O avanço do El Niño tem elevado a possibilidade do fenômeno se transformar em um dos mais fortes registrado em mais de 70 anos. De acordo com a atualização mais recente do relatório da Administração Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA), divulgada na última quinta-feira (10), há 75% de chance de o evento alcançar uma intensidade sem precedentes desde 1950 durante o trimestre entre outubro e dezembro.
No Brasil, os efeitos do El Niño variam conforme a região e com a época do ano. No Norte e em parte do Nordeste, o fenômeno tende a reduzir as chuvas e pode agravar períodos de seca. O Acre deve enfrentar um período mais seco e quente nos próximos meses.
A informação foi segundo a terceira edição do Painel El Niño 2026-2027, divulgada nesta terça-feira, 1º de setembro. A previsão para o trimestre de setembro a novembro aponta chuvas abaixo da média e temperaturas acima do normal na região, cenário que pode prolongar a estação seca, reduzir a disponibilidade de água e aumentar o risco de incêndios florestais.
LEIA TAMBÉM: Seca atingiu 38% das áreas habitadas da Amazônia no último El Niño
O boletim foi elaborado em conjunto pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Serviço Geológico do Brasil (SGB), Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC) e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
Na Amazônia Legal, o boletim aponta previsão de chuvas abaixo da média no Acre, além de outros estados como Amapá, Roraima, Pará, Maranhão, Amazonas e no norte de Mato Grosso.
Para o Acre, a combinação entre menos chuva e temperaturas mais elevadas pode favorecer o prolongamento da estação seca e diminuir a disponibilidade hídrica. O cenário também pode aumentar a vulnerabilidade da vegetação e favorecer a ocorrência e propagação de queimadas e incêndios florestais.
O alerta ganha importância durante o período de estiagem, quando a redução da umidade e a falta de chuva podem deixar áreas de vegetação mais suscetíveis ao fogo.
Acre tem 100% do território atingido pela seca
De acordo com o Monitor de Secas, a área afetada pelo fenômeno no estado saltou de 67% para 100% do território entre os meses de junho e julho.
Com esse índice, o Acre se consolidou ao lado do Espírito Santo e de Minas Gerais como um dos únicos estados brasileiros a registrar seca em 100% de sua extensão territorial no mês de julho.
VEJA: Governo federal reconhece situação de emergência por seca em todo o Acre
Além disso, o estado destacou-se por ser o único da Região Norte a apresentar o fenômeno na totalidade de sua área. Este é o maior percentual de seca registrado em solo acreano desde outubro de 2025.
Enquanto o percentual da área atingida cresceu, a intensidade do fenômeno permaneceu controlada. A severidade da seca manteve-se estável no Acre entre maio e julho, com o registro exclusivo de seca fraca, considerada a categoria mais branda na escala do Monitor.
A projeção da agência norte-americana indica que as temperaturas na região equatorial do Pacífico podem subir mais de 2,5°C acima da média no fim deste ano. Esse cenário confirma a tendência observada no levantamento anterior, de 13 de agosto, que já cravava 95% de probabilidade de um fenômeno de forte magnitude e atribuía 69% de chance de a marca histórica de 1950 ser superada, índice que agora subiu seis pontos percentuais.

