Diretor e designer da marca Cavalera visitam o povo Yawanawás, no interior do Acre

Por Suporte 21/12/2014 às 23:44

turismo-indiosnas aldeias

Os Yawanawás da Aldeia Mutum localizada na TI (Terra Indígena) do rio Gregório distante aproximadamente 500 km de Rio Branco através da BR 364 e 08 horas de navegação subindo o referido rio, receberam há poucos dias atrás um grupo muito especial. Trata-se do staff da Cavalera, uma importante grife de moda jovem nacional expandindo-se por diversos países em vários continentes. O grupo foi composto pelo seu diretor de Criação, Alberto Hiar, sua assessora de Comunicação, Helga Fuchs e seu estilista e designer, David Pollak. Os visitantes mergulharam na fauna e flora regional, e especialmente, vivenciaram um pouco desta maravilhosa etnia conhecendo um pouco de suas origens e de seus costumes. Fugir da rotina do turismo tradicional foi o divisor de águas na escolha deste roteiro turístico.

Puderam também vivenciar os rituais e brincadeiras da tradição Yawanawá tendo uma experiência introspectiva de harmonia com a natureza. Definitivamente, os turistas que embarcaram nesta expedição não foram com expectativas de se hospedarem em equipamentos turísticos cinco estrelas e muito menos usufruírem de conforto e luxo. Vieram com suas mentes voltadas a acompanhar as tradições dos moradores que lá vivem, respeitando sua cultura e tendo toda a liberdade para se juntarem a rotina da comunidade. Quanto mais integração, melhor. Seja com os índios ou com a natureza.

turismo-indios

Neste ano de 2014, no período de 10 a 15 de agosto, foi relizado na Aldeia Mutum o II Festival Mariri. Foi criado após uma visão do cacique Raimundo Tuypuru, que sempre trabalhou para as realizações culturais e espirituais dos Yawanawás. O filho do cacique, Joaquim Tashkã, assumiu a liderança da Associação Sócio Cultural Yawanawá e deu sequência ao que é hoje o festival cultural indígena que perpetua os costumes ancestrais, passados de geração em geração. O Festival Mariri, da Aldeia Mutum vem crescendo e agregando povos e raças. Ao mesmo tempo, cria um espaço onde as pessoas se sintam a vontade para conversarem, comerem, beberem e contar histórias marcantes de seus costumes. O festival reconecta as famílias e reunifica as forças dos seus ancestrais, já que o povo Yawanawá é dividido politicamente em duas organizações, a Associação Sócio Cultural Yawanawá, representando a Aldeia Mutum e demais seis aldeias, e a Cooperativa Yawanawá, reunindo a Aldeia Nova Esperança e Amparo.

Toda a logística da expedição foi cuidadosamente planejada, arquitetada e operada pela MAANAIM Turismo. Surgida em 2007 trouxe um novo, exótico e sustentável conceito de turismo praticado em nossa região. O pioneirismo, o empreendedorismo e a sustentabilidade em suas ações fazem serem reconhecidos e postos na vanguarda do mercado turístico regional. Seus produtos primam pela qualidade e segurança aos passageiros. Preparam viagens para destinos de natureza preservada com a seleção dos melhores roteiros, experiências, passeios e hospedagens. Oferecem serviços turísticos que garantem conforto e segurança aos viajantes, com guias de qualidade e conhecimento sobre os destinos. Respeitam os limites do ambiente e as necessidades dos prestadores de serviços locais. É desta maneira que trabalham arduamente para que cada viagem ou expedição seja uma experiência única no contato com a natureza. Sua presença no mercado tem a marca da qualidade da operação e do respeito ao cliente, à natureza e aos moradores das regiões visitadas. Desta maneira imprimiram um conceito diferente no mercado turístico regional: TURISMO – SOCIO – AMBIENTAL VIVENCIAL, explica seu diretor, o turismólogo João Bosco Nunes.

turismo-indios2

Sete horas de avião, sete horas de carro e oito horas de barco depois, Alberto Hiar, dono da Cavalera, Helga Fuchs, consultora de comunicação da marca, e David Pollack, stylist, chegaram à tribo indígena Mutum, de etnia Yawananá, no Acre. “Como o barquinho de alumínio não tinha encosto, levamos cadeiras de praia para ter um pouco de conforto na viagem”, disse Alberto, que acabou de voltar. Lá na tribo, habitada por 100 índios, o banheiro era um buraco no chão. Para tomar banho, Alberto, Helga e David usavam o rio. Foram três dias assim, um refúgio no meio da floresta, sem acesso à internet, luz elétrica, nada. “Foi uma cura espiritual não usar celular, ficar afastado do mundo”, contou Alberto. Confira a entrevista:

Glamurama: Como é a cultura da tribo?

