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“É uma realização pessoal e um desejo do meu pai”, diz Ilderlei sobre pré-candidatura

Por Wania Pinheiro, ContilNet Fonte: Jorge Natal, para a ContilNet 07/04/2016 às 23:57
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Quero cuidar da cidade e da nossa gente, diz Ilderlei Cordeiro, pré-candidato a prefeito de Cruzeiro do Sul

O ex-deputado federal Ilderlei Cordeiro, 33 anos, herdou do pai, o também ex-deputado e empresário Ildelfonço Cordeiro, morto em desastre aéreo em 2002, aquilo que bem caracteriza o povo juruaense: a simpatia e a espontaneidade. Apesar da pouca idade, ele acumulou experiências sendo vice-prefeito da sua cidade, Cruzeiro do Sul, no mandato da ex-prefeita Zilla Bezerra, e no exercício de um mandato de deputado federal de 2009 a 2012.

Como qualquer político, cometeu erros que o levaram ao ostracismo, mas, subitamente, nas últimas eleições, recuperou seu prestígio com os quase 14 mil votos conquistados na disputa para tentar reconquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Foi uma votação tão expressiva que lhe reinseriu no cenário político acreano.

Agora, Cordeiro tem novos planos políticos, e quer ser prefeito de sua terra natal: Cruzeiro do Sul, o segundo maior colégio eleitoral do Estado. Caso tenha o nome confirmado como candidato a prefeito, vai ter que conviver com o ônus e o bônus de ser do PMDB. O principal articulador da sua candidatura é o atual prefeito Vagner Sales, apontado como o “último coronel de barranco” da política local. Uma das principais características de Sales é a política do compadrio e da estratégia eficiente. Em 2014, conseguiu eleger a filha, Jéssica Sales, deputada federal, isso mesmo sem ela morar no Acre à época.

Ilderley sofreu revesses com a perda do pai, mas fez da adversidade portal para ser um “novo homem”, agora mais maduro, seguro e com propósitos bem definidos. Evangélico há seis anos, entende que política e fé não devem se misturar, apesar de compreender, também, que elas podem caminhar paralelamente “O Brasil é laico e isso é fascinante, pois caracteriza o Estado democrático que somos”, analisa ele.

Mas nem tudo são flores. Em meio à crise econômica, com o descrédito da representatividade política, passou a ser comum encontrar o povo bradando, com justa razão, contra seus representantes: “Só pensam neles.” “São todos iguais.” Frases como estas são comuns no tiroteio disparado contra os políticos. As manifestações de rua são um bom exemplo disso.

Todavia, como toda unanimidade é burra, com dizia o dramaturgo Nelson Rodrigues, toda generalização também nos parece injusta. Esta aí a provar a trajetória e o novo momento de Ilderlei Cordeiro. Tal quais os gregos e São Thomas de Aquino, ele concebe que o verdadeiro e único propósito da política é servir. “A política é para fazer retornar às pessoas aquilo que é delas.”

O pré-candidato conclama a população para opinar nas eleições que se avizinham porque, a seu ver, além de legitimar a sua candidatura, as novas ações se pautariam na discussão e elaboração coletiva, o que as tonariam verdadeiramente democráticas e populares. “As políticas públicas precisam ser mais ousadas, criando, principalmente, oportunidades de emprego e renda”, assim concebe Cordeiro, para quem os políticos precisam ser próximos da população.

Ilderlei fala sobre sua pré-candidatura a prefeito de Cruzeiro do Sul/Foto: ContilNet

Ilderlei fala sobre sua pré-candidatura a prefeito de Cruzeiro do Sul/Foto: ContilNet

Abonando fichas de filiação na sede partido, ele recebeu a equipe da ContilNet e concedeu esta entrevista franca e descontraída.

ContilNet – O que é a política? Para que serve a política?

Ilderlei Cordeiro – Considerando que a política é uma atividade nobre que deve ser colocada a serviço das pessoas e do interesse das comunidades, ainda é a forma mais apropriada e eficiente, materialmente falando, de se lutar por um mundo melhor. A política é intrínseca ao ser humano. Surge da necessidade de dialogar. Deve ser exercida com grandeza, espírito público e causas. É uma arte e vocação feita para grandes homens. É uma atividade para expor e debater ideias. A imensa maioria dos políticos não defende a coletividade. Daí a frustração e indignação das pessoas nas recentes e presentes manifestações de rua.

Por que o senhor quer ser prefeito de Cruzeiro do Sul?

Quem é que não embala o sonho de ser prefeito da cidade onde nasceu? (risos). É o sonho de todo cidadão de bem que quer cuidar da cidade e das pessoas. Isso vem de dentro da minha família, principalmente com o meu pai, que, infelizmente, não teve essa oportunidade. Trata-se de uma realização pessoal e um desejo do meu pai. A mudança na vida das pessoas só acontece através de ações. Iremos trabalhar para criarmos uma nova cultura política, principalmente a do pertencimento. É preciso entender que esta cidade e este Estado pertencem às pessoas e estas, por sua vez, precisam se sentir proprietárias dos recursos, dos espaços públicos, enfim, de tudo que dispomos. Não é só o poder público que tem a obrigação de cuidar das cidades e do Estado.

Como foi essa ida para o PMDB, e como é conviver com o “Leão do Juruá”?

