Quando alguém diz que vai ao nutricionista, uma das primeiras perguntas costuma ser: “Você quer emagrecer?”. A associação é comum, mas, segundo a profissional Luana Diniz, reduz uma profissão que atua em diferentes áreas da saúde a apenas um objetivo. No Dia do Nutricionista, celebrado nesta segunda-feira (31), o ContilNet conversou com Luana, que deu dicas e percepções acerca da atuação.
Segundo ela, questões nutricionais vão muito além da perda de peso e envolvem prevenção de doenças, tratamento, desempenho esportivo, ganho de massa muscular, envelhecimento saudável e qualidade de vida.
“É uma associação com o princípio, mas reduz a profissão inteira para uma possibilidade só”, explica Luana.
De acordo com a profissional, o acompanhamento nutricional pode atender pessoas com objetivos bastante diferentes, desde quem busca emagrecimento até quem deseja ganhar massa muscular, melhorar o desempenho esportivo, controlar questões metabólicas ou envelhecer com mais saúde. “Eu acho que não precisa você estar acima do peso para procurar um nutricionista”, afirma.
Na nutrição clínica, por exemplo, o profissional pode atuar no acompanhamento de condições como diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e obesidade, além de situações relacionadas à saúde intestinal. Nesses casos, a alimentação passa a fazer parte de uma estratégia mais ampla de cuidado.
Para Luana, esse trabalho também precisa estar conectado a outras áreas. Ela conta que mantém parceria com profissionais como personal trainer e médico para que o paciente tenha um acompanhamento mais integrado.
“A saúde está integrada com várias outras áreas. Eu trabalho em parceria com o personal, tenho parceria com médico e, juntos, todo mundo consegue trabalhar melhor e ter um resultado melhor”, explica.
Alimentação também está ligada ao desempenho

Outro ponto destacado pela nutricionista é a ideia de que procurar um profissional significa receber uma longa lista de alimentos proibidos. — Foto: Reprodução
Para quem pratica atividade física, a alimentação pode ter papel importante tanto no ganho de massa muscular quanto na manutenção da composição corporal e do desempenho.
Segundo Luana, a nutrição esportiva pode ajudar quem busca ganhar massa magra, melhorar o rendimento nos treinos ou até prevenir a perda de musculatura.
A profissional ressalta, porém, que o acompanhamento não deve olhar apenas para números ou resultados imediatos. A preservação da massa muscular também ganha importância com o avanço da idade.
“Com o passar dos anos, eu sempre falo isso com os pacientes sobre preservar o músculo, sobre ter força, ter funcionalidade. Isso é muito importante”, afirma.
Ela explica que a perda progressiva de massa muscular está associada ao envelhecimento e pode comprometer aspectos como mobilidade, independência e qualidade de vida.
Envelhecer bem também passa pela alimentação
A busca por uma vida mais saudável não precisa começar apenas quando surge um problema. A prevenção também faz parte da atuação do nutricionista.
Para Luana, cuidar da alimentação ao longo da vida pode contribuir para que a pessoa chegue à velhice com mais força e autonomia. “Nutrição, ela pode ser emagrecimento, mas ela também é prevenção, tratamento, desempenho, força, autonomia, envelhecimento saudável e qualidade de vida”, resume.
Alimentação saudável não significa viver de restrições
Outro ponto destacado pela nutricionista é a ideia de que procurar um profissional significa receber uma longa lista de alimentos proibidos.
Segundo Luana, o planejamento alimentar precisa levar em consideração a realidade de cada pessoa, incluindo rotina, objetivos, preferências, condição financeira e prática de atividade física.
“Não existe uma alimentação saudável se ela for impossível de manter”, afirma.
Para ela, uma orientação nutricional precisa ser viável para o paciente. Isso significa adaptar as escolhas à rotina e à realidade de cada pessoa, em vez de estabelecer regras difíceis de seguir.
A profissional também defende que momentos de convivência e celebração não precisam ser encarados como inimigos de uma alimentação equilibrada. Aniversários, almoços de domingo e encontros com amigos também fazem parte da relação das pessoas com a comida. “Comer faz parte da saúde, mas também da relação social, da cultura, da história”, explica.
Por isso, segundo ela, não é necessário deixar de aproveitar um momento especial por medo de comer um bolo ou determinado alimento. O equilíbrio deve considerar o contexto como um todo.
Suplemento não deve ser o ponto de partida
A suplementação também é um dos temas que mais geram dúvidas, principalmente entre pessoas que praticam atividade física. Luana explica que, na nutrição esportiva, a necessidade de utilizar suplementos deve ser avaliada individualmente.
“A suplementação tem que ser uma consequência, uma necessidade, e não diretamente só um ponto de partida”, afirma.
Ou seja, antes de pensar no suplemento, é necessário avaliar a alimentação, a rotina, os objetivos e as necessidades específicas de cada pessoa.
Mais que montar dieta
Para Luana, o trabalho do nutricionista vai muito além de simplesmente entregar uma dieta pronta. O profissional também exerce um papel de educação alimentar, ajudando o paciente a compreender o próprio comportamento diante da comida e a desenvolver autonomia para fazer escolhas no dia a dia.
Isso inclui aprender a interpretar um rótulo, organizar refeições, compreender sinais de fome e saciedade e fazer escolhas mais conscientes no supermercado.
“O paciente não tem que só saber o que comer. Ele tem que, aos poucos, entender o porquê está fazendo determinadas escolhas, porque isso vai gerar autonomia”, explica.
