Conheça a história de Monica e a luta para salvar a vida do filho com leucemia

Por Wania Pinheiro, ContilNet 08/03/2016 às 09:23
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A história de Monica se confunde com a história de milhares de mulheres brasileiras que sabem o valor de ser mãe/Foto: Arquivo pessoal

 

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O que surpreendeu o casal foi a coragem e garra revelados num menino de pouco mais de 1 ano de idade/Foto: Arquivo pessoal

O Dia Internacional da Mulher é uma data centenária usada, sobretudo, para reivindicar a igualdade de direitos da mulher. Nesta terça-feira (8), homenagens e manifestações tomaram conta da Internet e mostram uma luta que ainda não acabou. Dia da Mulher é dia de levantar a bandeira da luta por direitos iguais, comemorar conquistas, traçar novas e lembrar da sua importância e valor. Também é dia de contar histórias de mulheres como a Monica Moura de Sá Silveira, 29 anos.

A história de Monica se confunde com a história de milhares de mulheres brasileiras que sabem o valor de ser mãe. Ela teve um filho diagnosticado com leucemia linfóide aguda, em uma consulta de rotina com apenas 1 ano e 10 meses de idade. O prazer da maternidade aos poucos foi se transformando em uma luta que Monica nunca imaginou que travaria. Uma luta pela vida; não pela sua, mas pela do menino Arthur Brasil da Silveira Filho, o Arthurzinho.

“Meu filho Arthurzinho era uma criança muito feliz, alegre, saudável. Ele era cheio de vida. com a chegada dele a nossa realidade de vida mudou pra melhor, pois ele foi aguardado com muito amor por toda a família. Com tudo nunca pensávamos que iríamos enfrentar tudo aquilo que enfrentamos em tão pouco tempo”.

Mãe de primeira viagem, Monica conta que não sabia lidar com aquilo: sua esperança era de que o diagnostico não passasse de um erro médico. Com o tempo, ela foi percebendo que o menino Arthur precisava, realmente, de cuidados especiais e que seus pais precisariam ser fortes.

“Depois da notícia, vieram os médicos [oncologistas e hematologista] para confirmar o diagnóstico. Foi terrível, pois tínhamos a esperança de que aquilo seria um erro medico um pesadelo, até porque não acreditávamos que uma criança tão cheia de vida estaria tão doente. O nosso mundo caiu; me senti sem chão, sem rumo. Enfim, não sabíamos o que fazer”.

Mesmo sem chão, Monica percebeu que não tinha escolha: essa era uma luta que ela e o marido, Arthur Brasil da Silveira, 27 anos, precisavam travar em favor da vida de Arthurzinho. O que surpreendeu o casal foi a coragem e garra revelados num menino de pouco mais de 1 ano de idade.

“Não tínhamos escolha, tínhamos de dá inicio a um tratamento intenso e agressivo na busca de salvar o amor de nossas vidas. Assim, ele começou o processo de quimioterapia, lembro que mesmo com pouca idade o Arthurzinho encarou tudo com muita coragem e com muito bom humor, enquanto nós encarávamos com muita aflição e medo. Por muitas vezes, surgiu a vontade de levá-lo para fora do estado para fazer o tratamento, mas devido a outros problemas ocasionados pela a doença os médicos não liberaram, fazendo com que o tratamento iniciasse aqui no Acre”.

Com a recusa dos médicos em liberar o menino Arthur para fazer o tratamento em outro estado, devido os problemas ocasionados pela doença, Monica conta que começou uma intensa busca para saber como melhor poderia ajudar seu filho. Foi então que, através de relatos de um profissional, descobriu uma forma de tentar salvar a vida do filho: tendo outro bebê.

“Quando tudo isso aconteceu eu estava grávida de 5 meses. Foi então que a oncologista pediátrica dele nos informou que nós, como pais, poderíamos contratar uma empresa de São Paulo (Cordcell) para colher o sangue do cordão umbilical da minha filha que eu estava esperando; é claro que isso só poderia ser feito na hora do parto, então fizemos a contratação e a equipe de São Paulo veio para o Acre para realizar o procedimento”.

