mosquiteiros, especialmente para crianças, gestantes, idosos e pessoas com comorbidades/agravos;
  • Ao apresentar sinais e sintomas compatíveis com dengue, como: febre, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores no corpo e articulações — procure imediatamente a unidade de saúde mais próxima e evite a automedicação;
  • Siga as orientações dos profissionais de saúde e mantenha o acompanhamento adequado, especialmente em casos de agravamento dos sintomas, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes ou sangramentos;
  • Participe das ações comunitárias de prevenção, contribuindo para a redução da infestação do mosquito e para a proteção da saúde coletiva.

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