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Conheça Seu Severiano, o índio que se considera o “guardião” da Casa dos Povos da Floresta

Por Suporte Fonte: Kellyton Lindoso, da ContilNet Notícias 20/04/2015 às 04:28

casaflorestaDia do Índio

casaflorestaNeste domingo (19), comemora-se o Dia do Índio. No Acre, com toda a sua diversidade de culturas e povos, a comemoração não se resume apenas as pequenas aldeias e povoados indígenas. Muitos deles já estão nas cidades, em busca de emprego ou já inseridos no mercado de trabalho.

Um destes exemplos é o senhor Severiano Apurinã. Ele, que tem cerca de 60 anos, trabalha como agente de portaria na Casa dos Povos da Floresta. Localizada no Canal da Maternidade, a casa conta um pouco da história de pessoas como o próprio Severiano.

O jornalismo da ContilNet Notícias conversou com ele. Tímido, seu Severiano é de poucas palavras. Tivemos que contar com o diretor-executivo da cooperativa, Jose Roberto Araújo, para saber mais informações dele. Mas, em seu local de trabalho, as pessoas contam que não é bem assim: ele, além de porteiro, é uma espécie de guardião da casa e faz questão de ir caracterizado ao seu local de trabalho para auxiliar as pessoas que gostam de ir por lá.

Com 60 anos de idade, Severiano não conseguiria inserção no mercado de trabalho se não fosse através da ajuda Cooperativa de Trabalho Autônomo em Serviços Gerais (Coopserge). Lá, pessoas das mais variadas idades, raças, religiões estão unidas para que, juntas, consigam oportunidades no mercado de trabalho. Quem fala um pouco sobre isto é o diretor-executivo da cooperativa, José Roberto.

“O cooperativismo é diferente de todos os segmentos por isso. Não há preconceito com relação a idade, religião, raça tampouco cor. O seu Severiano tem aproximadamente 60 anos”.

Roberto fala também um pouco sobre o seu Severiano. Na época em que entrou na cooperativa, tinha sérios problemas de alcoolismo. Venceu os problemas graças ao apoio da cooperativa e já está há mais de 10 anos cuidando de um espaço que tem tudo a ver com ele.

“Graças a Deus, com inclusão social e muito carinho de uma família grande e unida, ele conseguiu vencer isso”.

Vários povos, das áreas isoladas do Acre, possuem na cooperativa trbalho e renda, trazendo alegria e esperança pro seu povo.

“O cooperativismo é assim: agrega a todos. Só para se ter uma ideia, nós temos nas aldeias indígenas uma grande gama de cooperados. Puyanawa, Kulina, Apurinã, Kaxinawa, Katukinas”.

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Roberto conta que um dos motivos para seu Severiano estar há mais de 10 anos em um mesmo lugar é o amor pelo seu local de trabalho.

“Não se pode nem falar em tirar ele de lá [risos]. Ele se considera uma espécie de guardião da casa. Entendemos e compreendemos isso. Ele se sente bem lá e as pessoas o tratam bem lá. As vezes, mesmo não sendo o expediente dele, ele fica por lá, todo caracterizado. É uma parte viva da história narrada naquele lugar”.

Até a sede social da cooperativa já conta com presentes dados por seu Severiano. A sala da diretoria conta com arcos e flechas. Em outras palavras, seu Severiano, apesar de estar na cidade grande, não deixou de lado seus costumes.

“Ele retrata com propriedade tudo aquilo [visto na Casa dos Povos da Floresta]. Todo ornamentado, ama sua cultura e já até nos presenteou com alguns adereços”.

 

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