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Ex-superintendente do Incra diz que agenda apertada provocou seu distanciamento no PT

Por Suporte Fonte: Fábio Pontes, da ContilNet Notícias 08/06/2015 às 23:11

reginaldo incrasem tempo

O ex-superintendente do Incra no Acre, Reginaldo Ferreira, afirmou que a agenda apertada e de muitos compromissos à frente do cargo provocaram o seu distanciamento do grupo político do PT que o indicou para a chefia do órgão no Estado. A exoneração de Ferreira foi publicada na semana passada do “Diário Oficial da União”, e um dos motivos para a queda foi a perda de apoio político dentro da tendência petista Democracia Socialista (DS).

Segundo ele, porém, esta não foi a causa para a saída. Motivos pessoais e a incerteza sobre mudanças na estrutura do Incra em todo o País, por conta da troca do ministro do Desenvolvimento Agrário, levaram Reginaldo a pedir a demissão. Nesta entrevista, ele fala sobre o episódio, seu relacionamento com os servidores do Incra e as principais ações desenvolvidas em um ano de gestão.  

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ContilNet: Qual motivo provocou sua saída da superintendência do Incra?

Reginaldo:  A minha saída do Incra foi decisão pessoal. Desde janeiro de 2015 já comentava com alguns funcionários que exerciam cargo de confiança na minha gestão sobre a vontade de entregar a superintendência. Depois que passou o processo eleitoral, e com a mudança do ministro da Reforma Agrária e da presidência nacional do Incra, fiquei esperando por uma decisão de Brasília em se manifestar na mudança da superintendência ou não. Como ela demorou demais, tomei a decisão de encaminhar o documento dia 29-05-2015 para a presidenta do Incra, pedindo minha exoneração do cargo. Minha justificativa para Brasília foi que estou com meu filho caçula doente precisando muito de mim para lhe dar apoio nesse momento difícil de nossas vidas o que realmente é verdade e todos que estão perto de mim e principalmente meus amigos sabem disso. Mas, se por acaso, fosse decisão de Brasília, ou intervenção política de algum parlamentar ou mesmo do governo acriano não ia ter nenhum problema, o cargo não é meu e só fico no lugar em quem sou bem vindo, que confiam em mim, no meu caráter e na minha competência como profissional, mas, pra mim, seria tudo natural. Desde, que assumi o Incra, sempre tive liberdade para fazer as mudanças e tomar as decisões que  julgava necessárias para tentar fazer o melhor pela instituição e principalmente pelos seus clientes maiores, os assentados e candidatos a assentamentos da reforma agrária no Estado do Acre.

CintilNet: Houve algum tipo de desentendimento entre o senhor e o grupo político que o indicou para o cargo no Incra?

Reginaldo: Da minha parte, não houve qualquer desentendimento. E não tenho nenhuma magoa em relação à DS. Muito pelo contrário, só tenho a agradecer a confiança e a oportunidade a que mim foi dada. Agradeço de coração ao ex- ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, Ao ex-presidente do Incra, Carlos Guedes, a um amigo em particular que tenho muito carinho e admiração o ex-deputado federal Thaumaturgo Lima, ao deputado estadual Jonas Lima, ao vereador Marcelo Macedo e a todos os membros da DS que confiaram a indicação desse cargo a minha pessoa. Entretanto, o Incra tomou meu tempo integral de segunda a segunda dia e noite, pensei que os membros da DS entenderiam que estava dando o meu melhor para poder fazer uma gestão diferenciada de cunho técnico e inovador para que a instituição voltasse a trilhar os caminhos dos verdadeiros objetivos e missão pelos quais ela foi criada, em 1970, voltando a mostrar agilidade, eficiência e eficácia nos serviços que a mesma presta para a sociedade brasileira e em especial acriana. Apesar do pouco tempo que estive à frente da superintendência e dos inúmeros problemas que a instituição vivência e, da burocracia avassaladora principalmente de ordem jurídica e técnica que permeia em suas entranhas, consegui avançar muito nessa direção. E, portanto, a DS que dentro do PT é uma tendência que luta pela boa política brasileira podê dar sua singela contribuição para a reforma agrária brasileira e especialmente acriana. Entretanto, não sei se a DS fez essa leitura e, portanto, se entendeu o encaminhamento de um bom trabalho que estava sendo feito com competência, seriedade, respeito ao ser humano e a luz da lei e da transparência, e, que já começava mostrar seus primeiros frutos. Quanto a informação de que me distanciei da DS e que fui buscar apoio no PC do B para permanecer no cargo, tai uma informação mentirosa e falsa. Tenho muito respeito pelo PCdoB, pela bela historia de luta e importante contribuição no desenvolvimento do nosso País e Estado. Mas, realmente nunca procurei ninguém do partido para buscar apoio, ate porque não queria e não podia mais continuar a frente da superintendência e o motivos já cite anteriormente. Outrossim, seria também uma deslealdade e ingratidão com o PT  e a DS que milito já faz um bom tempo, tai, outra coisa que não faz parte da minha cartilha e dos princípios da moral e dos bons costume, é ingratidão.  

