fechando o cerco
Em decisão publicada no início da noite desta quinta-feira (12), o ministro Luiz Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), atendeu a todos os pedidos feitos pelo Ministério Público Federal (MPF) com relação à investigação do governador Tião Viana (PT) na operação Lava Jato.
Entre elas está o fim do sigilo nas investigações e uma verdadeira varredura na prestação de contas da campanha do então candidato ao governo do Acre, em 2010, Tião Viana.
O petista é investigado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O processo de Tião foi desmembrado do outro governador também investigado, Luiz Fernando Pezão (PMDB), do Rio de Janeiro. A partir de agora, a Polícia Federal terá um prazo de 90 dias para fazer um pente-fino nas prestações de contas do comitê financeiro de Tião entregues ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
De uma sindicância preliminar, a investigação sobre o suposto beneficiamento do governador no esquema do petrolão passou a ser um inquérito. Ao justificar o desmembramento do caso de Tião, Salomão afirmou que ele se faz necessário para facilitar a obtenção de dados e a garantia do amplo direito de defesa, que poderá ser feito por escrito, sem a necessidade do governador prestar depoimento pessoalmente à Polícia Federal.
Em 2010 a campanha de Tião já tinha sido alvo da Polícia Federal em investigação sobre a prática de abuso de poder político e econômico. O MP solicita que outras diligências sejam feitas além das análises das prestações protocolares enviadas ao TRE. A PF pode aproveitar, inclusive, parte do material recolhido à época.
Em nota divulgada após a decisão de Salomão, Viana negou qualquer envolvimento no caso, afirmando jamais ter tido contado com as pessoas que o acusam de ter recebido dinheiro do petrolão. Segundo ele, todas as suas prestações de contas foram analisadas e aprovadas pela Justiça Eleitoral.
O governador do Acre é acusado de ter recebido R$ 300 mil para sua campanha ao Palácio Rio Branco, em 2010.