Oposição irão convidar Bittar para disputar Prefeitura da Capital; Bocalom seria o vice

Por Wania Pinheiro, ContilNet 28/02/2016 às 17:14

O senador Sérgio Petecão (PSD) se reuniu na semana passada, em Brasília, com o deputado Major Rocha (PSDB) e o democrata Tião Bocalom para tratar sobre as eleições municipais deste ano. O prato principal do cardápio dos três líderes da oposição foi o tucano Marcio Bittar, que deve ser convidado para disputar a prefeitura de Rio Branco este ano.

A chapa de Bittar teria o democrata Tião Bocalom como vice, e seria apoiada por Sérgio Petecão e outras lideranças da oposição que já teriam dado sinal verde para a conversa com o tucano.

Marcio Bittar, uma das maiores lideranças da oposição acreana que vem se destacando também no cenário nacional, se elegeu para deputado federal em 2010 com quase 53 mil votos, fazendo a própria legenda.

No meio do mandato foi indicado pela bancada do PSDB para a primeira- secretaria da Câmara dos Deputados, cargo nunca assumido por políticos acreanos. Como primeiro-secretário, o tucano administrou durante dois anos um orçamento maior que o do Acre, sem se envolver em nenhum tipo de escândalo.

Em todas as pesquisas de opinião pública que vêm sendo realizadas no Acre, principalmente no que se refere à disputa pela Prefeitura de Rio Branco, o nome de Bittar aparece como um dos favoritos para ganhar a eleição. Mas em contato com a ContilNet, neste sábado (27), ele disse que, apesar de ter ficado emocionado por ter seu nome lembrado pelos correligionários, descarta qualquer possibilidade de participar da eleição deste ano como candidato. Veja a entrevista concedida com exclusividade à ContilNet.

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Bittar: “Fico comovido, mas este não é o meu momento. Estou envolvido em outras missões que acho que serão muito importantes para o Acre em um futuro próximo”

 

ContilNet – Marcio, tivemos acesso a uma conversa que aconteceu entre o senador Sérgio Petecão, o deputado Major Rocha e o democrata Bocalom, onde eles decidiram que iriam lhe fazer um convite para disputar a Prefeitura de Rio Branco. Se este convite for feito, você irá aceitar?

Marcio Bittar – Primeiro, quero dizer que pessoas que tanto admiro lembrarem-se do meu nome para disputas eleitorais, e agora, no caso específico, a Prefeitura de Rio Branco é motivo de orgulho, de honra e de emoção. Qualquer pessoa se sentiria muito honrada em administrar uma prefeitura, principalmente a da capital do seu Estado. Se esse encontro realmente aconteceu, só me deixa honrado, qualquer acreano se sentiria feliz, mas tudo tem seu tempo e sua hora. Em outro momento eu já quis ser candidato e até disputei cargos majoritários, mas quando terminaram as eleições de 2014, e se passaram alguns dias, minha família e eu sabíamos de coisas que tínhamos que fazer, tinha que organizar minha vida, então, decidimos que eu não disputaria nenhum cargo este ano. Ninguém sai de uma campanha de governo sem alguns problemas, e eu tinha que resolver logo sobre uma nova disputa em 2016, até que para depois eu não fosse responsável pela ausência de uma opção no meu partido sobre uma candidatura neste ano. Naquela época já comuniquei minha decisão ao deputado Rocha, e na mesma ocasião disse que, se ele quisesse, seria o meu candidato.

E o que disse o deputado Rocha?

Ele pensou, analisou e três meses depois me respondeu que tinha intenção de manter-se na Câmara onde poderia ajudar mais o partido. Enfim, ele ficaria cumprindo o seu mandato. Então, o PSDB teve total liberdade de procurar nomes, e foi quando convidamos a Socorro Neri, que é uma amiga querida que tenho há muitos anos. Naquela época, o Francineudo tinha colocado seu nome e, de forma disciplinada, humilde e democrática, retirou sua candidatura em nome da Socorro, mas lá na frente ela acabou retirando o seu nome por questões pessoais, o que foi uma pena.

E como fica a pré-candidatura do Francineudo Costa?

