A visita da presidente Dilma Rousseff (PT) ao Acre, que culminou com uma visita à Cidade do Povo, foi encenada em dois atos: o oficial com autoridades presentes, bandeiras e faixas e os bastidores, após as grades de isolamento, que separavam a população comum da militância petista devidamente vestida de blusa vermelha.

Ao chegar à Cidade do Povo, após ter feito uma visita ao Ginásio do Sesi, local transformado em abrigo para as vítimas da enchente, Dilma foi saudada pela militância petista e pouco aplaudida. A diferença no tom da saudação notou-se quando o prefeito de Rio Branco, Marcus Alexandre (PT), pegou o microfone e foi ovacionado pelos presentes.
O discurso da presidente Dilma foi em tom lento, fala baixa, o que fazia parecer que ela estava bastante abatida.
Por trás do corredor de grades que não permitia que a população comum chegasse perto das autoridades, estava pessoas como Maria das Graças Almeida, 56 anos, moradora do conjunto habitacional Jequitibá, que afirma que não vê qualquer vantagem no fato da presidente Dilma ter vindo ao Acre. Ela diz, ainda, que o projeto de moradia habitacional não foi feito para os mais carentes.
“O que adianta morar em uma casa dada pelo governo e você não ter uma renda, não ter dignidade e ainda receber um talão no valor de R$ 180 enquanto nenhum ventilador eu tenho”, contou.
Outra descontente com o próprio programa habitacional Cidade do Povo é a moradora da localidade, Maria de Fátima Souza, que diz que sobrevive apenas do pagamento do benefício social Bolsa Família e se queixa que a gestão de Dilma tem feito o preço de produtos gerais se elevarem.
“Ela disse uma coisa na campanha e agora é outra. Está tudo muito caro. Dizer que estas casas são de graça é mentira, pois eu creio que eles descontam tudo na conta de luz e de água. Aqui na Cidade do Povo recebi um talão de R$ 256. Não posso pagar, sem contar que tudo que é para construir, até uma cerquinha temos que pedir autorização se não eles nos multam”, declarou.
O aposentado Justino Ferreira afirmou que está decepcionado com a presidente Dilma pelo fato dela prejudicar tantos os benefícios sociais conquistados ao longo da história.
“Tudo está mudando, nossos direitos são tirados”, ressaltou.

