Pré-candidata ao Senado por São Paulo, a deputada federal Marina Silva (Rede) fez críticas à tentativa de partidos políticos, entre eles o PT, de flexibilizar as regras de distribuição do fundo eleitoral destinadas às candidaturas de mulheres e negros.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Marina classificou a iniciativa como um retrocesso e afirmou que é “especialmente inaceitável” que legendas de diferentes campos políticos se unam para alterar mecanismos criados para ampliar a participação de grupos historicamente sub-representados na política.
“É especialmente inaceitável que partidos de diferentes campos políticos se unam para flexibilizar justamente mecanismos criados para ampliar a participação de quem historicamente foi excluído da política”, afirmou.
A declaração ganha peso porque Marina integra a aliança que apoiará a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo. A chapa terá Fernando Haddad (PT) como candidato ao governo paulista, Simone Tebet (PSB) disputando uma das vagas ao Senado ao lado de Marina e Márcio França (PSB) como candidato a vice-governador.
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Segundo a ex-ministra do Meio Ambiente, as regras que destinam ao menos 30% dos recursos do fundo eleitoral às candidaturas de mulheres e pessoas negras não representam uma concessão dos partidos, mas um instrumento para reduzir desigualdades históricas na representação política.
“Essas regras não são concessões, nem favor partidário, e sim instrumentos mínimos de correção de desigualdades históricas que ainda limitam a presença de mulheres, pessoas negras e indígenas nos espaços de poder”, declarou.
Marina também afirmou que enfraquecer esses mecanismos significa manter a concentração de recursos e espaço político nas mãos dos mesmos grupos.
“Essas cotas existem porque a desigualdade existe. Enquanto ela persistir, enfraquecer esses instrumentos é trabalhar contra a renovação, contra a diversidade e contra a própria democracia”, disse.
Na entrevista, a parlamentar também defendeu mudanças na relação entre Executivo e Congresso, criticou o uso de emendas parlamentares sem transparência, falou sobre o combate às fake news, defendeu que temas como o aborto não sejam instrumentalizados politicamente e afirmou que o meio ambiente continuará sendo o eixo central de sua atuação política.
Ao ser questionada sobre uma eventual candidatura à Presidência da República, Marina descartou voltar à disputa pelo Palácio do Planalto.
“Já dei a minha contribuição. Fui candidata três vezes, estou na política desde 1986 e me sinto muito agradecida a Deus, ao povo do Acre, ao povo brasileiro e ao povo paulista por todas as oportunidades que tive de atuar na política institucional”, afirmou.