O Francineudo assumiu, naturalmente, uma pré-candidatura do PSDB. Quando eu decidi não ser candidato eu sabia que minha atitude iria ajudar no crescimento de outras lideranças; eu não queria empatar a vida do meu partido, e, também, empatar outras candidaturas que viessem a surgir, que quisessem uma oportunidade. Desde que terminou a eleição de 2014 eu vinha dizendo que não iria disputar uma eleição em 2016. isso foi um sinal claro para que outras pessoas se colocassem no processo, como o PMDB, com a deputada Eliane Sinhasique.

Acha que se tivesse trabalhado seu nome para disputar a prefeitura da capital, os partidos de oposição estariam unidos em torno do seu nome?

Acredito que sim. Acho que se eu tivesse trabalhado o meu nome o ano passado inteiro, talvez unisse a oposição. Mas em eu ter tomado a decisão de não ser candidato em 2016, abriu a oportunidade a outras pessoas, como é o caso do PMDB, com a deputada Eliane Sinhasique, que foi vereadora e agora é deputada estadual, e que tem todo direito, junto com seu partido, de pleitear a Prefeitura de Rio Branco; como o deputado Eber Machado, que saiu do governo e é muito bem-vindo ao nosso meio. O deputado Eber recebe o meu abraço, conheço a família dele, muitas pessoas da sua família já votaram em mim. E o Bocalom, idem. Se todas as pessoas têm o direito de pleitear, imagine o Bocalom que disputou várias eleições em épocas mais difíceis, quando o PT não tinha o desgaste que tem hoje.

Então o senhor vai apoiar a candidatura do Francineudo Costa? Acha que ele tem os requisitos exigidos pelas lideranças do PSDB e pelos eleitores para uma disputa pela Prefeitura de Rio Branco?

Marcio – O meu partido é o PSDB, meu líder é o Aécio Neves. O PSDB tem um pré-candidato que é o meu candidato, que tem o meu respeito e terá o meu apoio, que é o jovem Francineudo. Ele já foi candidato duas vezes quase sem estrutura nenhuma e foi bem votado. Acredito que, se o partido se envolver e der a ele as condições mínimas e básicas, ele pode ser uma nova liderança não só do PSDB, mas do Acre.

O senhor vem cumprindo agendas do PSDB nacional em vários Estados do País. Que agendas são essas?

No segundo semestre do ano passado o Aécio Neves me colocou em uma comissão de nove pessoas, cada um responsável por alguns Estados, para cuidar de determinados municípios, averiguar como estavam e onde tem geração de programas de televisão. Fiquei com o Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins. Entregamos o resultado desse trabalho, dessa avaliação para a executiva nacional no inicio de 2016. Este ano fui chamado novamente pelo Aécio para cumprir várias tarefas do meu partido. Primeiro, para ajudar a fazer a agenda nacional do Instituto Teotônio Vilela, e foi quando aproveitei e levei para o Acre um dos seminários que a gente faz pelo ITV nacional, junto com José Aníbal, que é um nome da alta cúpula do PSDB, que esteve no nosso Estado e com o ex-prefeito mato-grossenses Wilson Santos. Semana que vem teremos, na terça-feira, uma reunião com o José Aníbal e com prefeitos do PSDB de várias cidades, porque, provavelmente, entre outros compromissos, iremos fazer outra agenda em Brasília, com todos os pré-candidatos dos municípios que geram o seu próprio programa de televisão. No Acre, tem Rio Branco, Cruzeiro do Sul e Sena Madureira. São 300 municípios que geram programas, e em todos eles iremos fazer um seminário de dois dias.

Como o senhor avalia este momento do Brasil e do Acre?

Estão acontecendo mudanças no América Latina. O Brasil já percebeu o mal que a esquerda e seus aliados fizeram, tanto ao Acre como ao Brasil. Quebraram o País. Está na hora de consertar o Brasil, recoloca-lo nos trilhos. Nós, do PSDB, temos um projeto para o Brasil e para o Acre.

Que projeto seria esse para “recolocar o País nos trilhos novamente”?

