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Por Edinei Muniz
Após ser desmascarado pela realidade financeira do Estado do Acre, em especial no que diz respeito aos repasses do Fundeb, tendo como base os dados seguros apresentados pelos trabalhadores em educação, o governo, vendo que a tática da desqualificação não irá mais funcionar, resolveu apelar afirmando que precisamos agir de modo “sincero e honesto” frente à realidade que vivemos. Tudo como se não fosse deles a
responsabilidade por todo esse absurdo econômico que somos obrigados a suportar.
Ora, ora . Alto lá! Os professores estão sendo sinceros e honestos. Apresentamos dados verídicos, extraídos de várias fontes, e que provam, incontestavelmente, que os recursos do Fundeb não caíram no primeiro semestre de 2015. Provamos também que a educação está arcando com os pesadíssimos cortes orçamentários.
O governo, por sua vez, através do seu líder, nos acusou de manipulação de dados do orçamento, postura leviana e desonesta ao extremo. Uma verdadeira vergonha para um cidadão que já foi Secretário de Educação. Temos provas que confirmam que o deputado Daniel Zen, líder do governo, está mentindo. Mente e mente levianamente em relação aos dados das contas públicas.
A honestidade e a sinceridade do governo é tão grande, que desde fevereiro não publica o salário dos servidores e comissionados na internet como manda a Lei de Acesso às Informações Públicas. Convenhamos, todas as pessoas medianamente informadas sabem os motivos: é para esconder o número absurdo de nomeações para cargos políticos de confiança. Tudo para atender o interesse eleitoral do PT e seus apadrinhados. Então quer dizer que para atender o famigerado interesse político do PT não existe crise? Quem está sendo sincero e
honesto?
De outra banda, o governador, em pessoa, veio à boca do palco e tentou, bem ao seu estilo, dar um grito nos trabalhadores em educação afirmando que não tem dinheiro para arcar com as despesas. Como acreditar em um governador que, por intermédio do seu líder na Assembleia lança acusações levianas contra uma classe que hoje luta por um direito consagrado na Constituição Federal?
A sinceridade do governo se manifestou assim: primeiro veio o líder e mentiu. Em seguida, veio o governador, com sua tradicional arrogância, e confirmou pessoalmente o interesse de ludibriar os trabalhadores com mentirinhas primárias que não enganam mais. Como acreditar em um governador que descumpre a lei para esconder seus abusos financeiros com dinheiro público?
O pessoal do governo, sempre fazendo cair a mesma chuvinha de sempre, diz também que o momento não é propício para se procurar culpados.
Como não? Os gestores públicos estão submetidos à Lei de Responsabilidade Fiscal e a seus ditames devem obedecer. Honestamente, o momento mais adequado para se questionar os absurdos financeiros do
governo é agora, principalmente por sabermos que existem responsabilidades graves dos gestores.
Não adianta culpar o cenário nacional e sair pela tangente. Quando a crise nacional, que Dilma escondeu, chegou ao Acre, já havia uma crise gravíssima instalada aqui por obra do mesmo governador que veio à boca
do palco pensando que ainda vivem os velhos tempos em que batiam o pé e todos corriam.
O governador endividou o Acre em R$ 1 bilhão em oito meses e em pleno período eleitoral. Então não se pode tocar no assunto? Menos, menos! Finalizando, se querem sinceridade e honestidade que apresentem uma
proposta, ainda que seja um compromisso para o futuro, mas que seja decente e compatível e que aponte para a possibilidade real de que as perdas salariais da educação e outros itens da pauta serão efetivados como diz a lei. Não estamos aqui inventando a roda e nem pedindo nada.
Estamos exigindo, pois o que exigimos a lei nos garante: recomposição salarial. Estamos com a razão, Senhor Governador. Portanto, respeite e traga um compromisso de que a pauta da educação, mais que justa, acompanhará a evolução das contas do governo e será efetivada levando-se em conta areal capacidade financeira do Estado e não do modo desrespeitoso como vem sendo conduzido pelo seu líder na Aleac a mando da sua pessoa. A educação não cala e exige respeito.
Edinei Muniz é advogado e professor
