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“Existem laboratórios de cocaína em aldeias indígenas do Acre”, denuncia ambientalista

Por Wania Pinheiro, ContilNet Fonte: Jorge Natal, da Contilnet 01/12/2015 às 15:57

Um ambientalista, que pediu para não ser identificado, procurou a ContilNet para denunciar a existência da fabricação e distribuição de cocaína em aldeias indígenas do Alto Purus, no município de Santa Rosa do Purus, fronteira do Acre com o Peru. Ele também afirmou que o esquema é comando por servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai) e Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).

O esquema teria sido descoberto depois da prisão do índio Josemir Nachipo da Silva Jaminawa, 24 anos, que foi preso no município de Sena Madureira, no último dia 19, portando 2,5 quilos de pasta a base de cocaína e 5 quilos de maconha. “Eles estão aliciando os índios sob o argumento que eles não podem ser presos”, relevou o homem para quem os laboratórios estariam instalados nas terras indígenas Alto Rio Purus e Cabeceira do Rio Acre.

De acordo com denúncia do Ministério Público Federal (MPF) do Estado do Amazonas, índios das aldeias Marienê, Seruini, Castanheira, Kassiri, Maripuá e Jagunço, no município de Pauini, estão plantando maconha em suas nas terras para traficar e consumir. “Eles levam a droga para a cidade, vendem para as bocas-de-fumo ou trocam por óleo, açúcar e sabão”, disse o denunciante.

O presidente da Federação dos Povos Huni Kui do Acre (Fephac), Ninawá Inú Huni Kui, disse que a terra indígena do Alto Purus é habitada pelo seu povo, os Madja e os Jaminwa. “Embora esteja muito próxima ao Peru, eu desconheço qualquer envolvimento de índios daquela região com o tráfico de drogas”, assegurou o líder indígena.

O chefe de Divisão da Funai do Alto Purus, Eliano Lira, disse que a jurisdição do órgão no Acre inclui apenas o município amazonense de Boca do Acre, reconhecendo o plantio, consumo e tráfico de maconha nas aldeias da região. Quanto aos laboratórios de cocaína e o envolvimento de servidores com o tráfego, afirmou desconhecer qualquer fato. ”Também não temos nenhum veículo na região do Alto Purus”, acrescentou.

A reportagem tentou falar com a Polícia Federal, mas o superintende estava viajando. O seu substituto, Flávio Avelar, estava participando de uma correição e não pôde nos atender. Também tentamos contato com o procurador da República, Luiz Gustavo Montovani, mas ele estava na mesma atividade do representante da Polícia Federal. A reportagem também tentou com representantes da Sesai, mas também não foi possível até o fechamento da reportagem.

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