Tudo pareia estar dando certo, até que a mãe recebeu uma notícia que deixou toda a família apavorada novamente: o material colhido da irmã de Arthur, a pequena Maria Victoria que hoje tem 5 anos, não era compatível.

“Mais uma vez entramos em desespero! Não sabíamos o que fazer para alçar a cura para nosso filho. Com tudo isso convocamos os familiares próximos para fazerem os testes para encontrar uma medula compatível e infelizmente não encontramos nenhum doador compatível”.

Para Monica, a luta ainda não havia terminado. Foi então que ela decidiu engravidar novamente. Ela conta que foram dias tensos.

“Começamos uma corrida contra o tempo, contratamos novamente a empresa de São Paulo, organizamos os preparativos, mas quando eu estava com 4 meses de gestação o meu Arthurzinho não aguentou esperar e o que nós mais temíamos aconteceu: no dia 16 de setembro de 2011, aos 3 aninhos de idade, o nosso filho amado se foi”.

A dor da perda

Um misto de sentimentos como impotência e fracasso. Era assim que Monica afirmava estar se sentindo com a perda de seu primeiro filho. Mesmo sabendo que fez o que poderia fazer, o sentimento de que a luta foi em vão prevaleceu quando o menino Arthur os deixou.

“Sentíamo-nos impotentes e fracassados, pois todos os nossos esforços e lutas foram em vão, não conseguíamos aceitar que um ser tão puro e inocente pudesse passar por uma batalha tão árdua que é um câncer; por muito tempo, não conseguíamos aceitar sua perda tão prematura”.

Passados 4 anos, Monica conta que a saudade é a mesma. O amor também. A dor da perda ainda a perturba. “O tempo passou, já faz quatro anos que ele se foi, mas posso dizer que a saudade, o amor e a dor são as mesmas, hoje eu sei que o meu guerreiro está no céu protegendo os seus irmãozinhos aqui na terra, pois hoje ele é um anjo de luz”.

O recomeço

Mesmo tendo de conviver com a dor da perda, Monica conta que tirou lições positivas de tudo isso. Ela conta que o menino Arthur, que enfrentou com bravura a luta pela vida, deixou para a família valiosos valores.

“A dor da perda foi muito difícil de ser superada, mas foi um grande aprendizado na vida pois, somente depois que passamos por essa experiência, é que passamos a enxergar a vida através de outra perspectiva. Aprendemos também que temos que dá valor a cada minuto que você tem ao lado de quem se ama, pois a vida é como uma vela acesa e de uma hora pra outra ela pode se apagar pra sempre. Então, temos que amar o máximo que puder e principalmente agradecer a Deus a cada dia pela a saúde e pelo o dom da vida”.

São histórias de mulheres como a Monica que enobrecem o Dia Internacional da Mulher. Hoje, além de Maria Victoria, de 5 anos, ela é mãe do menino Murillo Arthur, de 4 anos. Monica viu em seus outros dois filhos. E no amor dispensado a ela por seu marido, o combustível para continuar lutando e seguir em frente. Arthur, que deu seu nome ao filho valente, deixa uma mensagem para a esposa e fala da importância dela na sua vida e na vida de seus filhos.

“A minha família é muito importante na minha vida, pois tenho amadurecido com os passar dos anos com meus filhos que a cada dia tem me ensinado muito sobre o amor e fidelidade entre família. Em relação a minha esposa tenho aprendido com o passar do tempo a importância do companheirismo entre nós e tenho muito a agradecer a Deus por ela ser uma esposa dedicada ao marido e aos filhos. Assim, gostaria de parabenizar a minha esposa pelo o dia internacional da mulher e dizer que a amo muito”.

O dia 8 de março e histórias como a de Monica servem para trazer a tona uma realidade que todos sabem, ou deveriam saber: as mulheres tem mais de um dia no ano. Todo dia é dia de lutar por direitos, de comemorar conquistas, de superar e dia de seguir em frente. Todo dia também é dia de amar, de sorrir, de cair e levantar. Todo dia é dia de mulher e todo dia é Dia da Mulher. Parabéns, mulheres.

Conteúdo Original / Fonte: Ton LIndoso, da Contilnet

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