
“Não se condena sem a total apuração dos fatos. É irresponsável”, disse Zen
No expediente da manhã de hoje, na Assembleia Legislativa do Acre, as sessões foram suspensas para que se desse início a uma audiência pública entre os parlamentares e autoridades no setor de Saúde do estado. Estavam presentes, além dos deputados, o secretário de estado de Saúde, Gemil Júnior, representantes do órgãos de controle e gestores da maternidade Bárbara Heliodora.
O debate buscou promover o diálogo sobre alguns assuntos trazidos à tona pela imprensa local, como as mortes de recém-nascidos na maternidade e a adaptação da Unidade de Pronto Atendimento do Tucumã, que passará a ser uma policlínica.
A deputada Eliane Sinhasique (PMDB) iniciou o debate pedindo que fosse reavaliada a carta de repúdio escrita pelo Conselho Regional de Medicina (CRM) do Acre, e citada na tribuna em sessão, a respeito das declarações dadas na Casa. “Não se baseia uma carta desse alcance, no disse-me-disse. Nós não estamos contra a categoria dos médicos, e entendo a falta de infraestrutura na Saúde do estado.”
O deputado Daniel Zen (PT) afirmou que punir a maternidade como um todo, por uma fatalidade, é uma forma injusta de avaliação. “Não se condena sem a total apuração dos fatos. É irresponsável.”
O CRM deixou claro o desconforto com a rispidez da fala dos deputados ao público e reafirmou que formalmente não foi realizada denúncia sobre o caso da morte do bebê de Cássia Cristina no dia 28 de abril, mas que, ainda assim, resolveu instaurar uma sindicância.
Já a direção da Maternidade Bárbara Heliodora ressaltou a insistência da imprensa local em noticiar apenas as falhas do sistema saúde, fazendo que a opinião pública tornasse a figura do médico como a de um “assassino” e outros adjetivos que denigrem a imagem da classe. E reafirmou ainda que não se ausenta de publicar os fatos, mas que é necessário primeiramente a apuração de todos eles, evitando assim a tomada apressada de decisões.

Deputados recebem secretário de Saúde para audiência/Foto: ContilNet
UPA do Tucumã
Na manhã desta terça, a deputada estadual Eliane Sinhasique (PMDB) alertou através do seu perfil no Facebook a alteração na UPA do Tucumã, que viria a se tornar uma policlínica, diminuindo o seu horário de funcionamento em dois terços do atual, medida essa que poderia resultar na demissão e diminuição da carga horária dos funcionários do corpo de apoio.
Quando questionado durante a audiência pública pelo Sindicato dos Servidores da Saúde, o secretário Gemil Júnior esclareceu que desde 2009, através de um registro fornecido pelo Ministério da Saúde, a UPA do Tucumã já seria uma policlínica, e o estado é quem vem atendendo pacientes no sentido de unidade de pronto atendimento. E deixou claro que o corpo de funcionários não deve sofrer cortes.
“Definitivamente a UPA do Tucumã vai ter sua finalidade voltada a ser uma policlínica, com médicos especialistas, uma equipe fixa que vai acompanhar o dia-a-dia dos pacientes das imediações. O profissional não vai ser dispensado e nem perder carga horária. É claro que, ao tornar-se uma policlínica, a carga de horária de alguns médicos possa ser redirecionada a outra UPA.”
O novo horário de funcionamento da UPA do Tucumã vai até as 19 horas e deve contar com pediatras, ginecologistas, clínico geral, 25 médicos residentes provenientes de uma parceria com a Universidade Federal do Acre.