O Chavismo foi derrotado na eleição parlamentar na Venezuela, o Evo Morales acabou de perder o referendo na Bolívia, onde ele queria ser presidente pela quarta vez. O populismo barato que quebrou a Argentina também saiu de cena. O atual presidente daquele país, Mauricio Macri, vem falando coisas importantes, como arrumar a economia, baixar a carga tributária, abrir a Argentina para o mercado internacional, garantir a estabilidade. Ele diz que o Mercosul, programa de integração econômica de cinco países da América do Sul, composto pela Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e a Venezuela, que aderiu ao grupo em julho de 2006, precisa fazer aliança com os países que estão dando certo, e cita a Parceria Tarsnpacífico, anunciada o ano passado pelos Estados Unidos e outros países banhados pelo oceano Pacífico, como uma alternativa de promover o crescimento econômico, inclusive na geração e manutenção de postos de trabalho. Este programa irá elevar os padrões de vida dos brasileiros porque a pobreza será reduzida em todo o país. Seu estatuto diz que os governantes ficarão na responsabilidade de promover a transparência, proteger o meio ambiente , reforçar a inovação, a produtividade e a competitividade. O presidente da Argentina vem falando da importância do Mercosul se juntar com esse tipo de acordo profissional que envolve esses 12 países, onde o Peru, que é nosso vizinho, faz parte.

Mas o que o Acre tem a ver com este acordo?

O futuro do Acre passa por ai. A única possibilidade do Acre mudar sua face econômica nos próximos 20 anos , dar um futuro promissor de novo para os nossos filhos e para as próximas gerações, é se nós fizermos mudanças no nosso Pais e colocarmos o Acre nesse processo. O pior dos roubos que essa turma que governa o Brasil fez nos últimos anos foi roubar a nossa esperança, o futuro dos nossos filhos. Para termos a esperança de volta, só um novo projeto, capaz, sério, competente, que envolva o Brasil em atitudes de gestão pública de primeira qualidade, de diminuir o tamanho do Estado, compreender que quem gera riqueza é a iniciativa e o talento individual das pessoas, parar de criminalizar o capital, fazer o Brasil voltar a ter de novo estabilidade, passar a ser de novo um país que se confiem para as pessoas queiram investir, e estabelecer relações econômicas com os países vizinhos profissionais, de alto nível. O nosso futuro, o futuro do Acre passa por ai. Eu dizia na campanha, junto com o Aécio, da importância do futuro econômico do Acre, e, obrigatoriamente, a relação com o Peru.

Como o Acre seria beneficiado?

Temos hoje governadores do PSDB, e mais os Estados do Tocantins e Rondônia, que estão criando um consórcio, estão atrás de soluções para a região. Para eles, essa saída que liga os portos do sul do Brasil passando pelo Acre, uma linha férrea através do Peru, é importante para eles. Eles não estão pensando neste projeto somente por solidariedade ao Acre, mas porque eles querem uma solução para os seus problemas. O Canal do Panamá, por exemplo, que tem 77,1 quilômetros de extensão, faz a ligação do oceano Atlântico, através do mar do Caribe, ao oceano Pacífico. Uma ferrovia construída dos portos do Sul até o Peru iria trazer o mesmo benefício para todos os Estados brasileiros, inclusive para o Acre. A China já demonstrou interesse em financiar parte dessa obra. Penso que o interesse em colocar o Acre neste projeto não tem que ser somente meu, isso tem que ser tarefa de outras pessoas. O PSDB irá governar de novo o Brasil e temos que colocar o Acre no cenário. Nosso Estado não pode, mais uma vez, ver as coisas acontecerem em um futuro próximo e não fazer parte disso. O Acre tem que produzir, tem que ter produtos para vender nessas novas oportunidades. Precisa facilitar a vinda de empresas e empresários; investir em tecnologia e na preparação profissional dos acreanos. Precisamos trocar o assistencialismo subdesenvolvido do PT por uma visão liberal e de produção de riquezas.

Se o senhor não for candidato este ano, qual o cargo que pretende disputar nas eleições de 2018?

Se eu for candidato serei candidato com o Aécio Neves, em 2018, no momento em que ele disputar uma eleição para presidente da Republica. Se vou para o governo ou para o Senado é o tempo quem vai dizer, mas quero disputar uma eleição majoritária. Como já disse, tudo tem seu tempo.

Então sua participação como candidato a prefeito nas eleições de 2016 está descartada?

Volto a dizer que fiquei muito emocionado e orgulhoso em saber que pessoas queridas e da minha convivência lembraram o meu nome para administrar a prefeitura da capital do meu Estado. Se essa conversa existiu, como vocês estão afirmando, fico comovido, mas este não é o meu momento. Estou envolvido em outras missões que acho que serão muito importantes para o Acre em um futuro próximo.

Conteúdo Original / Fonte: WANIA PINHEIRO, DA CONTILNET

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