Pesquisa eleitoral não é torcida organizada. Candidato e eleitor têm todo o direito de gostar ou não de um resultado, questionar números, desconfiar da metodologia e até discordar frontalmente da fotografia apresentada por um instituto. O que não parece razoável é transformar o instituto em alvo simplesmente porque o resultado não agradou.
Foi o que se viu nesta segunda-feira, depois que o Data Control divulgou uma pesquisa que colocou, pela primeira vez, a governadora Mailza Assis à frente do senador Alan Rick na disputa pelo Governo do Acre.
Mailza apareceu com 34,9% das intenções de voto, contra 27,5% de Alan. A diferença é de 7,4 pontos percentuais. O resultado naturalmente mexeu com os grupos políticos, especialmente com os apoiadores do senador, que passaram a questionar os números e a credibilidade do instituto.
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É legítimo questionar uma pesquisa. O problema começa quando a crítica deixa de ser aos números e passa a ser contra quem os produziu.
E há um detalhe da história recente que merece ser lembrado antes de qualquer tentativa de decretar que o Data Control “errou” porque um resultado desagradou determinado grupo político.
Na reta final da eleição para a Prefeitura de Rio Branco, em 2024, o instituto divulgou sua última pesquisa na noite de 4 de outubro, dois dias antes da votação. O levantamento, registrado no TSE sob o número AC-07241/2024, ouviu 1.200 eleitores entre 1º e 2 de outubro.
A Data Control apontou Tião Bocalom com 55,4% dos votos válidos. Marcus Alexandre tinha 35,5%. Jarude aparecia com 4,7% e Jenilson Leite, 4,4%.
No domingo, veio o resultado das urnas: Bocalom foi reeleito no primeiro turno com 54,82% dos votos válidos.
Uma diferença de apenas 0,58 ponto percentual entre a pesquisa e o resultado oficial.
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Isso não significa que instituto seja infalível. Nenhum é. Pesquisa é uma fotografia de determinado momento, e eleição pode mudar até a abertura das urnas. Mas é um dado objetivo, e bastante relevante, quando se discute a credibilidade de quem está por trás de um levantamento.
Mais do que isso: a pesquisa atual não está dizendo que Alan Rick perdeu a eleição. Estamos em agosto. Há semanas de campanha pela frente, propaganda eleitoral, debates, alianças, ataques, respostas e, sobretudo, um eleitorado ainda bastante aberto.
A própria pesquisa mostra isso.
Na espontânea, 55,1% não souberam ou não responderam. Entre os eleitores de Alan Rick, 41,3% admitem que ainda podem mudar de candidato. Entre os de Mailza, esse percentual é de 31,6%.
Ou seja: há muita água para passar por baixo da ponte.
Por isso, talvez o debate mais interessante não seja sobre se os números agradam a Alan, Mailza ou qualquer outro candidato.
É sobre o que esses números estão dizendo neste momento da disputa.
Mailza lidera? Sim, segundo a pesquisa.
Alan pode virar? Evidentemente.
A pesquisa define o resultado da eleição? Não.
É possível contestar a metodologia? Sempre, desde que com argumentos técnicos.
O que não parece fazer muito sentido é tentar descredibilizar um instituto porque, desta vez, a fotografia não favoreceu o candidato preferido.
Até porque, em política, memória também é um ativo. E o Data Control tem uma pesquisa recente para colocar na mesa: dois dias antes da eleição municipal de 2024, praticamente cravou a votação de Bocalom.
Agora, os números colocam Mailza na frente de Alan pela primeira vez. Pode ser o início de uma nova tendência ou apenas uma fotografia de agosto. A eleição é que vai responder.
Mas, até lá, talvez seja mais prudente discutir a pesquisa do que tentar matar o mensageiro.
