A situação vivida pelo ex-deputado e até hoje o campeão de votos para a Câmara Federal no partido dele, PSDB, tem sido de constantes embates com a direção local por divergência de pensamento. Mesmo sendo um político com trânsito em Brasília e extremamente bem relacionado com a direção nacional do partido, Bittar não vem sendo valorizado no Estado.
Por conta da contribuição que pode dar em um governo de oposição ao PT no Estado, Bittar disse não ter interesse em sair da agremiação, mas as palavras deixaram a transparecer existir a possibilidade.
Em uma entrevista na qual pregou sempre a união das oposições e o respeito ao peso político medido por pesquisas de opinião pública, Bittar disse estar à disposição para as próximas eleições, mas disse que nunca será candidato em uma chapa contra o senador Gladson Cameli, a quem apontou como virtual governador a partir de 2018. Veja a seguir os principais trechos da entrevista concedida à ContilNet.

Bittar é campeão de votos para a Câmara Federal pelo PSDB/Foto:Reprodução
Espero ficar no PSDB
Espero não ter de sair do PSDB, pois tenho uma excelente relação com a direção nacional do partido. Mas ainda é cedo para qualquer ação. Ainda assim, não tenho interesse ou vontade de sair do PSDB e estou aqui para contribuir.
Apesar disso, se virar o ano sem uma posição para uma união, terei duas opções: submeter-me a um rumo que considero errado ou sair. Contudo, eu tenho a paciência necessária para fazer os acompanhamentos necessários e ajudar o partido a tomar as medidas necessárias para unir a todos.
Contribuição em Brasília
No meu entender, os problemas do Acre não se resolvem por aqui. Questões como o acesso, seja ele rodoviário, ferroviário ou fluvial, a energia e todo o resto, necessitam de ações em Brasília. Assim, se estamos em uma aliança nacional com chances claras de eleger um presidente, no caso Aécio Neves, com quem me dou muito bem, posso contribuir muito junto ao Governo Federal. É por isso que enxergo estes partidos juntos e acabando com esse suplício do PT. Por isso todos temos de falar a mesma língua e unidos.
A defesa de Gladson Cameli

“Eu fui um dos primeiros a defender a candidatura de Gladson Cameli”, afirma Bittar/Foto:Reprodução
Eu fui um dos primeiros a defender a candidatura do senador Gladson Cameli, defendendo a união das oposições para limpar o Acre do PT e, para isso, sempre defendendo o nome mais bem avaliado.
Isso eu defendo que seja feito também para o Senado. Qualquer coisa fora disso está fora do consenso. E se o meu nome não estiver entre os três mais bem avaliados no Acre, não me candidatarei e vou ajudar os outros candidatos.
Mas não concordo com o que foi divulgado entre os colunistas políticos, que apontam que o PSDB estaria preparando uma chapa alternativa, com nomes para o senado e governo. Inclusive citando o meu nome. Isso não acho correto.
Relembrando a história
Contudo, precisamos reconhecer que historicamente o PSDB no Acre foi ou coadjuvante ou auxiliar do PT. E isso vem desde o governo do Jorge Viana. Depois rompeu com o PT, saiu do governo e lançou a candidatura do Bocalom, sendo este o responsável por fazer o partido crescer.
Eu, neste período, saí do PPS e vim só para cá, onde fui o deputado federal mais votado da história, mas sempre com a intenção de ser candidato a prefeito de Rio Branco. Também apoiei o Bocalom para o governo, tendo ele perdido por muito pouco para o Tião Viana. Em seguida, o Bocalom decidiu ser candidato a prefeito e eu recuei, apoiando o nome dele.
O partido cresceu sob meu comando

“Quando assumi o PSDB ganhamos seis prefeituras e perdemos por pouco o governo”, disse Bittar/Foto:Reprodução
Foi então, quando eu assumi o partido, o momento de nós crescermos, ganhando seis prefeituras e perdemos por pouco para o governo.
Em relação às últimas eleições estaduais, já trabalhávamos com a ideia de unir as oposições, mas o Bocalom optou por sair do partido e lançar candidatura própria, embora tenha nos apoiado no segundo turno.
Ainda assim, estivemos muito próximos de vencer. Mas foi neste momento onde eu entendi que não tinha mais condições de conduzir o processo partidário e entreguei o comando do partido.
O encolhimento em 2016
É preciso salientar que em 2016 o partido começou a se distanciar do restante da oposição, fazendo a opção de coligação com o PR, rachando o grupo original. Eu Sempre achei essa aliança um erro. O resultado foi um terceiro lugar em Cruzeiro do Sul, queimando a imagem de um candidato super importante e sem eleger sequer um vereador na região.
Em Rio Branco o partido foi se unir a um candidato que esteve na base petista até o último momento, ficando o PSDB em último lugar por conta disso. E mesmo nos dois municípios onde ganhamos, foi contra o PR, nosso aliado na capital. E, depois da eleição, cada partido tomou um rumo diferente.