Na verdade, eu estava me preparado para fazer um bom trabalho como deputado federal de novo. E foi por isso que fui candidato em 2014. Não deu para me eleger, mas Deus sabe tudo, e as coisas acontecem no tempo Dele. Sinto-me um homem vitorioso, uma vez que fiquei quatro anos fora da política convencional. Tive apoio apenas dos amigos, familiares e da população acreana, que é maravilhosa. Isso nos credenciou para ser candidato a prefeito de Cruzeiro do Sul. Comecei a receber convites e incentivos. A partir disso e ainda no PR, que é um partido forte nacionalmente, comecei a conversar com os partidos. Em uma dessas conversas, recebi o convite do prefeito Vagner Sales para ingressar no PMDB. Falei para ele sobre o carinho e a consideração do PR para comigo, e que iria pensar na proposta. Muita gente inventa intrigas entre nós, que nunca fizeram parte dos nossos procedimentos. Fui a Brasília porque eu precisava sair pela porta da frente, expliquei a situação e, graças a Deus, fui compreendido. Eles me abençoaram e deixei o partido. A administração do Vagner é quase uma unanimidade na zona rural e, na cidade, ele ficará conhecido como um dos melhores prefeitos do município. Isso para mim é uma honra e uma enorme responsabilidade.

Ilderlei aceitou o convite de Vagner Sales para se filiar ao PMDB

Ilderlei aceitou o convite de Vagner Sales para se filiar ao PMDB

Qual é a sua experiência como gestor público?

Quando eu fui vice-prefeito, tive a oportunidade de conhecer a administração pública e, principalmente, conviver com os servidores. Foi uma experiência em tanto. Estudei e conheci leis porque é preciso obedecer aos cinco princípios da administração pública, ou seja, a legalidade, a impessoalidade, a moralidade, a publicidade e a eficiência. Eu andava muito, conversava com as pessoas e via que tínhamos limites, mas, também precisávamos ser ousados. Quem não inova fica refém de crises e de outros gargalos próprios da gestão pública. A prefeita não dava condições para eu trabalhar e, por isso, fui candidato a deputado federal. Quem quiser ser prefeito, primeiro precisa ter experiência no Legislativo. É preciso conhecer os tramites entre os poderes, desburocratizando e facilitando o aporte financeiro que tanto precisamos. O exercício do mandato de deputado federal foi uma experiência tremenda, principalmente no tocante à liberação de emendas, convênios com ministérios e captação de recursos a fundo perdido. Ainda como parlamentar, aprendi a me relacionar com outras forças políticas, o que é importante para equalizar problemas e encontrar soluções.

Como é ser pré-candidato na pior crise econômica de todos os tempos, agravando-se pela redução do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Além disso, existe uma crise ética e moral afligindo a classe política?

Ser pré-candidato é uma honra e, ao mesmo tempo, uma enorme responsabilidade. A crise pode se aprofundar, embora eu não queira isso. A consequência vai ser muito forte para alguns setores, que estão integrados à economia urbana, pois as empresas terceirizadas começarão a demitir. Pais de família começam a perder os seus postos de trabalho. A classe média está pagando um preço altíssimo com inadimplência, porque uma boa parte dela já não consegue mais pagar suas contas. Com o desemprego, que aumenta a cada dia, essa situação deve piorar. Precisamos recuperar a credibilidade. Isso é válido para o governo, é válido para a oposição e é válido para quem está assumindo posição. Esse é o momento de encarar a verdade, fazer autocrítica, enfrentar os problemas e reconhecer que não resolvemos nada sozinho. No tocante à prefeitura, temos que alargar as parcerias e otimizar os recursos para naquilo que definirmos como prioridade. Iremos superar a crise com ousadia e criatividade, mesmo porque o povo do Juruá tem um espírito guerreiro e empreendedor. Ser ético não é só possível, mas necessário. Tive uma boa formação familiar, graças a Deus, firmei valores e princípios cristãos que formam o meu caráter. É necessário fazer uma gestão ética. É só ver como está a situação da maioria das prefeituras Brasil afora. As legislações e os órgãos de controle estão mais rígidos. Corrupção e desmandos não serão tolerados na nossa, se Deus quiser, futura administração.

O senhor era ‘playboy’, mas agora é convertido ao cristianismo? É evangélico? Protestante?

Não que eu fosse playboy (risos), mas é que meu pai tinha uma boa condição financeira e eu usufruía disso. Foi uma dádiva de Deus ter nascido naquelas condições, sendo filho do Ilderfonço e da Arlete. Graças a Deus eu nunca mudei nesse sentido. Sempre gostei de falar às pessoas, compreendendo que somos todos iguais perante Deus, e que o orgulho e a altivez não constroem nada. No tocante à fé, a minha transformação, bem vamos lá… De uma forma ou outra, todos dizem ter Deus dentro de si. Não quero questionar isso, mas apenas falar de mim. Eu ia para a igreja com a minha mãe para seguir e conhecer a religião, da mesma forma com amigos e parentes. Mas eu sempre quis conhecer do meu jeito. Quando estava no meio de meu mandato de deputado federal disse: Senhor eu já pedi muito para mim! Agora quero fazer por ti. O que o Senhor quer fazer da minha vida. Eu já tinha sido muito realizado nos meus pedidos. Pedi pra ele fazer da minha vida não mais a minha, mas a Dele. Foi aí que Deus passou a me transformar e me fazer um homem melhor e feliz. A cada dia conheço mais a palavra de Deus.

É possível conciliar fé e política?

Deus levantou o rei Davi, o seu filho Salomão, José e outros. No mais, principalmente, depois da imprescindível contribuição das civilizações grega e romana, o mundo testemunhou equívoco e horrores praticados por essa fusão política e religião. Precisamos voltar para o convívio da igreja, prestar mais atenção nos ensinos da Palavra, a fim da necessária intervenção no meio social e político, pois a Bíblia não prepara o pecador só para morrer, mas também para viver como “sal da terra”. É possível, sim, fé e política se complementarem, ou seja, caminharem juntas.

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