O adolescente J.V.S , 12 anos , gravemente ferido na manhã de sexta-feira (9), saiu da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na última quarta-feira (14) e conversou com o jornalismo da ContilNet na manhã desta quinta-feira (15) após o grave acidente ocorrido dentro do Terminal Urbano, em Rio Branco.
Conforme noticiado pela ContilNet , o adolescente caiu ao tentar pegar um ônibus no Terminal e uma das rodas acabou passando sobre suas pernas, causando fraturas expostas. Populares o ajudaram até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, mas o motorista e a cobradora do veículo se evadiram do local.
“Ele ia para o treino de futebol e desembarcou no Terminal Urbano para pegar o ônibus que faz a linha Distrito Industrial. É sempre um alvoroço para pegar certos ônibus e, quando ele se aproximou, o ônibus arrancou. Meu filho bateu na lateral do ônibus, pedindo para ele parar. A cobradora viu, olhou e não deu atenção. Ele se desequilibrou e caiu. A população pediu para o motorista parar o ônibus, mas ele não deu a mínima atenção e passou por cima da perna do meu filho . E só parou o ônibus por causa do alvoroço que a população fez”, conta Manuela Souza, mãe do adolescente.
A mãe conta, ainda, que o motorista e a cobradora do veículo não prestaram socorro e se esconderam no espaço do Sindicado das Empresas do Transporte Coletivo do Acre (Sindcol), no Terminal Urbano.
“Ao invés de socorrer meu filho, uma criança de 12 anos, ele foi se esconder! Foi com destino ao lugar onde ficam os motoristas, ele e a cobradora. Ele se escondeu e foi direto pra delegacia. Pegou o advogado da empresa e foi pra lá. Foi ouvido pelo delegado, foi liberado e no outro dia já estava trabalhando. Já meu filho, perdeu a perna […]. Meu filho era uma criança sadia e cheia de sonhos”.
Os pais do adolescente não sabem o que fazer, já que não possuem condições de arcar com o tratamento do filho.
“A empresa não está dando assistência. Passei três dias me humilhando para a empresa por ajuda. O pai mora em outro estado e está desempregado, e eu passei três dias de muita humilhação para conseguir trazer o pai do meu filho pra cá, pra acompanhar de perto nosso filho. A advogada da empresa nem me atende mais, eles só queriam saber se meu filho ia morrer ou não pois, depois que ele saiu da UTI, um rapaz da empresa e a advogada, que estavam acompanhando o caso, sumiram!”, conta.
O adolescente estava uniformizado e acompanhado de mais outros dois garotos, um de 14 e outro de 16 anos. Eles se deslocavam para o Centro de Treinamento do Santos, o Meninos da Vila, localizado no bairro Distrito Industrial. Em vídeo, gravado pela equipe da ContilNet, o adolescente fala sobre o acidente e mostra as escoriações pelo corpo.
A reportagem tentou contato com o Sindcol através do telefone (68)3224-5774, mas não obteve êxito. A ContilNet também não conseguiu falar com representantes da empresa Auto Viação Floresta, mas vai continuar tentando obter manifestação dos diretores da empresa sobre o caso.

