Aos 5 anos, Laís Loren chamou atenção ao brincar de amarelinha de um jeito só dela. Filha da jornalista acreana Dry Alves, a menina tem paralisia cerebral, mas as limitações motoras não impediram que ela encontrasse uma maneira própria de participar da brincadeira ao lado do irmão.
O momento aconteceu na creche onde a mãe trabalha. Ao observar o irmão brincando, Laís decidiu se aproximar e participar da atividade. Sem que ninguém precisasse ensiná-la ou dizer que deveria brincar, ela encontrou sua própria forma de jogar amarelinha, usando os recursos que tinha à disposição.
Para Dry, a cena representa a maneira como a família procura criar Laís: com liberdade para descobrir o que consegue fazer e sem estabelecer limites antes mesmo que ela tente.
“Ela foi e brincou de amarelinha do jeito dela. E isso mostra muito pra gente o quanto a cadeira de rodas não é uma prisão pra ela. Ela é uma criança que tem bastante autonomia, ela entende tudo à sua volta, ela conhece as letras, conhece os números”, disse.
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Laís nasceu prematuramente, com 31 semanas de gestação. Segundo o relato da mãe, ela apresentou uma hemorragia cerebral de grau 2 associada à falta de oxigenação.

Para Dry, a cena representa a maneira como a família procura criar Laís: com liberdade/Foto: cedida
O diagnóstico de paralisia cerebral veio quando a menina tinha cerca de um ano, mas, antes disso, a família já havia iniciado sessões de fisioterapia ao perceber atrasos no desenvolvimento motor.
Desde então, a rotina de Laís inclui diferentes acompanhamentos. De segunda a quinta-feira, ela realiza terapias, entre elas fisioterapia, fonoaudiologia e equoterapia.
A cada seis meses, a família também viaja para Brasília, onde a menina passa por acompanhamento com uma equipe multidisciplinar na Rede Sarah, referência em reabilitação.
Mesmo com a rotina de tratamentos, Dry afirma que a família busca preservar a infância da filha e incentivá-la a desenvolver sua autonomia.
Em casa, Laís é estimulada a realizar atividades que estejam ao seu alcance, sem ser tratada a partir daquilo que não consegue fazer.
“E a gente nunca limitou a Loren de nada. Apesar das limitações que ela tem, a gente não fica com aquele que ela não pode fazer isso, que ela não pode fazer aquilo. E esse momento foi bem interessante porque foi um momento em que eu tinha levado ela para o meu trabalho”, completou.

Para Dry, a cena representa a maneira como a família procura criar Laís: com liberdade/Foto: Instagram
A menina também se prepara para uma nova etapa. No próximo ano, deverá ingressar no 1º ano do ensino fundamental, e a família já trabalha para que ela avance no processo de alfabetização.
Para Dry, além dos acompanhamentos e estímulos, o ambiente familiar tem papel fundamental no desenvolvimento da filha.
“O principal: amor. Sem dúvidas. A gente sempre deu muito amor para ela e todos os dias. Ela escuta da gente que ela é muito amada e eu acho que esse é o combustível principal e que faz ela desenvolver tanto”, disse com emoção.
A jornalista também conta que, para a família, a rotina de terapias, escola e cuidados não é vista como um peso. O que considera mais difícil são os obstáculos encontrados no acesso a serviços e as burocracias enfrentadas no dia a dia.
“Eu acho que pesa muito mais lidar com sistemas, as burocracias das coisas. Mas assim, do cansaço dessa rotina dela, de leva pra terapia, leva pra escola, não. Ela tem uma vida normal como qualquer uma outra criança”, contou.
A cena de Laís na amarelinha vai além de uma simples brincadeira. Para a família, é também um retrato da autonomia que a menina vem construindo e da forma como encontra maneiras próprias de participar das atividades da infância.
