
“Os índios estão sendo mandados de volta sem terminar os tratamentos”, denuncia Huni Kui/Foto: Arquivo pessoal
Enquanto a índia Nazaré Ashanika, que mora no Alto Envira, município de Feijó, estava agonizando em um leito do Hospital das Clínicas, a coordenadora da Casa do Índio (Casai) de Rio Branco, Maria Aparecida Thomas, confraternizava-se com os servidores da unidade na manhã de sexta-feira (18). Líderes indígenas denunciam que a falta de acompanhamento dos servidores agravou o estado de saúde da paciente. A nossa reportagem tentou entrar na Casai, mas fomos impedidos por servidores e vigilantes.
De acordo familiares de Nazaré Ashaninka, ela veio para Rio Branco com um tumor na cabeça. Depois de feita uma cirurgia, os profissionais em saúde da Casai de Rio Branco não fizeram o acompanhamento da mulher e a encaminharam para a aldeia. “Ela sequer recebeu acompanhamento do polo indígena de Feijó”, denunciou o líder indígena Ninawá Huni Kui.
Desamparada e sem acompanhamento, a índia teve quadro clínico agravado e teve que voltar a Rio Branco, onde foi novamente submetida a outra intervenção cirúrgica. “Todos os índios têm direito ao acompanhamento de psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, entre outros profissionais em saúde. Os parentes estão sendo mandados de volta sem terminar os tratamentos e, o que é pior, sem nenhum acompanhamento”, denuncia Ninawá.

Nazaré Ashanika teve complicações após cirurgia e não vem recebendo apoio da Casai, denuncia líder indígena/Foto: ContilNet
Ele disse ainda que cerca de 200 índios das etnias Ashaninka, Kulina/Madja e de outras aldeias situadas, ao longo da região do Alto Envira, estão sem o atendimento médico. O cenário preocupante é composto, em sua maioria, por mulheres, idosos e crianças apresentando sintomas como desnutrição, febre alta, vômito e diarreia. Eles aguardam a realização de consultas, exames e procedimentos cirúrgicos, alguns expostos a uma série de riscos.
