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Indígena acreana representa o Brasil em programa internacional na Suíça

Por Redação ContilNet 06/07/2026 às 16:53
Indígena acreana representa o Brasil em evento na Suíça

Indígena acreana representa o Brasil em evento na Suíça/Foto: cedida

A liderança indígena acreana Xiú Shanenawá, natural de Feijó, no interior do Acre, vai representar o Brasil em uma agenda oficial da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, na Suíça. Sua participação é resultado da aprovação no Programa de Bolsas para Representantes Indígenas do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), uma iniciativa internacional voltada à formação de lideranças indígenas em direitos humanos.

O processo seletivo reuniu aproximadamente 300 candidatos em todo o Brasil e também com participantes de 28 países. O curso preparatório iniciou dia 8 de junho e foi até o dia 19. Após ser aprovada, Xiú participou da formação promovida pelo ACNUDH e hoje integra as atividades realizadas na sede da ONU em Genebra, onde acompanha debates e mecanismos internacionais voltados à promoção e à proteção dos direitos dos povos indígenas.

Indígena do povo Shanenawá, Xiú é filha da saudosa Ivonilde Shanenawá, liderança indígena que dedicou parte de sua vida a saúde indígena e ao Hospital Geral de Feijó. Sua trajetória foi construída entre a aldeia, a cidade de Feijó e, posteriormente, Rio Branco, sempre guiada pelos ensinamentos de seu povo e pelo compromisso com a defesa dos direitos indígenas.

Indígena acreana representa o Brasil em programa internacional na Suíça

Xiú é do povo Shanenawá/Foto: cedida

Graduada em Bacharelado em Administração pelo Instituto Federal do Acre (Ifac), Xiú é empreendedora, fundadora da Awafena Fadas em Ação, ativista cultural e presidente da Organização das Mulheres Indígenas do Acre, Sul do Amazonas e Noroeste de Rondônia (SITOAKORE), entidade que atua no fortalecimento das mulheres indígenas, na valorização da cultura, na proteção dos territórios e na promoção dos direitos humanos.

Também é integrante da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA), membro do Conselho Estadual dos Direitos das Mulheres (CEDIM) e do Comitê Estadual de Prevenção e Combate à Tortura e à Violência do Estado do Acre, contribuindo para a construção de políticas públicas voltadas aos direitos das mulheres e dos povos indígenas.

Em Genebra, Xiú leva à comunidade internacional as vozes dos povos indígenas da Amazônia brasileira, defendendo a proteção dos territórios tradicionais, os direitos das mulheres indígenas, a preservação da cultura dos povos originários, a justiça climática e a participação efetiva dos povos indígenas nos espaços de decisão.

Em Genebra, Xiú leva à comunidade internacional as vozes dos povos indígenas da Amazônia brasileira

Em Genebra, Xiú leva à comunidade internacional as vozes dos povos indígenas da Amazônia brasileira/Foto: cedida

“Minha trajetória começou na aldeia, passou por Feijó, seguiu para Rio Branco e hoje me trouxe até Genebra. Representar os povos indígenas na ONU é uma honra e uma grande responsabilidade. Levo comigo a memória da minha mãe, Ivonilde Shanenawá, os ensinamentos da minha vó santa Batista (tsaka Shanenawa) e a voz das mulheres indígenas do Acre e da Amazônia. Esta conquista não é apenas minha, mas de todos aqueles que acreditam na força da educação, da cultura e da luta pelos direitos dos povos indígenas”, disse.

A presença de Xiú Shanenawá na ONU representa um importante reconhecimento da liderança indígena acreana e reafirma o protagonismo das mulheres indígenas brasileiras nos espaços internacionais de defesa dos direitos humanos. Sua trajetória demonstra que a força da ancestralidade, aliada à educação e ao compromisso com o bem comum, pode romper fronteiras e levar a voz da Amazônia aos principais fóruns mundiais.

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