As lhamas e alpacas apreendidas no Acre no último dia 20 de maio poderão ser submetidas a abate sanitário. O posicionamento consta em manifestação do Ministério Público Federal (MPF), que acolheu a recomendação técnica do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e defendeu a eliminação dos animais diante do risco sanitário. A decisão final, no entanto, ainda depende da Justiça.
Atualmente, os 30 animais sobreviventes estão sob os cuidados da ONG Patinha Carente, na zona rural de Porto Acre. Eles foram levados para o local após a apreensão, ocorrida em um posto de fiscalização na BR-364.
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Segundo o MPF, a manifestação foi baseada em nota técnica do Mapa, que apontou a ausência de documentação zoossanitária, a importação irregular e a falta de rastreabilidade dos animais. O órgão também destacou que lhamas e alpacas são suscetíveis à febre aftosa, o que poderia representar risco ao rebanho brasileiro.
“Em face da robusta manifestação técnica do Ministério da Agricultura e Pecuária, que informa que a manutenção dos animais sem origem comprovada e sem histórico sanitário configura situação de elevado risco sanitário, com potencial de impacto não apenas estadual, mas nacional, e ante a inviabilidade de medidas alternativas, o MPF manifesta-se favoravelmente à recomendação de eliminação sanitária dos animais apreendidos, na forma tecnicamente mais adequada”, afirma trecho do parecer.
Inicialmente, o Ministério Público Federal avaliava a possibilidade de devolver os animais ao empresário Wellington Vieira de Araújo, apontado como proprietário da carga. Após a manifestação técnica do Mapa, porém, passou a defender o abate sanitário.
Ao todo, 43 lhamas e alpacas foram apreendidas durante uma fiscalização na BR-364, a cerca de 115 quilômetros de Rio Branco. De acordo com as autoridades, os animais eram transportados de forma irregular e seguiam para o município de Alvorada do Oeste, em Rondônia.
Em entrevista concedida após a apreensão, o empresário afirmou que os animais estavam regularizados e seriam comercializados em Rondônia.
Desde que foram acolhidos pela ONG Patinha Carente, 13 animais morreram. A suspeita é de que as condições climáticas da região tenham contribuído para o agravamento do estado de saúde deles.
Nas redes sociais, a advogada Vanessa Facundes, responsável pela ONG, afirmou que aceitou receber os animais para evitar que fossem abatidos imediatamente.
“Assumimos essa responsabilidade para evitar que fossem diretamente para o abate, dando a elas a chance de retornarem ao seu país de origem. Elas estão protegidas, cuidadas, em quarentena e recebendo muito amor”, escreveu.
Durante o período em que permaneceram na ONG, as lhamas e alpacas também receberam doações, incluindo alimentos entregues pelo cônsul do Peru no Acre. Vídeos publicados pela entidade mostram os animais sendo alimentados e recebendo acompanhamento durante a quarentena.
