soltando o verbo
O vice-presidente do Senado Federal, Jorge Viana (PT) concedeu entrevista coletiva à imprensa acreana na manhã de segunda-feira (09) onde falou dos movimentos pedindo o impeachment da Presidente Dilma, os escândalos políticos que tem assolado o país, oposição e economia da nação, entre outros assuntos.
Viana admitiu, em declaração aos jornalistas, que o PT precisa reconhecer seus atuais problemas e reconquistar a confiança que já teve outrora. “Precisamos fazer um exercício de reflexão, ouvir as bases e reconquistar a admiração das pessoas”, disse.
A respeito da organização dos movimentos marcados para acontecer em diversos Estados pedindo o impeachment de Dilma Russef (PT), Viana coloca na cota da oposição e afirma que é hora de descer do palanque.
“A eleição já passou. Discutir impeachment é estender o terceiro turno das eleições. Sou a favor de um entendimento com a oposição para que possamos trabalhar juntos em prol do País”, declara.
Mesmo dizendo desejar compor com a oposição em função da melhoria do Brasil, o senador é ferino ao afirmar que a oposição se precipita em pedir instauração de Comissões Parlamentares de Inquéritos (CPIs) quando os trabalhos maus começaram.
“Nem bem começamos a trabalhar e já tem oposicionista na Câmara e no Senado querendo instaurar CPI. A CPI da Petrobrás ainda nem foi finalizada. A CPI é um instrumento muito importante, mas que está sendo vulgarizado. Se usarem apenas para fazer espetáculo irá desgastar este importante instrumento”, salientou ao ser indagado sobre o escândalo financeiro envolvendo a maior estatal do Brasil.
A respeito do suposto desvio de dinheiro da Petrobrás e a operação Lava Jato, deflagrada em março de 2014 e que investiga um grande esquema de lavagem e desvio de dinheiro envolvendo a Petrobrás, grande empreitas do País e políticos, Jorge Viana diz que não estão envolvidos apenas petistas e sim, que é uma questão suprapartidária. “A lista dos envolvidos é suprapartidária. Pode ser quem hoje esteja na bancada como acusador, seja em breve o próximo acusado”, disse, colocando todos em uma espécie de vala comum da corrupção.
Ainda na tese de que a corrupção não pode ser jogada apenas na cota do PT, o senador frisou que de acordo com declarações do delator da Lava Jato, doleiro Alberto Youssef, o pagamento de propinas começou em governos tucanos. “Começou no governo FHC e continuou nos governos que seguiram”, frisou.
A respeito do governo Dilma, o vice-presidente do Senado garantiu que a Presidente não deseja mexer em conquistas sociais do trabalhador, como é o caso do seguro desemprego, aposentadorias e outras conquistas regidas pela Consolidação das Leis do Trabalho. “A ideia não é prejudicar o trabalhador, mas sim, punir pessoas que se beneficiam ilegalmente desses direitos”, declarou.
Jorge Viana citou ainda que o seguro defeso, assistência financeira temporária concedida ao pescador profissional que exerça sua atividade de forma artesanal, individualmente ou em regime de economia familiar, ainda que com o auxílio eventual de parceiros, está sendo usado de forma indevida. “Tem lugar onde nem rio existe e há pessoas recebendo seguro defeso. Coisas como estas são absurdas”, declarou.
Por fim, o Senador afirmou que embora não em caráter oficial, mas tem ajudado numa espécie de interlocução mais direta entre a base do PT e a Presidente Dilma. “Esta semana recebi na minha casa o ministro chefe da Casa Civil, Aloízio Mercadante e outros deputados do PT. Estarei com o Lula em algumas dessas viagens que ele fará aos estados”, frisou.