ContilNet: Como foi a construção de seu relacionamento com os funcionários da instituição?

Reginaldo: Bem! Eu avalio como muito positivo. Assim que assumi a superintendência do INCRA, meu primeiro ato como gestor foi conhecer a profundidade e dimensão dos trabalhos que a instituição presta para a sociedade, bem como, a problemática que interferiam nas execuções de suas ações. Pra isso, durante duas semanas fiz reuniões com todos os setores do INCRA, para que os mesmos apresentassem o que estava sendo feito e as dificuldades na realização de cada atividade. Pra mim, é natural que houvesse um misto de desconfiança por parte dos funcionários em relação a minha chegada à instituição, ate porque, eles sempre estavam com o pensamento de que por ser indicação política o próximo gestor estaria entrado na instituição apenas para se promover, promover grupos políticos, ou o pior, que considero de todos, apenas fazer favores inescrupulosos por conta de ter sido indicado para o cargo. Quando os funcionários perceberam que não era nada disso, por conta da postura que adotei, então passaram a confiar que realmente tinha vindo para dar minha parcela de contribuição para o fortalecimento e melhoria da qualidade dos trabalhos que Incra Acre oferece para os produtores que estão assentados em projetos de reforma agrária. Outro ponto que considero de extrema relevância foi que, todo e qualquer trabalho ou atividade pertinente à tomada de decisão em relação a cada ação a ser executada, eram tomadas sempre em conjunto, ou seja, todos os setores do Incra se reuniam no gabinete com o superintendente e após horas de discussão sobre o assunto sempre prevalecia o melhor para a instituição e seus clientes maiores, os assentados. Portanto, nunca tomei decisão sozinho em relação a qualquer que fosse as atividades ou trabalhos que era de responsabilidade da instituição para com a sociedade. Então, como me chamar de arrogante se fiz uma gestação compartilhada sempre respeitei a todos os servidores do mais simples ao mais alto dentro da escala de hierarquia, escutei a todos e, as portas do gabinete sempre estiverem abertas a todos os funcionários, todos os produtores, todas as autoridades, todos os políticos independentes de sigla partidária. Acho que mais democrático e humilde impossível do que se vê hoje em muitas das repartições públicas brasileiras.

Contilnet: Quais as ações desenvolvidas no seu mandato o senhor destacaria como as mais importantes?

ContilNet: em, como disse anteriormente, apesar de pouco tempo, fui ao Incra trabalhar e, apesar dos problemas que pairam sobre a instituição, consegui juntos com todos os funcionários trabalhar com muita dedicação e esforço e fazer um pacto pela realização se não de tudo o que tinha sido programado no Plano Operacional de Atividades do Incra para 2014, pelo menos os mais importantes e que impactavam diretamente os assentados e candidatos a assentamentos. Igualmente, como não achar que foi um belo trabalho de todos os funcionários e da superintendência do Incra como um todo, se assumi a instituição no final de Maio de 2014 onde, o cenário que estava posto no momento era de puro clima de copa do mundo e ano eleitoral que foi decidido em dois turnos para presidente da republica e governador aqui no Acre. Portanto, de forma sucinta, estou colocando as ações que considero de maior importância nesse ano de gestão que estive a frente da superintendência do Incra Acre, onde também tivemos que planejar muito e ter muita criatividade em função de falta de veículos para trabalhar, funcionários desestimulados pelos baixos salários, falta de funcionários para suprir as demandas de atividades que precisam ser executadas em tempo hábil, além de a instituição ter hoje no quadro de funcionários aproximadamente 80 que estão para se aposentar dentre tantos outros problemas que tive que enfrentar e fazer gestão para resolver ou minimizar e fazer com que os impactos fossem os menores possíveis sobre as atividades que queríamos executar.

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