Alberto Hiar: Percebi que existem tribos e existem vilarejos. A última tem estrutura, com direito a supermercado. Achei isso estranho. Gostei mesmo de entrar em contato com a tribo que não tinha luz, internet. O Mutum é hospitaleiro e preza a cura espiritual. Eles me contaram a história deles: a chegada dos seringueiros, a entrada da igreja evangélica e como eles conseguiram se afastar de tudo isso e entrar novamente em contato com a sua cultura.

Glamurama: O Mutum tem algum ritual?

Alberto Hiar: A bebida sagrada Uni. É um chá psicotrópico que gera dois efeitos: refluxo ou diarreia. Eu tive refluxo, que segundo a tribo, significa limpeza espiritual. Existem também os festivais, feitos para mostrar a cultura da tribo para turistas. Os índios criam pulseiras, cocares e lanças para vender aos visitantes. O artesanato é o maior fonte de renda da tribo. E por falar nisso, quando cheguei à aldeia, fui recebido com um incenso extraído de seiva e queimado no carvão. O cheiro foi tão incrível que eu comprei deles.

Glamurama: Como foi o seu dia a dia lá?

Alberto Hiar: Foi a primeira vez que eu conheci uma aldeia. A pesca era incrível: os índios esmagavam uma planta e jogavam no rio, aí os peixes adormeciam e eles pegavam o bicho com a mão. Meu café da manhã era rodeado por nativos, sempre ouvindo a história deles. Levaram a gente para uma cabana espiritual, conhecer uma árvore que tem mais de 800 anos e ver onça e jiboia, mas desse programa eu não quis participar. Todo fim de tarde, os índios cantavam juntos e faziam brincadeiras. Existe um jogo em que o homem segura uma cana de açúcar e as mulheres tiram dele. Só que elas batem que nem homem e podem fazer o que quiserem para resgatar a cana. Uma voou em cima de mim e eu cai e desmaiei.

Glamurama: Porque você teve interesse em conhecer a tribo?

Alberto Hiar: Há quatro anos, eu viajo o mundo em períodos de 4 a 5 meses; sempre em destinos têxteis na França, Turquia, China e Índia. Ultimamente, eu tenho tido vontade de conhecer lugares novos. No ano passado, fui para Bali e dessa vez quis visitar uma tribo. Agora, vou para Butão em janeiro ficar quatro dias de férias. É que a data bate com as minhas viagens a trabalho para Índia e China.

Glamurama: Esta viagem vai inspirar uma coleção da Cavalera?

Alberto Hiar: É impossível dizer que a viagem não me moveu e me inspirou de alguma forma. Mas eu fui com a vontade de desconectar do mundo, mesmo.

Glamurama: O que você levou da cultura do Mutum para a sua vida?

Alberto Hiar: Cheguei a conclusão de que você não precisa de tudo o que busca. O índio caça e colhe o que ele precisa para se sustentar. Enquanto isso, a gente corre atrás de ter dez sapatos no armário, por exemplo, só para depois ficar infeliz porque não temos o par que o outro tem.

Glamurama: De que forma os índios se parecem com a gente?

Alberto Hiar: É complicado responder isso porque depende da tribo. Mas no caso do Mutum, a tribo é muito unida, os índios se respeitam. Do mesmo jeito que uma tribo de skatistas se respeita. Eu percebi, também, que os índios não querem a loucura da cidade. Alguns saem da tribo em busca de algo maior, mas voltam, pois se dão conta de que a gente tem nada e eles tudo.

Glamurama: Você pretende voltar à tribo e conhecer outras também?

Alberto Hiar: Quero voltar à tribo em agosto para participar do festival deles. Mas, antes disso, pretendo trazê-los a São Paulo, em maio ou junho, para divulgar o evento. Vou, também, patrocinar o time de futebol do Mutum, fornecendo uniforme, meia e bola de futebol. Quanto a outras aldeias, quero visitar uma tribo mais afastada, a Lainca, que vive ainda mais em contato com a natureza. Também quero conhecer a Himba, na Namíbia, na África. Gostaria de agradecer a Maanaim Turismo e o nosso guia nesta expedição, João Bosco Nunes, que foi incrível com todo seu conhecimento.

Conteúdo Original / Fonte: Manuela Almeida

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensão de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteúdo de qualidade gratuitamente.