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Os efeitos políticos da Operação Lava Jato deverão ser graves, mas as consequências econômicas poderão ser ainda piores. As empresas acusadas de corrupção na Petrobras, demitiram um pouco menos de 10 mil trabalhadores.
Até março, o governo trabalha com a estimativa de que 100 mil trabalhadores possam perder o emprego devido às dificuldades econômicas que essas empresas vão enfrentar por causa da Lava Jato. Essas companhias já estão com dificuldade de obter financiamentos para rodar seus negócios.
Nos discursos de posse, o principal destaque foi a presidente Dilma Rousseff assumir que haverá sacrifício. Mesmo que ela diga que pretende fazer um ajuste com o menor sacrifício possível, fica claro que haverá um custo político e social.
A presidente procurou negar a tese de que ganhou a eleição com um discurso e que pretende governar com outro. Ela lembrou as razões que a levaram à vitória numa eleição muito disputada. Falou que o Brasil tem a primeira geração que não vivenciou a tragédia da fome e que os 12 anos de governo do PT procuraram priorizar os mais pobres e uma maior justiça social.
No entanto, há problemas na economia. Ela disse que havia o que comemorar nessa área, o baixo desemprego, por exemplo, mas também com o que se preocupar. No fundo, a presidente Dilma está dizendo que vai fazer um ajuste, mas um ajuste diferente do que seria feita em caso de vitória do senador Aécio Neves, do PSDB.
Dilma pretende aplicar um ajuste econômico gradual. Mas, ainda que seja gradual, haverá corte de gastos e aumento de tributos. As dificuldades econômicas advindas da Lava Jato poderão tornar mais duro o cenário para o ajuste em 2015.
Outro ponto de destaque foi falar da Petrobras como se ainda estivesse em campanha eleitoral. De fato, uma companhia como a Petrobras, tem os seus “inimigos externos” e os seus “predadores internos” dos quais se defender.
No entanto, a gravidade dos problemas na estatal é de responsabilidade do governo. Se algum inimigo externo ou predador interno está tirando proveito, é porque houve uma falha que permitiu que a empresa fosse saqueada.
O importante na Petrobras é melhorar a gestão da empresa, como a presidente destacou em outro ponto do discurso, para evitar novos casos de corrupção e para recuperar a capacidade de investir da empresa.
Sem essa recuperação, a economia será afetada; e outro ponto do discurso, a promessa de priorizar a educação, poderá ficar apenas no papel. O governo mudou seu slogan. Não será mais “País rico é país sem pobreza” e passará a ser “Brasil, pátria educadora”.
Mais recursos para a educação necessitam de investimentos da Petrobras para extrair o petróleo do pré-sal. Hoje, o preço do petróleo caiu e tornou essa extração menos lucrativa. A empresa tem dificuldade de caixa. Faltou uma dose maior de realismo para lidar com a questão da Petrobras.
